Calor intenso vira desafio para atletas e preocupa especialistas na Copa de 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de junho de 2026 às 15:07 | Atualizado há 2 horas
Jogadores enfrentam altas temperaturas em parte das cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 | Foto: Rafael Ribeiro/CBF
A Copa do Mundo de 2026 tem apresentado um desafio que vai além da disputa dentro das quatro linhas. Além da busca pelo título, jogadores e comissões técnicas convivem com as altas temperaturas registradas em diversas cidades-sede do torneio, cenário que tem despertado preocupação entre especialistas e entidades ligadas ao futebol.
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Disputada em 16 cidades distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá, a competição reúne diferentes condições climáticas. Enquanto algumas sedes registram temperaturas mais amenas, outras enfrentam calor intenso e elevada umidade, fatores que podem afetar o desempenho físico dos atletas e aumentar os riscos à saúde.
Diante desse cenário, a Fifa adotou uma medida inédita na história dos Mundiais. Todas as 104 partidas contam com duas pausas obrigatórias para hidratação, realizadas aos 22 minutos do primeiro e do segundo tempo.
Cada interrupção dura três minutos e ocorre independentemente da temperatura registrada no estádio. O tempo parado é acrescentado aos acréscimos de cada etapa.
Segundo a entidade, a medida busca reduzir os impactos do calor sobre os jogadores e garantir melhores condições físicas durante as partidas. As paradas também permitem orientações das comissões técnicas e ajustes táticos ao longo dos jogos.
Cidades mais quentes concentram preocupação dos especialistas
Pesquisadores apontam que a realização da Copa durante o verão do Hemisfério Norte contribui para o aumento das preocupações relacionadas ao calor. Algumas sedes, como Miami, Houston, Dallas, Atlanta, Kansas City e Monterrey, costumam registrar temperaturas elevadas e altos índices de umidade nesta época do ano.
Nessas condições, o organismo encontra maior dificuldade para dissipar o calor corporal. A umidade elevada reduz a eficiência da evaporação do suor, mecanismo responsável pelo resfriamento natural do corpo humano durante a prática de exercícios físicos.
Além das características climáticas das sedes, especialistas também relacionam os riscos ao avanço das mudanças climáticas. Dados da rede científica World Weather Attribution (WWA) apontam que a temperatura média global aumentou aproximadamente 0,7°C desde 1994, quando os Estados Unidos sediaram a Copa do Mundo pela última vez.
Estudo liderado pelo climatologista Donal Mullan, da Queen’s University Belfast, em parceria com a Brunel University de Londres, analisou dados meteorológicos das últimas duas décadas e concluiu que 14 das 16 cidades-sede podem ultrapassar os 28°C no índice WBGT durante as tardes de verão.
O indicador é utilizado internacionalmente para medir o estresse térmico no organismo humano e avaliar os riscos relacionados à exposição ao calor durante atividades físicas.
Estudos apontam risco climático em grande parte dos jogos
Levantamento da organização Climate Central indica que 97 das 104 partidas da Copa apresentam risco de serem disputadas em condições climáticas capazes de comprometer o rendimento dos jogadores.
Segundo os pesquisadores, 49 jogos possuem probabilidade superior a 50% de ocorrer sob calor considerado prejudicial ao desempenho esportivo. Em outras 26 partidas, as mudanças climáticas elevaram em mais de dez pontos percentuais a chance de temperaturas extremas.
Outro estudo, elaborado pela World Weather Attribution, aponta que 26 confrontos do torneio podem registrar índices de WBGT iguais ou superiores a 26°C. A partir desse patamar, a Federação Internacional de Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPRO) recomenda pausas obrigatórias para resfriamento e hidratação dos atletas.
Com partidas já sendo disputadas em diferentes regiões da América do Norte, o calor se tornou um dos principais temas fora dos gramados e passou a integrar a lista de preocupações das seleções durante a Copa do Mundo de 2026.