Terremotos na Venezuela deixam mortos, feridos e são sentidos no Norte do Brasil
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 25 de junho de 2026 às 16:04 | Atualizado há 1 hora
Resgatistas atuam no salvamento de uma vítima após os abalos sísmicos que devastaram regiões venezuelanas | Foto: Juan BARRETO / AFP
Uma sequência de fortes terremotos atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira (24) e provocou destruição em diferentes regiões do país. Os abalos sísmicos deixaram mortos e feridos, causaram o desabamento de prédios e foram sentidos inclusive em cidades do Norte do Brasil.
Leia também
Veja momento em que terremoto atinge aeroporto de Caracas na Venezuela; assista ao vídeo
Segundo informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas, os tremores ocorreram em um intervalo inferior a um minuto e desencadearam dezenas de réplicas nas horas seguintes. Os abalos tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5, sendo considerados os mais intensos registrados no país em mais de um século.
O epicentro do terremoto de maior magnitude foi identificado nas proximidades de El Guayabo, localizada a cerca de 168 quilômetros de Caracas. O tremor ocorreu a aproximadamente 13 quilômetros de profundidade, característica que o classifica como um terremoto raso, geralmente associado a maiores níveis de destruição na superfície.
Diante da gravidade da situação, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência em todo o território afetado. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, ela informou que equipes de resgate, segurança e defesa civil foram mobilizadas para atender as áreas atingidas.
O governo venezuelano também determinou a suspensão das aulas e de serviços considerados não essenciais, com o objetivo de concentrar esforços nas operações de busca e socorro. Em algumas regiões, os sistemas de gás e energia elétrica foram desligados preventivamente para evitar novos acidentes.
Mortos, feridos e cidades destruídas
De acordo com o balanço oficial divulgado pelas autoridades, mais de 150 pessoas morreram e aproximadamente mil ficaram feridas em decorrência dos terremotos. A presidente interina prestou solidariedade às famílias das vítimas e anunciou medidas emergenciais para a reconstrução das áreas afetadas.
Entre as ações anunciadas está a criação de um fundo de US$ 200 milhões, financiado com recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), destinado à recuperação de hospitais, moradias e obras de infraestrutura.
Em Caracas e em outras cidades, moradores relataram o desabamento de imóveis residenciais e edifícios comerciais. Equipes de resgate trabalham em meio aos escombros em busca de sobreviventes, enquanto familiares aguardam informações sobre possíveis desaparecidos.

No litoral venezuelano, um hotel de pelo menos oito andares desabou completamente. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a estrutura reduzida a destroços.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, também foi afetado. Parte da estrutura do teto cedeu, levando à suspensão temporária das operações no local.
Hospitais da capital venezuelana reforçaram as equipes de atendimento e convocaram profissionais extras para lidar com o grande número de feridos.
Tremores foram sentidos no Norte do Brasil
Os efeitos dos terremotos ultrapassaram as fronteiras venezuelanas e chegaram ao território brasileiro. A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) informou que os abalos foram registrados por estações de monitoramento instaladas no país.
Moradores de cidades da Região Norte relataram ter sentido os tremores. Houve registros em capitais como Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, além de municípios próximos.
Segundo o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), terremotos dessa magnitude podem ser percebidos a grandes distâncias.
De acordo com o especialista, apesar do susto causado aos moradores, não há risco de danos estruturais em cidades brasileiras devido à distância entre o epicentro e o território nacional.
Enquanto as equipes seguem trabalhando nas áreas atingidas, as autoridades venezuelanas monitoram a ocorrência de novas réplicas e mantêm os alertas para possíveis riscos adicionais nas regiões afetadas.