Cotidiano

Fisioterapia pélvica ajuda mulheres e homens

Redação Online

Publicado em 12 de junho de 2026 às 16:42 | Atualizado há 2 horas

Sofrimento silencioso afeta saúde sexual, relacionamento, autoestima e qualidade de vida, e ainda é pouco discutido por vergonha ou desconhecimento dos benefícios da fisioterapia pélvica

Com a chegada do Dia dos Namorados, muitos casais costumam falar e fazer planos românticos para reforçar a conexão e a intimidade. Mas existe uma realidade pouco discutida fora dos consultórios: milhões de mulheres e homens convivem com dores, desconfortos e dificuldades sexuais que impactam diretamente seus relacionamentos.

Estudos com a população brasileira apontam que mais de 30% das mulheres apresentam algum tipo de disfunção sexual ao longo da vida, incluindo dor durante a relação, dificuldade para atingir o orgasmo, redução da lubrificação e diminuição da satisfação sexual. Nos homens, problemas como disfunção erétil e ejaculação precoce estão entre as queixas mais frequentes relacionadas à sexualidade e podem ter diferentes causas físicas e emocionais.

“O que muitas pessoas desconhecem é que parte desses problemas pode estar relacionada ao funcionamento do assoalho pélvico, o conjunto de músculos responsável pelo suporte dos órgãos pélvicos e por participar das funções urinárias, intestinais e sexuais. É comum receber pacientes que acreditavam que sentir dor durante a relação era esperado ou que perdas urinárias faziam parte do envelhecimento. Em alguns casos, especialmente entre as mulheres, a busca por ajuda acontece depois de muitos anos de sofrimento e já com impactos importantes na vida afetiva e conjugal”, afirma fisioterapeuta pélvica Thais Cristine.

O assoalho pélvico é formado por músculos localizados na pelve e participa diretamente dos mecanismos de continência urinária e fecal, da sustentação dos órgãos pélvicos e da resposta sexual. Quando esses músculos apresentam excesso de tensão, fraqueza ou falta de coordenação, podem surgir sintomas como dor, dificuldade de penetração, diminuição da sensibilidade, alterações na ereção ou dificuldade para atingir o orgasmo.

Queixas mais comuns entre as mulheres (no consultório de fisioterapia pélvica):
• dor durante ou após a relação sexual;
• vaginismo (dificuldade ou impossibilidade de penetração);
• dificuldade para atingir o orgasmo;
• sensação de frouxidão vaginal;
• flatos vaginais;
• perdas urinárias durante a relação sexual.

Queixas mais apresentadas pelos homens:
• disfunção erétil;
• perdas urinárias após cirurgias urológicas (como a retirada da próstata);
• ejaculação precoce;
• dores pélvicas que interferem na atividade sexual.

Quando a intimidade vira motivo de preocupação

“Além das próprias disfunções sexuais, problemas urinários e intestinais também podem gerar constrangimento e afastamento da intimidade. Muitas pessoas evitam o contato íntimo por medo de perder urina, gases ou fezes durante a relação. Isso gera insegurança, reduz a autoestima e afeta a dinâmica do casal”, explica a especialista.

A boa notícia é que é possível ter significativa melhora em diversos casos, já que estudos comprovam que a reabilitação do assoalho pélvico promove melhora significativa em aspectos como excitação, orgasmo, satisfação sexual, dor durante a relação e função sexual global. Vasta literatura científica apresenta os benefícios consistentes da fisioterapia pélvica para mulheres e homens com disfunções sexuais e/ou outras disfunções relacionadas ao assoalho pélvico.

Nem sempre fortalecer é a solução

Um dos principais mitos sobre saúde íntima é acreditar que todos os problemas do assoalho pélvico podem ser resolvidos apenas com exercícios de fortalecimento. Na prática, cada caso exige uma avaliação individualizada. Para exemplificar, alguns pacientes precisam fortalecer a musculatura, mas outros apresentam músculos excessivamente tensos e precisam aprender a relaxá-los. Alguns pacientes precisam aprender a contrair esses músculos corretamente, enquanto outros precisam aprender a coordená-los.

“Diretrizes internacionais de saúde recomendam o treinamento dos músculos do assoalho pélvico como uma das principais abordagens conservadoras para diversas disfunções pélvicas e urinárias. Contudo, em muitos casos, o tratamento tem melhores resultados quando realizado de forma multiprofissional, podendo envolver fisioterapeuta especializado em saúde pélvica, psicólogo, urologista, ginecologista, proctologista, dentre outros profissionais da saúde”, ressalta Thais.

Seja qual for a queixa, a profissional afirma que o maior erro é esperar demais. “Em uma data que celebra o amor e a conexão entre casais, a saúde e a satisfação sexual precisam deixar de ser tabu. Cuidar da saúde sexual é uma forma de cuidar do relacionamento com informação, acolhimento e tratamento adequado para transformar a vida das pessoas. Dor na relação sexual não é normal. Perder urina não é normal. Ter dificuldades persistentes na vida sexual também não deve ser encarado como algo aceitável. Quanto mais cedo a pessoa procura tratamento especializado, mais cedo melhora sua qualidade de vida e bem-estar”, finaliza a fisioterapeuta.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia