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Treze músicas para ouvir e torcer nos jogos do Brasil na Copa. Veja playlist

Redação Online

Publicado em 12 de junho de 2026 às 21:24 | Atualizado há 12 minutos

Vini Jr., craque da Seleção: atacante é esperança do hexa - Foto: Rafael Ribeiro/ CBF
Vini Jr., craque da Seleção: atacante é esperança do hexa - Foto: Rafael Ribeiro/ CBF

Marcus Vinícius Beck

Olha você aí, parado nesta crônica, em pleno sábado. É dia de estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o amigo já sabe disso. Despertou ansioso, a fim de biritar, mesmo sem cair nessa ladainha de que a pátria calça as chuteiras imortais. Deixa isso pro Nelson Rodrigues.

Ano de Copa é sempre chato pra quem gosta de futebol, mas não sejamos tão ranzinzas. Essa máxima foi lançada pelo escritor e jornalista Xico Sá numa epístola à ressaca publicada no distante ano de 2010. De toda forma, só há um tema possível: o nosso duvidoso escrete.

Ouça-me, meu rapaz, ainda é cedo. Sobre o time brasuca, é torcer para que Carlo Ancelotti leve à cancha um elenco mais ou menos resolvido em matéria de lateral. A meiuca, bem, a meiuca é aquela coisa. Nada de surpresas que possam dar algum tipo de brilho ao futiba.

Até podia ter, viu. Para um torcedor, são tempos sonhados e vividos. É a chance do hexa, já pensou se o italiano nos traz a sexta estrela? Irão canonizá-lo, certeza. E dá-lhe aplausos, tapinha nas costas, textos na imprensa, todo mundo satisfeito e alegre pelo título mundial.

Você aí, preste atenção aqui: o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho. Grande Cartola, o letrista popular que ensinou literatura a muito figurão. Diz no som: mal começaste a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida sem saber o rumo que irás tomar.

Na tabelinha musical, a diva Fernanda Abreu entoa a lírica da brasilidade na faixa “Sou Brasileiro”. Gosta de samba, futebol, cinema e boate, sempre se dá bem, tá bem aí, curtindo o som. Já Mart’nália, no dueto, solta o ziriguidum, o telecoteco, o balacobaco, o borogodó.

Cafu levanta a taça após Seleção Brasileira vencer a Alemanha por 2 a 0, em 2002 – Foto: CBF

Borogodó

Que borogodó, esse samba. E mais: os brasucas, lá no estrangeiro, mostram ao mundo a malandragem do nosso futiba. Sambando com a bola no pé, ganhamos cinco taças, como me sopra o soulman Ivo Meirelles em sua versão funkeada para “A Taça do Mundo é Nossa”.

Até aumento o volume: “A taça do mundo é nossa/ Como brasileiro, não há quem possa.” Entre guitarras e batuques, Meirelles solta: “É bom no samba, é bom no couro.” Ótima pra entrar no clima, esquentar a alma. Mas lembre-se: o lance é a botecagem, é a festa, é a rua.

Cerveja na mão, volto. Eis a história: esse sambão nasceu para relembrar a euforia coletiva após o primeiro título mundial da Seleção Brasileira, em 58. Aquele em cuja final o Pelé, aos 17 anos, chapelou o zagueiro sueco. Golaço. Foi quando os compositores Wagner Maugéri, Maugéri Sobrinho, Victor Dagô e Lauro Muller desenharam a brasileiríssima canção.

Evoquemos, pois, o Rei. Agora Jorge Ben no toca-discos. Craque da música, do suingue, do ritmo. Sua guitarra, essa África Brasil, expõe a realeza do gênio mineiro. “O Nome do Rei é Pelé”. Arte e magia. Com a bola nos pés, ele fez um país complexado ser respeitado lá fora.

Com dribles e gols, futebol embala música popular

Pelé, o Rei: eternizado por cancioneiros da música popular brasileira – Foto: Conmebol

Veio, viu, venceu. Recita o mestre do samba esquema novo: jogou 1.375 partidas, fazendo a rede balançar sempre. Por 10 anos seguidos, canta Ben Jor, foi o artilheiro do campeonato paulista. Pelé participou de 50 torneios no Brasil e no exterior, marcando 1.281 gols lindos.

Copo reabastecido, alegria total, ressoa na vitrola um violão sincopado. João Gilberto? Não, é o “maldito” Sérgio Ricardo cantando a epopeia ludopédica de “Beto Bom de Bola”. E tira de letra a pelada. E foi pra Copa, esse anjo torto. E avança feito furacão, zero a zero ainda. A marcação se rompe, dribla dois, entra na zona do agrião e, como Mané, manda tudo pro filé.

“Gooool e foi beijar o véu da noiva. O Brasil campeão”, acentua (ouça abaixo). Depois disso, foi-se a Copa, foi-se a glória. “E a nação se esqueceu do maior craque da história. Quando bate a nostalgia, bate noite escura. Mãos no bolso e cabeça baixa, sem procura. Beto vai chutando pedra.”

Escuto, escuto de novo essa música. Não me iludo. Só Chico Buarque pra me devolver a alegria. Parábola do homem comum a roçar o céu. “Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi”, anaforiza, em “Futebol”, obra-prima do nosso cancioneiro em termos poéticos.

Suingue e cintura

De Chico a Gilberto Gil (“Meio de Campo” é obrigatória), o novo baiano Moraes Moreira sublinha que a bola é a alegria do povo. O craque brasileiro, ele entoa, tem “Sangue, Suingue e Cintura”, como, aliás, se chama a canção que por agora ouço. Para o artista, o nosso futiba mistura fé, futebol e arte. Teve o calcanhar de Sócrates. Teve Telê, o nosso fio de esperança.

Em meio a “Geraldinos e Arquibaldos”, o craque Gonzaguinha. Dá o toque: “É bom jogar com muita calma, procurando pela brecha pra poder ganhar.” Claro, velho. Contaram-se, entre 70 e 94, longas duas décadas e quatro anos sem nova estrela no peito. Vê se pode, isso. Enfim, veio o tetra. Fred Zero Quatro estava “Destruindo a Camada de Ozônio”, em 96.

“Eu queria ser Romário”, confessou o Zero Quatro. O artista ainda troca passes com Marcelo D2 em “Sou Ronaldo”, homenagem ao fenômeno da camisa 9. “Igual a todo brasileiro, eu sou guerreiro. Às vezes caio, mas eu me levanto”, canta D2, na tabelinha rap-mangue.

Entre o choro de Pixinguinha (“Um a Zero”) e o pop do Skank (“Uma Partida de Futebol”), a música nos lembra que “Aqui é o País do Futebol”, para citar Wilson Simonal. Aproprio-me, pois, daquela epístola à ressaca de Xico Sá: glórias nas suas aldeias e aldeotas. Tim-tim.


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