EUA alertam influenciadores sobre trabalho com visto de turista na Copa de 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 11 de junho de 2026 às 16:57 | Atualizado há 3 horas
Produção de conteúdo com fins comerciais pode resultar em sanções para estrangeiros que entrarem nos EUA como turistas | Foto: Reprodução
Influenciadores digitais estrangeiros que planejam trabalhar nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026 receberam um alerta das autoridades norte-americanas sobre as regras de imigração. O governo do país reforçou que a produção de conteúdo com finalidade comercial não é permitida para quem ingressa em território americano utilizando visto de turismo.
O posicionamento foi divulgado nesta quinta-feira (11) em comunicado conjunto da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) e do Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo as autoridades, atividades que envolvam geração de renda, contratos publicitários ou qualquer forma de remuneração durante a permanência no país são consideradas trabalho e exigem autorização migratória compatível.
De acordo com o governo norte-americano, a restrição vale especialmente para criadores de conteúdo que recebam pagamentos de empresas ou organizações sediadas nos Estados Unidos enquanto estiverem no país. Nesses casos, o exercício da atividade pode ser interpretado como descumprimento das condições estabelecidas pelo visto de turista.
As autoridades, no entanto, não detalharam quais mecanismos serão utilizados para identificar possíveis irregularidades nem informaram se já houve casos recentes de punições envolvendo influenciadores estrangeiros.
Regras migratórias devem ganhar fiscalização reforçada
Pelas normas de imigração dos Estados Unidos, o visto B-2 é destinado a viagens de lazer, turismo, visitas familiares e tratamentos médicos. A categoria não autoriza a realização de atividades profissionais ou a obtenção de renda relacionada a trabalhos executados em território americano. O descumprimento das regras pode resultar em cancelamento do visto, deportação e restrições para futuras entradas no país.
Para profissionais que desenvolvem atividades remuneradas, uma das alternativas previstas na legislação é o visto O-1. A modalidade é destinada a pessoas com reconhecimento profissional ou habilidades consideradas extraordinárias em áreas como artes, esportes, negócios e ciência, podendo permitir contratos comerciais, campanhas publicitárias e produção de conteúdo patrocinado.
A orientação ocorre em meio aos preparativos para a Copa do Mundo de 2026, torneio que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México e deve atrair milhares de jornalistas, influenciadores e criadores de conteúdo de diversas partes do mundo.
Em entrevista ao jornal espanhol El País, uma fonte ligada ao governo norte-americano afirmou que a administração do presidente Donald Trump pretende intensificar a fiscalização em aeroportos e postos de imigração para identificar estrangeiros que utilizem vistos de turismo para desempenhar atividades profissionais. Segundo a autoridade, a medida faz parte da política de proteção ao mercado de trabalho local.
Ainda de acordo com a fonte, muitos criadores de conteúdo acabam expondo detalhes de suas atividades profissionais nas próprias redes sociais, o que pode facilitar a identificação de situações consideradas irregulares pelas autoridades migratórias.
O endurecimento das regras ocorre em um contexto de maior rigor na política de imigração dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, decisões envolvendo estrangeiros que pretendem trabalhar ou acompanhar eventos ligados à Copa do Mundo ganharam repercussão internacional e levantaram debates sobre os impactos das medidas para profissionais da comunicação, torcedores e produtores de conteúdo que planejam viajar ao país durante o torneio.