Quase 400 jornais processam OpenAI e Microsoft por uso de conteúdo para treinar IA sem autorização
Léo Carvalho
Publicado em 30 de junho de 2026 às 14:22 | Atualizado há 2 horas
Grupo de editoras dos Estados Unidos acusa OpenAI e Microsoft de usar reportagens sem autorização para treinar modelos de IA | Foto: Divulgação
Um grupo de editoras que representa quase 400 jornais apresentou uma ação contra a OpenAI e a Microsoft nos Estados Unidos, acusando as big techs de usarem conteúdo sem autorização para treinar modelos de inteligência artificial, informou a agência de notícias Bloomberg.
No processo, apresentado no dia 24 de junho em um tribunal de Nova York, as empresas de mídia afirmam que chatbots como ChatGPT e Microsoft Copilot geraram bilhões de dólares em valor de mercado para suas companhias usando o trabalho dos jornais, que não receberam nenhum pagamento por isso.
Segundo os jornais, OpenAI e Microsoft copiaram sem autorização e de forma sistemática conteúdos originais dos sites dos jornais para treinar seus modelos de IA.
“A menos que as empresas que desenvolvem produtos de IA sejam responsabilizadas pelo uso indevido do conteúdo das editoras, o boom da IA será o golpe de misericórdia para o jornalismo local.”
As companhias dizem na ação que, mesmo gastando bilhões de dólares para proteger direitos autorais dos jornais, não conseguiram impedir que o material fosse copiado. As editoras pedem indenização por danos estatutários e medida cautelar por violação de direitos autorais.
Em comunicado enviado à Bloomberg, o porta-voz da OpenAI, Drew Pusateri, afirmou que os modelos da empresa “impulsionam a inovação, são treinados com dados disponíveis publicamente e estão fundamentados no uso justo”. A Microsoft não respondeu imediatamente ao pedido da agência.
A ação se junta a uma lista de pelo menos 115 litígios de veículos jornalísticos, escritores e artistas contra companhias especializadas em IA, mapeados pela plataforma “ChatGPT is eating the world”.
As empresas de IA americanas negam as acusações nos centenas de processos em andamento. Elas argumentam na Justiça que a utilização de reportagens e livros para desenvolver chatbots é “uso justo”, quando não é preciso pagar; elas defendem que os robôs não reproduzem conteúdo das obras, e sim entregam algo transformado, como um humano faria. Também pleiteiam uma leitura dos direitos autorais mais abrangente, que não freie a inovação no setor.