Irmãos processam espólio de Michael Jackson e fazem novas acusações de abuso sexual
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 27 de abril de 2026 às 16:45 | Atualizado há 2 meses
Novas denúncias e processo reacendem controvérsias envolvendo Michael Jackson | Foto: The Music Journal
Novas acusações envolvendo o nome de Michael Jackson voltaram ao centro do debate público após o lançamento recente de um filme biográfico sobre o artista. De acordo com ações judiciais em andamento, quatro pessoas afirmam ter sido vítimas de abuso sexual ainda na infância. Elas alegam que o cantor teria utilizado mecanismos de manipulação psicológica para exercer controle sobre elas.
Entre os denunciantes estão quatro dos cinco irmãos da família Cascio: Aldo, Eddie, Dominic e Marie Nicole. Eles detalharam a relação próxima que mantinham com o artista em entrevista ao jornal The New York Times, publicada na última sexta-feira (24). O grupo, que por anos se referiu a si mesmo como uma espécie de “segunda família” de Jackson, entrou com processo contra o espólio do cantor alegando abuso sexual.
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Relatos apontam vínculo próximo e dinâmica de controle
Segundo os irmãos, além dos supostos abusos, eles teriam sido incentivados a atuar como defensores públicos do artista, rebatendo acusações e protegendo sua imagem. Além disso, afirmam que esse comportamento teria sido resultado de um processo de aliciamento psicológico. Nesse processo, o cantor conquistava a confiança das vítimas e de seus familiares.
Durante anos, tanto antes quanto após a morte de Jackson, os irmãos negaram qualquer conduta inadequada por parte do artista. Em entrevistas passadas, incluindo uma participação no programa de Oprah Winfrey cerca de um ano e meio após a morte do cantor, reforçaram publicamente essa posição.
O primeiro contato entre a família e o artista ocorreu por meio do pai dos irmãos, Dominic Cascio, que trabalhava como gerente do hotel Helmsley Palace, em Manhattan. Nesse local, Jackson costumava se hospedar nos anos 1980. Com o tempo, a relação se intensificou, levando os irmãos a frequentarem o rancho Neverland, propriedade do cantor. Em algumas ocasiões, eles estiveram lá inclusive sem a presença de adultos.

Um dos irmãos, Frank Cascio, que não integra o processo por motivos legais, apresentou uma versão distinta em seu livro de 2011, Meu Amigo Michael: Uma Amizade Comum com um Homem Extraordinário. No livro, afirmou que nunca presenciou qualquer comportamento inadequado do artista.
Parte dos denunciantes relata que só passou a reinterpretar as experiências vividas após assistir ao documentário Leaving Neverland. Nesse documentário, depoimentos de outros homens também acusam o cantor de abuso durante a infância.
Processo menciona grooming e busca responsabilização
Na ação judicial, os irmãos sustentam que foram submetidos a um processo contínuo de “grooming”, prática caracterizada pela construção gradual de confiança com o objetivo de manipulação. Eles afirmam que, à época, não compreendiam a natureza das situações vividas. Segundo eles, isso teria dificultado qualquer tipo de denúncia.
Os relatos também mencionam uma espécie de “condicionamento psicológico”, que teria contribuído para que eles permanecessem em silêncio por anos. Agora adultos, os autores do processo buscam reconhecimento judicial das acusações e compensação pelos danos alegados.
Defesa do espólio contesta acusações
O espólio de Michael Jackson nega as acusações e afirma que casos semelhantes já foram analisados anteriormente sem comprovação. A defesa também questiona o momento em que as novas denúncias vieram à tona, destacando o intervalo de tempo desde os supostos fatos.
Em comunicado enviado à revista People, o advogado Marty Singer classificou o processo como uma tentativa de obtenção de vantagem financeira. Segundo ele, membros da família Cascio estariam buscando “ganhos indevidos” ao explorar o nome do artista.
“A família defendeu Michael Jackson por mais de duas décadas, atestando sua inocência. Esta nova ação judicial representa uma estratégia para obter valores elevados do espólio e de empresas ligadas ao cantor”, afirmou o representante.
As ações seguem em tramitação, sem decisão definitiva até o momento.