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Faltam 43 dias: Seleção ignora soluções e mantém dúvidas no gol

Léo Carvalho

Publicado em 28 de abril de 2026 às 10:27 | Atualizado há 2 meses

Goleiros Alisson e Ederson convivem com histórico recente de lesões às vésperas da Copa | Foto: Nelson Almeida/AFP
Goleiros Alisson e Ederson convivem com histórico recente de lesões às vésperas da Copa | Foto: Nelson Almeida/AFP

Faltam 43 dias para o início da Copa do Mundo2026, e a Seleção Brasileira repete um roteiro que já virou tradição indigesta: talento disponível, escolhas questionáveis e uma teimosia institucional que insiste em ignorar o óbvio.

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No gol, o problema é concreto e mensurável. Alisson e Ederson, os dois nomes mais consolidados da posição, chegam ao ciclo final de preparação para a Copa sob desconfiança. Não por falta de qualidade técnica, mas por algo ainda mais preocupante em torneios curtos: disponibilidade. O histórico recente pesa. Alisson soma três cortes por lesão no período, enquanto Ederson acumula cinco ausências, além de convocações em que sequer teve condições de jogo.

Ainda assim, são tratados como pilares por Carlo Ancelotti, que mantém a preferência ao lado de Bento, numa aposta que parece mais baseada em hierarquia do que em desempenho recente ou confiabilidade física. E é nesse ponto que a crítica deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.

O injustiçado

Enquanto a comissão técnica insiste em nomes instáveis, um dos goleiros mais regulares do futebol brasileiro segue ignorado: Fábio. Aos 40 anos, o jogador do Fluminense continua entregando atuações de alto nível. A mais recente vitrine foi o Mundial de Clubes 2025, onde voltou a demonstrar reflexo, posicionamento e liderança — exatamente os atributos que costumam decidir jogos grandes.

A ausência de Fábio não é apenas uma escolha técnica questionável, mas um símbolo de como a Seleção Brasileira frequentemente despreza consistência em nome de projeções ou status consolidado. Trata-se, possivelmente, do maior injustiçado recente da posição — um goleiro que atravessou gerações mantendo rendimento e nunca teve sequer a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo.

Mesmo em alto nível pelo Fluminense, o goleiro Fábio segue fora dos planos da Seleção às vésperas da Copa, enquanto Alisson Becker e Ederson convivem com histórico recente de lesões | Foto: Reprodução/Rede social

Messi e CR7

Vale lembrar que longe de ser um impeditivo, a idade tem sido tratada no futebol mundial como ativo quando acompanhada de desempenho. Nomes como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo seguem valorizados e frequentemente reconhecidos até pela FIFA mesmo em fases avançadas da carreira, sustentados por rendimento e protagonismo. O parâmetro, portanto, não deveria ser o número no documento, mas a capacidade de decidir em alto nível — exatamente o ponto que recoloca em perspectiva a discussão sobre experiência e meritocracia dentro da Seleção.

Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, e Lionel Messi, aos 38, seguem ativos no futebol profissional, atuando por Al-Nassr e Inter Miami, respectivamente | Foto: Getty/GOAL

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Neymar vai ou não?

Enquanto isso, a interminável discussão sobre a presença de Neymar beira o desperdício de energia. A dúvida sobre sua ida à Copa do Mundo já deveria estar superada há muito tempo. Mesmo com histórico recente de lesões, trata-se do principal jogador brasileiro da última década, decisivo em cenários grandes e capaz de alterar o rumo de uma partida como poucos no futebol mundial. Insistir nesse debate, a esta altura, revela mais insegurança coletiva do que análise técnica. Neymar, em condições mínimas, não é opção, mas necessidade.

Referência técnica da Seleção, Neymar segue no centro das atenções às vésperas da Copa do Mundo, com debate sobre sua presença ainda em pauta | Foto: Vitor Silva/CBF

A Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti entra na reta final de preparação sem resolver o básico. Em Copas do Mundo, isso costuma custar caro. Não é apenas sobre quem joga — é sobre quem está disponível quando realmente importa.

E, neste momento, o Brasil parece mais preocupado em sustentar nomes do que em garantir soluções.


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