Brasileiros barrados na União Europeia cresceram 14% e chegaram a 2,9 mil em 2025
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 20 de maio de 2026 às 15:33 | Atualizado há 2 meses
Mais da metade das recusas de entrada de brasileiros ocorreu em Portugal e na Irlanda, segundo dados oficiais | Foto: Wikimedia Commons
Quase 3 mil brasileiros foram impedidos de entrar em países da União Europeia ao longo de 2025, segundo dados divulgados pelo Eurostat. Ao todo, 2.910 cidadãos do Brasil tiveram a entrada recusada nas fronteiras do bloco.
A maior parte das negativas ocorreu em aeroportos europeus, onde 2.690 brasileiros foram barrados no momento do desembarque. Outros 180 tiveram a entrada rejeitada em fronteiras terrestres e 40 em postos marítimos.
O total representa um aumento de 14% em relação a 2024 e é o maior registrado desde 2019, quando 6.435 brasileiros foram impedidos de ingressar no território europeu.
No ranking de nacionalidades com maior número de recusas em 2025, o Brasil aparece na 12ª posição. Mais da metade dos casos foi registrada em Portugal e na Irlanda, países que concentram comunidades expressivas de brasileiros.
Em Portugal, foram 750 recusas, o que colocou os brasileiros no topo da lista de nacionalidades mais barradas no país. Na Irlanda, com 725 registros, os brasileiros ficaram em segundo lugar, atrás apenas dos cidadãos da Albânia.
Motivos mais frequentes para as recusas
As autoridades migratórias europeias apontam diferentes razões para negar a entrada de estrangeiros. Entre elas estão problemas com vistos, apresentação de documentos falsos ou irregulares, ausência de comprovação de recursos financeiros para a estadia e inclusão em listas de alerta relacionadas a ameaças à segurança.
Entre os brasileiros barrados em 2025, 1.085 tiveram o objetivo da viagem ou as condições de permanência considerados insuficientemente justificados.
Outros 645 foram impedidos de entrar por portar vistos ou permissões de residência falsificados.
Fronteiras aéreas concentram maior número de recusas
Em toda a União Europeia, 132,6 mil pessoas foram barradas nas fronteiras externas do bloco em 2025, alta de 7,1% na comparação com o ano anterior.
Nas fronteiras terrestres, os maiores números de recusas foram registrados na Polônia, com 26,3 mil casos, seguida por Croácia, com 11,6 mil, e Romênia, com 9,2 mil.
Já nas fronteiras aéreas, a França liderou o ranking, com 10 mil entradas negadas, à frente da Espanha, com 9,9 mil, e da Alemanha, com 7,4 mil.
No controle marítimo, a Itália registrou o maior número de recusas, com 1,4 mil casos, seguida pela França, com 1 mil, e pela Grécia, com 405.
A nacionalidade com maior número de recusas em todo o bloco foi a ucraniana. Em 2025, cerca de 130 mil cidadãos da Ucrânia tiveram a entrada negada, em meio ao quinto ano da guerra com a Rússia.
Aumentam as deportações no bloco europeu
Além do aumento no número de recusas nas fronteiras, a União Europeia também registrou crescimento na identificação de imigrantes em situação irregular e na execução de deportações em 2025.
O número de pessoas encontradas sem documentação regular aumentou 21,7% no período, enquanto o cumprimento de ordens de expulsão avançou 20,9% em comparação com o ano anterior.
A Alemanha concentrou 23,4% dos casos de imigrantes irregulares identificados no bloco. Em seguida aparecem a França com 22,2%, a Itália com 11,5%, a Grécia com 8,5% e a Espanha com 8,2%. As nacionalidades mais afetadas foram argelinos, afegãos, marroquinos e ucranianos.
Ao todo, 135,4 mil pessoas foram deportadas da União Europeia em 2025. Entre os grupos mais atingidos estão cidadãos da Turquia, da Geórgia, da Síria, da Albânia e da Rússia.
Os brasileiros somaram 3.050 deportações no período, o que representa cerca de 2% do total registrado no bloco europeu.