Neymar vira “estampa de picanha” vendida por frigorífico de Goiânia
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 12 de junho de 2026 às 16:39 | Atualizado há 2 horas
Campanha intitulada “Picanha Hexa” utiliza a imagem de Neymar em peça promocional divulgada nas redes sociais | Foto: Reprodução/Frigorífico Goiás
Um frigorífico de Goiânia voltou a chamar atenção nas redes sociais ao lançar uma ação promocional que utiliza a imagem do jogador Neymar em peças de picanha. A iniciativa foi divulgada em vídeo publicado nos perfis da empresa e já ultrapassou 800 mil visualizações.
Na peça publicitária, o atacante aparece em posição de sentido diante da bandeira do Brasil, acompanhado da expressão “Picanha Hexa”, em referência à busca da Seleção Brasileira pelo sexto título mundial na Copa do Mundo de 2026.

Conhecido por campanhas que misturam futebol, política e marketing, o estabelecimento já havia comercializado cortes de carne associados a personalidades como Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei.
Além da nova peça temática, o frigorífico anunciou uma promoção especial para o período da Copa. De acordo com a publicação, clientes que adquirirem três picanhas estampadas com a imagem de Neymar receberão gratuitamente outras três peças, associadas a Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei.
Nas redes sociais, a empresa afirma atuar há mais de duas décadas no mercado de carnes e informa possuir quatro unidades em Goiânia.
Ao divulgar a promoção, o frigorífico também acrescentou uma mensagem direcionada a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o texto publicado, a oferta não seria válida para os “apoiadores do ladrão”. A campanha, de acordo com o estabelecimento, permanecerá em vigor até o encerramento da Copa do Mundo.

Histórico de polêmicas
Esta não é a primeira vez que o frigorífico se envolve em controvérsias relacionadas a posicionamentos políticos. Em setembro do ano passado, a empresa passou a exibir a frase “Petista aqui não é bem-vindo” em materiais promocionais divulgados ao público.
A repercussão da mensagem levou o Ministério Público de Goiás a adotar medidas para que o conteúdo fosse retirado do estabelecimento.
O cartaz que originou a polêmica promovia uma oferta de filé mignon. A peça publicitária apresentava a marca da empresa, uma imagem ilustrativa do produto e os preços promocionais. Na parte inferior, aparecia a frase direcionada a apoiadores do Partido dos Trabalhadores.
Ministério Público apontou conteúdo discriminatório
A atuação do Ministério Público de Goiás não se limitou ao cartaz exibido no estabelecimento. O órgão também incluiu no procedimento outras publicações divulgadas nas redes sociais da empresa e classificadas como discriminatórias.
Entre elas estava uma postagem publicada em 7 de setembro com a mensagem “Não atendemos petistas”.
Em decorrência do caso, o frigorífico foi condenado ao pagamento de R$ 130 mil por discriminação. A decisão teve como base as manifestações consideradas excludentes e direcionadas a um grupo específico de consumidores.