Especialistas desmontam cinco mitos que cercam transplante capilar
Redação Online
Publicado em 31 de maio de 2026 às 10:19 | Atualizado há 2 meses
Cirurgiões Domingos Coelho e Jefferson Freitas têm nos currículos aproximadamente 4 mil transplantes capilares | Foto: Reprodução
Como qualquer cirurgia, o transplante capilar é envolvido por mitos que ainda impedem pacientes de procurarem por especialistas em busca desse procedimento. O Diário da Manhã consultou dois deles, os cirurgiões capilares Jefferson Freitas e Domingos Coelho, para responderem a dúvidas que vão desde afastamento prolongado do trabalho a resultados artificiais e dor intensa durante ou depois de feita a operação.
Com explicações quanto aos avanços técnicos no transplante capilar, eles desmitificam 5 deles e abordam temas a exemplo do pós-operatório até as causas da calvície e as técnicas mais modernas, como a FUE (Follicular Unit Extraction ou Extração de Unidades Foliculares), conhecida popularmente como fio a fio.
1 – Paciente precisa tirar férias para fazer transplante capilar
A resposta é: não. Ao contrário do que muita gente pensa, o procedimento não exige semanas de afastamento. O retorno à rotina leve já pode ser no dia seguinte, sem necessidade de pausas, se tomados cuidados simples no pós-operatório. Em poucos dias, o visual do paciente já começa a melhorar, sem lhe complicar sua agenda.
Conforme explica o cirurgião capilar Jefferson Freitas, o repouso não exige semanas. Depois da cirurgia, o paciente já pode retomar uma rotina leve no dia seguinte, trabalhando de casa, cumprindo seus compromissos. Os únicos cuidados são simples: nada de sol intenso direto e academia nos primeiros dias, nem banho de piscina por algumas semanas. Simples, tranquilo e sem complicação”, diz.
2 – Visual fica artificial
Isso ficou no passado. Hoje, com a técnica FUE (extração e implantação fio a fio), cada fio é implantado de forma individual, respeitando o desenho natural da linha capilar. Se feito com precisão milimétrica, ficará sem cicatriz visível, com resultado natural e recuperação mais confortável.
“O natural não é sorte. É técnica”, afirma o dermatologista e cirurgião capilar, Domingos Coelho. Segundo ele, quem ainda acredita que o transplante capilar fica artificial, ou que o cabelo vai cair de novo, está no passado. “Hoje, com a técnica FUE, que é minimamente invasiva, os fios são implantados um a um, respeitando o desenho natural da linha capilar. A FUE permite precisão milimétrica, sem cortes lineares, sem cicatrizes visíveis, com recuperação muito mais confortável.”
3 – Resultado depende de número de fios implantados
Não existe número universal de fios que defina um bom resultado. A densidade adequada depende da espessura dos fios, contraste entre couro cabeludo e cabelo, extensão da área calva e capacidade da área doadora. A avaliação individual é o que garante segurança e previsibilidade.
“Transplante capilar não é uma cirurgia de uma pessoa só. Portanto, ela exige uma equipe treinada e altamente qualificada, para um resultado harmônico. Todos os passos são importantes, desde as separações fritos, a contagem e até a parte final que é a implantação das unidades foliculares. Enfim, é priorizar naturalidade e harmonia, respeitando limites técnicos e biológicos”, diz Domingos.
4 – “É feito com anestesia geral” ou “o paciente vê toda a cirurgia”
Nem um, nem outro. Em toda a cirurgia, cada etapa preza pelo bem-estar do paciente. Antes de começar, é oferecida uma medicação por via oral, que vai relaxar e deixar o paciente mais tranquilo. Depois, é feita a sedação leve e aplicada a anestesia local.
“Fazemos os bloqueios dos nervos occipital maior e menor, ligados a toda a região da parte de trás do couro cabeludo. Isso impede a dor, e o paciente consegue dormir e acordar com facilidade, se necessário”, diz Jefferson.
5 – Causa é genética
Não é só genética. Embora a alopecia androgenética seja a mais comum de queda capilar, ela não é a única. Alterações hormonais, deficiências nutricionais, estresse, doenças autoimunes, inflamações do couro cabeludo e uso inadequado de medicamentos também podem desencadear a queda.
“Cada causa exige uma investigação específica e um tratamento direcionado.
Por isso, a avaliação dermatológica é fundamental para evitar diagnósticos incorretos e tratamentos ineficazes”, explica Jefferson.