Transferido para a Papudinha, Vorcaro fica em cela maior com acesso à televisão
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 26 de junho de 2026 às 15:20 | Atualizado há 2 horas
Vorcaro permanecerá na Papudinha, unidade que dispõe de alojamentos coletivos reformados em 2020 | Foto: Reprodução
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a primeira noite na unidade prisional do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, após ser transferido por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Entre as condições oferecidas no local está o acesso à televisão aberta na cela onde o empresário está custodiado.
A transferência ocorreu na última quinta-feira (25), depois que a Polícia Federal sugeriu a mudança de Vorcaro da sala da Superintendência da corporação em Brasília, onde ele permanecia enquanto negociava um acordo de colaboração premiada. As tratativas, no entanto, não avançaram após a segunda proposta de delação ser rejeitada pela própria PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
As celas da Papudinha costumam ter estrutura diferenciada em relação ao sistema prisional convencional. Alguns espaços chegam a aproximadamente 65 metros quadrados e podem contar com sala, quarto, cozinha, banheiro, lavanderia e até uma área externa privativa.

Antes da transferência, Vorcaro chegou a solicitar a instalação de uma televisão na sala em que permanecia na sede da Polícia Federal. O pedido foi feito em duas ocasiões, mas acabou negado pelas autoridades.
Ministro proibiu contato entre investigados
Durante a definição sobre o destino do banqueiro, integrantes da Polícia Federal divergiram quanto ao local de custódia. Parte dos investigadores defendia o envio de Vorcaro ao Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto outro grupo considerava mais adequada a transferência para a Papudinha, opção que acabou sendo adotada.
A unidade já abriga Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), investigado na mesma apuração que envolve o dono do Banco Master. Assim como Vorcaro, Costa também tentou firmar um acordo de delação premiada, mas teve a proposta recusada pelas autoridades. Ele é apontado como um dos principais envolvidos na suposta fraude bilionária investigada na Operação Compliance Zero.
Ao autorizar a transferência, André Mendonça determinou que os dois investigados permaneçam totalmente incomunicáveis para evitar qualquer interferência no andamento das investigações. Na decisão, o ministro ressaltou que a administração do presídio deve adotar todas as medidas necessárias para impedir qualquer tipo de contato entre eles, preservando a integridade da apuração.
Paulo Henrique Costa foi preso durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, ele é acusado de receber R$ 146 milhões em propina para favorecer interesses do Banco Master em operações realizadas com o Banco de Brasília.