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Marina Sena leva turnê ‘Coisas Naturais’ ao Oscar Niemeyer nesta sexta-feira (26)

Redação Online

Publicado em 25 de junho de 2026 às 20:48 | Atualizado há 2 horas

Cantora e compositora Marina Sena: sensação do pop brasileiro - Foto: Gabriela Schmidt / Divulgação
Cantora e compositora Marina Sena: sensação do pop brasileiro - Foto: Gabriela Schmidt / Divulgação

Marcus Vinícius Beck

Marina Sena entoa lembranças daquelas “Coisas Naturais”: “Quando eu tô na minha cama/ Altas horas do dia/ Eu me pego pensando/ Seu corpo, meu guia.” No compasso do desejo, a artista ainda diz: “Na hora que eu te beijar, cê vai entender/ Que o paraíso pode acontecer.”

Quando essa canção ressoar pelo Oscar Niemeyer, nesta sexta (26), por volta das 21h, a cantora terá extraído dos fãs alaridos felizes e urros excitantes. Como a artista canta, é o jeito e o frescor das boas coisas naturais, o movimento que deságua em rios de beijos apaixonados e loucos.

É desse jeito, um tanto latina e por vezes sensual, que a cantora mineira começa seu último disco. De cara, Marina se apresenta madura, seja em termos líricos ou melódicos. As canções dispensam as tais regrinhas do pop, pois quase todas se estendem além dos dois minutos.

Nada de fórmulas, como vemos. Tudo soa orgânico, vivo. A jovem artista, 29 anos, repensou a vida depois do disco “Vício Inerente”. Rolou sintetizador, beats. Não, isso não ficou legal. As letras eram confessionais, feitas de mentiras sinceras e cócegas no ouvido entre salivas.

Nessa caravela de línguas, delírios fluviais garantiam boas imagens poéticas. Só que havia uma sonoridade artificial: Marina se arriscava pelo funk, grime, drill e reggaeton. Os críticos, vendo-a cantar Gal Costa, desconfiavam de sua longevidade artística. Lógico que erraram.

Marina voltou ao princípio. Atrás de um novo rumo, juntou-se aos músicos da Outra Banda da Lua, com quem, aliás, se iniciara na música. Para a compositora, o ambiente cúmplice foi essencial à imersão necessária para as ideias. Todos interagindo ali. Não poderia ser ruim.

Olha ela: artista atinge maturidade artística com disco e turnê – Foto: Arquivo Pessoal/ Instagram

Criação

Em entrevistas, a cantora conta que os arranjos nasceram em uma sala. Para ela, tratava-se de um sonho: reunir uma banda, rumar para a roça, escrever, cantar, tocar e gravar. Criar. Pensar. E, assim, experimentar sons, tons, sempre tendo ótimos equipamentos ao alcance.

O disco “Coisas Naturais” se revela aos poucos. São treze faixas, afinal. Do início ao fim, a atmosfera resulta plural: às vezes é jazz-funk setentista, às vezes reggae, às vezes — fazer o quê? — reggaeton. Isso quando Marina não se embrenha pela bachata, ritmo dominicano.

No ano passado, o crítico norte-americano Jon Pareles, do jornal “The New York Times”, conceituou: “O balanço suave de ‘Numa Ilha’ mistura guitarras de baixa reverberação com a dedilhação staccato. Já os tambores de bongô da bachata trazem alegria a cada síncope.”

Fagner, em 1991, no disco “Pedras Que Cantam”, estabeleceu um intercâmbio cultural com a República Dominicana, em cujas periferias nascera a bachata. Inclusive, o cearense fez na canção “Borbulhas de Amor” uma versão para composição do caribenho Juan Luis Guerra.

Não há nada novo, portanto. Marina, no entanto, tem seu mérito — não se questiona isso. “Numa Ilha” invoca um romantismo sensual, ela e seu amor juntos, um a beijar o corpo do outro, o vento no cabelo, segundos que a memória haverá de lembrar até a eternidade.

Letras trazem narrativas de fragmentos sentimentais

Marina Sena: “Amo ser a pessoa que vai em busca dos refrescos” – Foto: Divulgação

Cabe a você, amigo, ouvir e tirar suas conclusões: “Descalça numa ilha, é tão mágico/ Você dizendo que me ama/ A Lua refletindo o mar, o seu cheiro/ A gente junto na minha canga.” Pois é, as letras se mostram belas narrativas, cenas e métricas de fragmentos sentimentais.

Além da faixa-título, que nomeia o show a ser apresentado na capital goiana, o disco traz outras duas composições interessantes: “Sem Lei” e “Combo da Sorte”. As faixas são exemplos de criação coletiva, opção responsável por humanizar o elogiado trabalho.

Marina solta a voz entre percussões, beats, guitarras, violões e sintetizadores. Traz frescor. No entanto, suas influências estão logo na capa do disco, editado em vinil pela Noize e já esgotado — Gal Costa e Marku Ribas emergem ali. Um disco brasileiríssimo, sem dúvida.

A começar por “Ouro de Tolo”. Apesar do título remeter ao clássico do maluco beleza Raul Seixas, a mineira cria uma bossa nova em sua faixa. Há uma evolução técnica, sobretudo em relação à voz, alongando-a quando julga necessário e valendo-se das trepidações do falsete.

Recepção

Foi viral, a recepção. Talvez, quem sabe, pelos motivos elencados. Seja como for, Marina é o que há. Alcançou, com “Coisas Naturais”, o sexto lugar no Top 10 do Spotify global. Na estreia da turnê homônima, em São Paulo, houve um frisson e os ingressos se esgotaram.

Os fãs queriam ver Marina Sena, sentir Marina Sena no palco, olhar Marina Sena como se olhassem para a mãe natureza. “Quem assistir ao espetáculo entrará de um jeito e sairá de outro”, alertou. A crítica Bruna Calazans, precisa, notou: “Está ficando cada vez melhor.”

Na “Billboard”, Calazans sugeriu: “Olhos vidrados na consagração de uma das vozes mais interessantes da nova geração de artistas brasileiras.” Fiquemos, pois, com a Marina: “Sou verdadeira devota desse clima quente e amo ser a pessoa que vai em busca dos refrescos.”


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