ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro apresenta R$ 16,5 milhões em notas irregulares à Prefeitura de SP
Redação Online
Publicado em 20 de maio de 2026 às 13:49 | Atualizado há 2 meses
Cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel | Foto: Reprodução
A ONG Instituto Conhecer Brasil, investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares para justificar despesas de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi gratuito em comunidades da capital.
A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também dona da produtora responsável pelo filme Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento revelou o uso de notas fiscais canceladas, recibos sem valor fiscal e até documentos emitidos pela própria ONG para justificar gastos milionários entre 2024 e 2025.
Em um dos casos, a entidade apresentou quatro faturas sem validade fiscal para comprovar despesas de R$ 8,5 milhões com locação de equipamentos eletrônicos. Outra irregularidade envolve notas fiscais canceladas de empresas prestadoras de serviço.
A própria Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia apontou irregularidades nas prestações de contas da ONG. Em parecer técnico, a pasta afirmou que o instituto emitiu notas fiscais para si mesmo e declarou pagamentos em duplicidade. A prefeitura aprovou as contas com ressalvas após devolução de cerca de R$ 930 mil.
O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi até junho de 2025, mas apenas 3.200 foram implantados até o momento. O contrato também é alvo de investigação por possíveis falhas no processo de contratação e sucessivos aditivos assinados na gestão do prefeito Ricardo Nunes.
Karina Ferreira da Gama afirmou desconhecer o cancelamento de notas por fornecedores e disse que as inconsistências estão sendo corrigidas. A Prefeitura de São Paulo declarou que o contrato é monitorado rigorosamente e negou qualquer relação entre o convênio e a produção do filme sobre Bolsonaro.