Sem vacina aprovada, Ebola se espalha e OMS admite dificuldade para conter surto
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 25 de maio de 2026 às 11:45 | Atualizado há 2 meses
OMS afirma que avanço do Ebola está mais rápido que a resposta das equipes médicas na África Central | Foto: Reprodução/Instagram
A Organização Mundial da Saúde voltou a demonstrar preocupação com o avanço do Ebola na África Central. Nesta segunda-feira (25), o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o atual surto já ultrapassa a capacidade de reação das equipes médicas e pode continuar piorando nas próximas semanas.
De acordo com a OMS, o número de mortes suspeitas chegou a 220, enquanto novos casos continuam sendo registrados tanto na República Democrática do Congo quanto em Uganda. A entidade classificou oficialmente o episódio como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Um dos fatores que mais preocupa os especialistas é o atraso na identificação da doença. Segundo Tedros, o vírus circulou por semanas sem ser detectado, permitindo várias cadeias de transmissão silenciosa antes da confirmação oficial do surto.
O primeiro caso suspeito conhecido envolveu um profissional da saúde que apresentou sintomas em 24 de abril, na província de Ituri, no Congo. O paciente morreu dias depois em um centro médico de Bunia. Já em 5 de maio, a OMS recebeu alertas sobre uma doença desconhecida com alta mortalidade na região. Após análises feitas por equipes de emergência, o vírus Bundibugyo foi confirmado em 15 de maio.

A situação se tornou ainda mais delicada porque não existe vacina aprovada para essa variante do Ebola. Além disso, as regiões afetadas vivem sob instabilidade causada por conflitos armados, dificultando o acesso das autoridades de saúde e o monitoramento da população.
Uganda também ampliou o alerta sanitário após confirmar mais dois casos da doença, totalizando sete infecções oficialmente registradas no país. A OMS acredita que outras nações vizinhas ao Congo também podem ser impactadas rapidamente caso medidas urgentes não sejam tomadas.
Tedros informou que viajará ao Congo nesta terça-feira (26) acompanhado de Chikwe Ihekweazu, responsável pelo setor de emergências da OMS, para acompanhar pessoalmente os trabalhos de contenção da epidemia.
Especialistas internacionais afirmam que o número real de contaminados pode ser muito maior do que o divulgado até agora, já que diversas transmissões podem ter ocorrido sem identificação prévia.