Jovens brasileiros enfrentam desemprego alto e pouca estabilidade no mercado de trabalho
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 25 de junho de 2026 às 17:04 | Atualizado há 1 hora
Maioria dos jovens trabalhadores ocupa funções de baixa qualificação e recebe até um salário mínimo e meio | Foto: Reprodução
Os jovens brasileiros estão ingressando cada vez mais cedo no mercado de trabalho, mas ainda enfrentam obstáculos para construir uma trajetória profissional estável. Dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) mostram que boa parte desse público encontra dificuldades para conciliar emprego e estudos, permanece pouco tempo nas vagas e enfrenta altos índices de desemprego.
O Brasil possui atualmente 32,9 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos. Desse total, apenas 13,9% estão ocupados. Ao mesmo tempo, 6,2 milhões de jovens não estudam nem trabalham, grupo conhecido como “nem-nem”. O contingente representa 18,7% dessa faixa etária e cresceu 12,7% em comparação com o fim de 2025, quando somava 5,5 milhões de pessoas.
Apesar desse cenário, os dados mostram que a realidade da juventude brasileira é diversa. Cerca de 12,8 milhões de jovens dedicam-se exclusivamente aos estudos, enquanto outros 4,3 milhões conseguem conciliar a rotina escolar com uma atividade profissional. Juntos, esses grupos representam mais da metade da população jovem do país.
Segundo o levantamento, 39% apenas estudam, 29,1% trabalham exclusivamente e 13,2% conseguem dividir o tempo entre a educação e o emprego.
Outro indicador que chama atenção é o desemprego. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa chega a 13,8%, percentual superior ao dobro da média nacional, atualmente em 5,8%. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o índice é ainda mais elevado e alcança 25,1%.
Emprego formal cresce, mas permanência continua sendo desafio
Entre aqueles que conseguiram uma vaga, a maioria está inserida no mercado formal de trabalho. Os empregos com carteira assinada representam 57,8% das ocupações entre os jovens.
Mesmo com o avanço da formalização, o principal desafio deixou de ser apenas conquistar a primeira oportunidade profissional. Hoje, a dificuldade está em permanecer no emprego e construir uma carreira consistente.
O levantamento aponta que 84% dos jovens empregados exercem funções de menor qualificação, enquanto apenas 2,15 milhões ocupam cargos técnicos ou funções que exigem formação de nível superior.
A remuneração acompanha esse perfil. Aproximadamente 7,8 milhões recebem até um salário mínimo e meio, enquanto outros 2,7 milhões ganham até um salário mínimo.
As ocupações mais frequentes entre os jovens trabalhadores são balconista e vendedor (1,24 milhão), escriturário (1,07 milhão), auxiliar da construção civil (394 mil), recepcionista (391 mil) e operador de caixa (367 mil).
Rotatividade elevada dificulta crescimento profissional
A pesquisa também evidencia a alta rotatividade entre os trabalhadores mais jovens. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 52% permanecem menos de um ano na mesma função, o que demonstra a dificuldade de consolidar uma trajetória profissional nos primeiros anos de trabalho.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, fatores como baixos salários, ocupações de menor qualificação, contratos temporários e a busca por melhores oportunidades ajudam a explicar a frequência das mudanças de emprego.
A jornada de trabalho também faz parte desse cenário. Jovens de 18 a 24 anos trabalham, em média, 38,6 horas por semana, carga horária próxima à média nacional. Já entre adolescentes de 14 a 17 anos, a jornada semanal é de 27,3 horas e, em muitos casos, precisa ser conciliada com a rotina escolar.
Como consequência, muitos jovens conseguem ingressar no mercado de trabalho, mas deixam as vagas antes de adquirir experiência suficiente para avançar profissionalmente, conquistar melhores salários ou acessar oportunidades que exijam maior qualificação, perpetuando um ciclo de instabilidade no início da vida profissional.