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Delegada vê negligência em operação de salto que terminou em tragédia em SP

Léo Carvalho

Publicado em 15 de junho de 2026 às 14:11 | Atualizado há 2 horas

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada de uma ponte de 40 metros sem estar conectada aos equipamentos de segurança | Foto: Reprodução
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada de uma ponte de 40 metros sem estar conectada aos equipamentos de segurança | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo investiga as circunstâncias da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser lançada de uma ponte de aproximadamente 40 metros durante uma atividade de rope jump em Limeira, no interior paulista. Segundo a delegada Andrea Dantas Levy, responsável pelo caso, o acidente evidencia “amadorismo e falta de experiência” por parte da equipe responsável pela operação.

A tragédia ocorreu na manhã de sábado (13), na chamada Ponte do Esqueleto. Conforme as investigações, a jovem deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas foi afixada ao seu corpo antes do salto. Imagens registradas no local mostram Maria Eduarda sendo erguida por integrantes da equipe e lançada da estrutura sem qualquer conexão aos equipamentos de proteção.

A vítima sofreu múltiplos traumas ao atingir o solo. Apesar da gravidade dos ferimentos, ela ainda apresentava sinais vitais quando recebeu os primeiros atendimentos de uma enfermeira que presenciou o acidente. A jovem, no entanto, não resistiu.

De acordo com a delegada, os organizadores não possuíam empresa formalmente constituída e atuavam de maneira informal. Embora realizassem a atividade havia cerca de cinco anos, a investigação aponta que não havia preparo adequado para a condução de uma prática considerada de alto risco.

“A corda era o principal adereço. Como que acontece isso?”, questionou Andrea durante entrevista.

A polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estava presa ao pulso de Maria Eduarda no momento do salto. O equipamento seria utilizado para registrar a experiência, mas não foi localizado após o acidente. Para a delegada, existem indícios de que o aparelho possa ter sido descartado posteriormente.

As investigações apontam ainda que o registro em vídeo não fazia parte do pacote básico comercializado pelos organizadores, cujo valor era de cerca de R$ 180. O serviço de filmagem era oferecido mediante pagamento adicional.

Segundo a polícia, pelo menos dez saltos haviam sido realizados antes do acidente. Maria Eduarda seria a primeira participante da modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que a pessoa é segurada por um grupo antes de ser lançada da ponte.

Após a ocorrência, seis pessoas foram conduzidas à delegacia. Três delas tiveram a prisão convertida em preventiva e responderão por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

Permanecem presos Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42. A acusação sustenta que eles participaram diretamente da atividade sem garantir que a vítima estivesse conectada às cordas de segurança.

Os demais envolvidos foram ouvidos e liberados, mas continuam sendo investigados. Entre eles está uma mulher que afirmou ser responsável pela divulgação dos saltos nas redes sociais. Em depoimento, ela informou ter apagado a conta utilizada para promover a atividade após o acidente, alegando receio de represálias.

A Polícia Civil busca novas testemunhas e já obteve registros financeiros da máquina de cartão utilizada pelos organizadores para identificar possíveis clientes e ampliar a coleta de depoimentos.

O local do acidente já foi palco de outras ocorrências. A Ponte do Esqueleto pertence à antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e registra histórico de acidentes. Em 2025, duas pessoas ficaram feridas durante saltos semelhantes após se chocarem contra o solo. A estrutura também chegou a ser interditada em 2024 após a morte de uma ciclista, mas a medida não foi mantida.


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