Dicas

Goiás lidera e-commerce no Brasil, mas PMEs ainda tropeçam em backlinks ruins

Redação DM

Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:43 | Atualizado há 2 meses

Em um galpão de Aparecida de Goiânia, uma marca de cosméticos naturais que começou em 2022 vendendo para vizinhas hoje despacha pedidos para dezessete estados. O salto não veio do Instagram, nem de anúncio pago. Veio do Google.

Quando um cliente pesquisa “sabonete artesanal sem parabeno”, a loja aparece na primeira página de buscas orgânicas. A diferença entre estar nessa lista e estar na quarta página costuma definir o faturamento do mês.

Esse tipo de história deixou de ser exceção em Goiás. O estado liderou o ranking nacional de crescimento de e-commerce no terceiro trimestre de 2025, com alta de 202% nos envios em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Mapa da Logística da Loggi.

O desempenho superou estados de tradição industrial e logística, como Rio Grande do Sul (172%) e Santa Catarina (113%). No primeiro semestre do mesmo ano, as PMEs online goianas faturaram R$ 109,5 milhões na plataforma Nuvemshop, crescimento de 29% sobre 2024, com cerca de 1,5 milhão de produtos comercializados.

O ponto de virada, porém, não está no logístico. Está em quem consegue ser encontrado quando o consumidor digita o que quer no buscador. Goiás criou inventário, criou catálogo e criou cadeia de entrega. Falta a parte que decide a venda antes de ela acontecer: a visibilidade orgânica.

A maturidade digital ainda corre atrás do crescimento

O dado que mais incomoda quem observa o setor de perto vem de uma pesquisa nacional. A Pesquisa Nacional de Maturidade Digital para Incorporadoras e Construtoras, divulgada em dezembro de 2025 pelo BIM Fórum Brasil com apoio da CBIC, mostrou que 70% das empresas pesquisadas operam em estágios classificados como tradicional ou iniciante.

O recorte é da construção civil, mas o padrão se repete em outros setores produtivos. Há demanda, há mercado, há dinheiro circulando, e ainda assim a parte digital fica para depois.

Em Goiânia, esse atraso se mistura com um movimento contrário. A capital concentra 71 fornecedores de marketing digital cadastrados na plataforma oHub, e a cidade tem ganhado espaço como polo de agências de SEO e link building voltadas para clientes de fora do estado. A oferta cresceu. A demanda interna, porém, ainda enfrenta o velho problema de quem não sabe o que está comprando.

É nesse vão que entra a confusão sobre backlinks. O empreendedor que ouviu falar que precisa de link em portal grande para subir no Google, mas que nunca recebeu uma explicação clara sobre o que diferencia um link bom de um link ruim, acaba contratando o que aparece pela frente. E aí o resultado vem ou não vem, mas o investimento já foi feito.

A pergunta que circula em qualquer reunião sobre estratégia de SEO em 2026 não é se backlinks funcionam. Essa pergunta foi respondida há tempo. A pergunta atual é qual tipo de link funciona, e por quanto tempo.

Segundo dados compilados pela Siege Media em 2025, 53,3% dos profissionais de marketing de conteúdo no mundo utilizam estratégias de link building, e 58,4% dos especialistas em SEO classificam o impacto dos links como alto para o ranqueamento nos mecanismos de busca.

O mercado global de serviços de SEO deve atingir US$ 146,96 bilhões em 2025, segundo projeções do setor. A pressão sobre quem quer crescer organicamente nunca foi tão grande.

O fator que costuma passar despercebido é o tráfego do domínio que cede o link. Um backlink em um portal que ninguém lê transfere pouca autoridade. Um backlink em um veículo que recebe milhares de visitas mensais, com indexação ativa e leitores reais, conta como referência de mercado. A diferença é mensurável.

Quem trabalha com comprar backlinks com tráfego acessa uma camada de links que o Google interpreta de outra forma, porque eles vêm acompanhados de validação de audiência. Não é apenas o link estar lá. É o link estar em um lugar que importa.

Esse critério separa quem investe em SEO com horizonte de dois ou três anos de quem queima orçamento em pacotes vendidos a peso. O empreendedor de Goiânia que coloca dez links em portais sem leitor real está pagando para enfeitar o perfil. Quem coloca três links em veículos com tráfego consolidado está construindo autoridade.

Outro detalhe que costuma ser ignorado é a distribuição ao longo do tempo. Um perfil que recebe três ou quatro backlinks por mês durante um ano inteiro apresenta padrão de crescimento orgânico.

Um perfil que recebe duzentos backlinks em uma semana, mesmo que pareça vantajoso à primeira vista, dispara alertas no sistema de avaliação do Google. O ritmo natural protege o domínio. O volume súbito o coloca em risco.

Esse cuidado com ritmo é exatamente o que falta nas estratégias improvisadas. Vendedores de pacotes prometem entregar cem links em trinta dias. Funciona como gasolina em fogueira: brilha rápido, queima rápido, deixa cheiro de fumaça. O domínio que sobreviver a esse pico depois leva meses para reconstruir reputação.

Em Goiás, onde o e-commerce está aceitando empresas novas em ritmo recorde, esse erro custa caro. Uma loja que estava ganhando posições orgânicas pode despencar do dia para a noite porque comprou volume sem critério. Recuperar exige paciência, e paciência é o que falta para quem vende todo mês.

Como avaliar se a estratégia faz sentido para o negócio

Não existe resposta única sobre quando contratar link building. Existem indicadores. Quando a empresa já tem base técnica decente no site (velocidade, indexação, arquitetura), já publica conteúdo razoável, mas não consegue subir nas buscas competitivas, geralmente o gargalo está na autoridade do domínio. É nessa hora que faz sentido entrar com backlinks editoriais bem posicionados.

Para empresas em fase anterior, com site lento ou conteúdo raso, o link não resolve. O Google pode até reconhecer o sinal de autoridade, mas o visitante vai entrar e sair em segundos, e o ranqueamento volta a cair. A ordem importa: estrutura técnica primeiro, conteúdo depois, links em seguida.

Em 2026, a discussão sobre comprar backlinks vale a pena voltou ao centro das mesas de marketing por uma razão prática: anunciar ficou mais caro. Com CPC do Google Ads em campanhas comuns na faixa de R$ 3,00 a R$ 5,00, e qualquer aumento percentual pesando rápido em orçamentos pequenos, muita empresa está buscando reduzir a dependência de mídia paga e ganhar tráfego orgânico estável.

O custo inicial do investimento em backlinks é maior, mas o retorno se acumula ao longo do tempo. Cada link bom continua entregando autoridade meses depois de contratado, enquanto o anúncio para de gerar visita no segundo em que a verba acaba.

“Backlink de qualidade é um ativo que se acumula. Você compra uma vez, mas o ganho de autoridade continua aparecendo nas buscas por muito tempo depois”, afirmou Anderson Alves, CEO da QMIX, agência para compra de backlinks em Goiânia, em conversa sobre o assunto.

O cenário regional pressiona por decisão rápida

Goiás não tem mais o luxo de tratar SEO como pauta de longo prazo a ser pensada quando sobrar tempo. O eixo Sul-Sudeste continua concentrando a maior parte das vendas online do país, mas o Centro-Oeste virou região estratégica em 2025, e o estado está liderando essa virada.

Quem aparecer no Google nos próximos dois anos vai consolidar marca para a próxima década. Quem deixar para depois vai disputar o mesmo espaço com concorrente de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, todos com cinco anos de vantagem em construção de autoridade.

O movimento das PMEs goianas no Mapa da Logística da Loggi mostra que existe um perfil empreendedor disposto a investir em logística, em tecnologia, em equipe. O que falta, em muitos casos, é o investimento equivalente em presença orgânica.

A capital goiana tem hoje 69 LoggiPontos distribuídos entre cidades estratégicas da região metropolitana, mas o mapa digital ainda está incompleto.

A maturidade do mercado de marketing digital em Goiânia ajuda. Há agências locais que trabalham com critérios de qualidade comparáveis aos das maiores capitais do país, e o custo costuma ser mais competitivo do que o praticado em São Paulo ou Rio.

O ponto crítico é a escolha. Contratar um pacote de backlinks no automático, sem analisar a relevância do veículo, o tráfego real, o tema do conteúdo e o ritmo de publicação, equivale a contratar uma reforma sem ver a planta. Pode dar certo. Costuma sair caro.

O que separa uma estratégia que dura de uma que se desfaz em meses

Três sinais costumam aparecer quando o trabalho está sendo feito do jeito certo. O primeiro é a curva: o crescimento aparece em três a seis meses, não em três semanas.

O segundo é a estabilidade: posições conquistadas se mantêm mesmo depois de o trabalho ativo parar por algumas semanas. O terceiro é a diversificação: o tráfego orgânico chega de palavras-chave diferentes, não só das três que a empresa pediu para focar.

Quando algum desses sinais não aparece, vale revisar a estratégia. Pode ser problema de conteúdo, pode ser problema de site, pode ser problema do tipo de link contratado. O exercício de revisão é mais barato do que o exercício de recuperação depois que o Google penaliza o domínio.

Goiás está construindo um capítulo novo da economia digital brasileira. A logística respondeu. O empreendedorismo respondeu. O e-commerce respondeu.

Falta a etapa em que a empresa goiana deixa de ser invisível para quem busca o que ela vende. Essa etapa não se resolve sozinha, e o relógio está correndo no ritmo da concorrência de fora.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia