Jeffrey Epstein pode ter deixado carta de suicídio sob sigilo, diz The New York Times
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 30 de abril de 2026 às 16:29 | Atualizado há 2 meses
Epstein se suicidou em agosto de 2019 enquanto estava preso | Foto: Getty Images
O financista Jeffrey Epstein, acusado de comandar um esquema de exploração sexual, pode ter deixado uma carta antes de morrer na prisão, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (30) pelo The New York Times. O conteúdo do documento permanece sob sigilo judicial.
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De acordo com o jornal, o bilhete teria sido encontrado em julho de 2019 por Nicholas Tartaglione, que dividia cela com Epstein à época. O episódio ocorreu após o financista ser localizado desacordado, com um pano enrolado no pescoço dentro da unidade prisional.
Na ocasião, Epstein negou qualquer tentativa de suicídio e afirmou ter sido agredido pelo companheiro de cela. Dias depois, ele foi transferido de unidade e acabou encontrado morto.
Bilhete foi localizado após transferência
Segundo Tartaglione, o documento foi achado dentro de um livro logo após a saída de Epstein da cela. O detento, ex-policial condenado à prisão perpétua por homicídio, relatou que o conteúdo da carta sugeria insatisfação com as investigações conduzidas contra o financista.
Em entrevistas mencionadas pelo jornal, Tartaglione afirmou que Epstein escreveu que vinha sendo investigado há meses sem que nada fosse comprovado. O texto também teria incluído uma mensagem de despedida.
O preso disse ainda que decidiu entregar o bilhete ao seu advogado, temendo ser novamente acusado de agressão pelo financista.
Documento segue sob sigilo judicial
A reportagem aponta que a carta foi lacrada por decisão de um juiz federal e passou a integrar o processo criminal envolvendo Tartaglione. Segundo o The New York Times, os investigadores responsáveis por apurar a morte de Epstein não tiveram acesso ao material.
Procurado, um porta-voz do tribunal de Nova York não comentou o caso. Já o Departamento de Justiça afirmou não ter conhecimento sobre a existência do documento.
Caso Epstein reúne denúncias e controvérsias
Jeffrey Epstein mantinha relações com empresários, artistas e figuras políticas influentes. Entre 2002 e 2005, ele foi acusado de aliciar dezenas de adolescentes para encontros sexuais em propriedades de luxo.
Em 2008, o financista firmou um acordo judicial ao se declarar culpado em um processo. Anos depois, em 2019, autoridades federais revisaram o caso, consideraram o acordo inválido e determinaram sua prisão por acusações de tráfico sexual.
Epstein morreu poucos dias após ser detido. A versão oficial aponta suicídio, mas o caso gerou questionamentos e teorias, especialmente diante de falhas relatadas na segurança da prisão.
Nos últimos meses, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou milhares de páginas relacionadas às investigações, após pressão pública e aprovação de medidas no Congresso para ampliar a transparência sobre o caso.