Violência e avanço do Ebola preocupam autoridades no Congo
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 22 de maio de 2026 às 12:01 | Atualizado há 2 meses
Novo caso de Kivu do Sul reforça o agravante do Ébola no Congo | Foto: Getty Images
A confirmação de um novo caso de ebola em Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo, aumentou a preocupação das autoridades sanitárias com a expansão do surto no país. O paciente, um homem de 28 anos, morreu após contrair a doença e foi enterrado sob protocolos de segurança, segundo informou a Aliança do Rio Congo, grupo que inclui os rebeldes M23.
O caso foi identificado em uma região rural próxima à cidade de Bukavu e indica que o vírus segue avançando para áreas distantes do foco inicial da epidemia, localizado em Ituri, ao norte do país. Especialistas acreditam que a circulação do vírus tenha permanecido sem detecção por cerca de dois meses antes de ser oficialmente identificada.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam 670 casos suspeitos e 160 mortes sob investigação. Até o momento, 61 infecções foram confirmadas. Além do caso fatal em Kivu do Sul, outro paciente permanece isolado aguardando exames laboratoriais, segundo autoridades locais.
Na semana passada, um caso também foi registrado em Goma, capital da vizinha Kivu do Norte, área igualmente controlada pelo M23. Já a Uganda confirmou duas infecções e anunciou a suspensão temporária de voos vindos da RDC como medida preventiva.

A Organização Mundial da Saúde declarou recentemente o surto da cepa Bundibugyo do ebola como emergência internacional de saúde pública. Atualmente, não há vacina aprovada contra essa variante do vírus.
Em meio ao avanço da doença, protestos violentos também foram registrados na cidade de Rwampara, uma das regiões afetadas em Ituri. Manifestantes incendiaram tendas administradas pela organização médica Alima após contestarem a causa da morte de uma suposta vítima de ebola. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e tiros de advertência para dispersar o grupo.
Autoridades de saúde temem que os conflitos armados constantes no leste congolês e a desconfiança da população em relação aos profissionais médicos dificultem ainda mais os esforços para conter a epidemia.
Em Genebra, a presidente da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi), Jane Halton, afirmou que os números atuais podem representar apenas “a ponta do iceberg”. A entidade avalia possíveis vacinas experimentais contra o vírus.