ONU cobra revisão da política migratória dos EUA antes da Copa de 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 10 de junho de 2026 às 14:51 | Atualizado há 2 horas
Donald Trump e Gianni Infantino durante encontro relacionado à organização da Copa do Mundo de 2026 | Foto: Divulgação/Fifa
As medidas migratórias adotadas pelos Estados Unidos às vésperas da Copa do Mundo de 2026 foram alvo de críticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta quarta-feira (10), Volker Türk afirmou que o país deveria reavaliar procedimentos relacionados à imigração durante a realização do torneio, que começa nesta quinta-feira (11).
Leia também
Em meio à tensão por protestos, presidente do México mantém abertura da Copa de 2026
A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva em Genebra, na Suíça. Segundo Türk, a forma como as normas migratórias vêm sendo aplicadas levanta preocupações sobre o respeito aos direitos humanos e à dignidade das pessoas que precisam ingressar no país para participar da competição.
“Espero que haja uma reflexão profunda sobre como a aplicação das leis de imigração está impactando os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente para a Copa do Mundo, haja uma revisão das políticas que infelizmente temos visto prevalecer, principalmente nos EUA”, afirmou.
Casos geram repercussão antes do início do Mundial
A poucos dias da abertura da Copa, episódios envolvendo autoridades migratórias e procedimentos de segurança têm chamado a atenção de delegações e organismos internacionais.
Um dos casos mais comentados envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Mesmo portando visto diplomático, ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos e precisou retornar ao seu país de origem. De acordo com relatos, o profissional permaneceu mais de 11 horas sendo interrogado por agentes de imigração antes da decisão.
As inspeções realizadas com equipes participantes também provocaram questionamentos. Integrantes da delegação do Uzbequistão passaram por revistas consideradas rigorosas durante a chegada ao país, incluindo verificações com detectores de metal e cães farejadores.
A situação mais delicada, no entanto, envolve o Irã. Em meio ao conflito que mantém com os Estados Unidos desde fevereiro, a participação iraniana na competição chegou a ser colocada em dúvida. Apesar das tensões, a federação confirmou presença no Mundial.
Mesmo assim, parte da delegação iraniana enfrentou dificuldades para obter autorização de entrada em território norte-americano. Diante do cenário, a seleção decidiu estabelecer sua base de preparação no México, embora seus três compromissos da fase de grupos estejam programados para acontecer nos Estados Unidos.