Política

Collor em prisão domiciliar há 1 ano tem caso comparado ao de Bolsonaro

Léo Carvalho

Publicado em 1 de maio de 2026 às 10:35 | Atualizado há 2 meses

Fernando Collor cumpre prisão domiciliar em cobertura de alto padrão em Maceió, com visitas autorizadas pelo STF e rotina marcada por isolamento | Foto: Alan Santos
Fernando Collor cumpre prisão domiciliar em cobertura de alto padrão em Maceió, com visitas autorizadas pelo STF e rotina marcada por isolamento | Foto: Alan Santos

O ex-presidente Fernando Collor de Mello, 76, mantém a eloquência ao receber visitantes no apartamento em Maceió (AL), onde cumpre prisão domiciliar desde 1º de maio de 2025.

Sempre bem vestido, às vezes de terno e gravata, aparenta tranquilidade, embora reclame do isolamento. O número reduzido de amigos e a necessidade de autorização judicial para visitas limitam o convívio. Ainda assim, mantém o hábito de presentear quem o visita.

Collor foi preso em 25 de abril de 2025 por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Inicialmente levado à Polícia Federal em Alagoas, foi transferido para o presídio Baldomero Cavalcante, onde ficou por seis dias até obter o benefício da prisão domiciliar.

À época, a defesa destacou problemas de saúde, incluindo Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. A condição de idoso também foi considerada.

Tempo de pena

A condenação, de 8 anos e 10 meses, abre margem para pedido de progressão ao regime semiaberto em cerca de cinco meses, quando terá cumprido 17 meses da pena.

A prisão decorre de condenação por recebimento de propina em esquema de corrupção na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. O caso é derivado da Operação Lava Jato, com base em provas como documentos apreendidos com o doleiro Alberto Youssef e delações.

O episódio foi visto como antecedente da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também obteve prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Diferentemente de Collor, porém, Bolsonaro não tem restrições ao uso de telefone e internet.

Moradores do prédio relatam rotina tranquila, sem alterações significativas. Collor vive com a esposa, Caroline Serejo Medeiros Collor de Mello, enquanto as duas filhas mais novas permanecem no imóvel quando estão no Brasil. Os três filhos mais velhos moram em outros endereços.

O apartamento é uma cobertura de cerca de 600 metros quadrados à beira-mar, em área nobre de Maceió, com piscina, adega, três suítes e amplas áreas de convivência.

Pelas regras impostas pelo STF, Collor só pode sair para consultas médicas previamente autorizadas. Em caso de emergência, deve justificar a saída em até 48 horas. O passaporte está suspenso.

Rotina de Collor

Ao longo de um ano, o ex-presidente teve 24 autorizações de visita concedidas pelo STF, envolvendo 23 pessoas, entre empresários, políticos, advogados e jornalistas. Entre os visitantes estão o deputado Paulinho da Força, o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, além do ex-ministro Bruno Araújo e do delator Cláudio Melo Filho.

O ministro Alexandre de Moraes também autorizou acompanhamento de um fisioterapeuta por seis meses.

Em outubro, Collor recebeu advertência após falha na tornozeleira eletrônica por falta de bateria. A defesa alegou erro involuntário.

Para a cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, a prisão ocorreu em momento de perda de relevância política do ex-presidente, já perceptível nos últimos anos de mandato no Senado e consolidada após a derrota na eleição ao governo de Alagoas em 2022.

Segundo a avaliação, o isolamento político de Collor contrasta com o cenário de Bolsonaro, que mantém herdeiros políticos ativos, incluindo filhos e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que indica diferenças significativas no capital político entre os dois casos.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia