Justiça condena quatro ligados ao PCC por comércio ilegal de armas na cracolândia
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 2 de julho de 2026 às 10:05 | Atualizado há 1 hora
Condenados integravam esquema de comércio ilegal de armas e munições ligado ao PCC na região da cracolândia, segundo a Justiça | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Quatro homens acusados de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e de comércio ilegal de armas e munições na região da cracolândia, no centro da capital, foram condenados.
Justiça condenou os quatro réus a penas de 11 a 16 anos de prisão, em regime inicial fechado. A decisão é da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, e foi divulgada ontem pelo Ministério Público.
Três deles eram da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo. A sentença também determinou a perda da função pública deles, que não tiveram seus nomes divulgados.
Esquema abastecia mercado clandestino de armas
Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apontou que o grupo atuou de outubro de 2019 a janeiro de 2023 de forma estruturada. De acordo com o órgão, o esquema abastecia o mercado clandestino de armas de fogo, munições e dispositivos de uso ilícito na área conhecida como cracolândia.
Além de armas e munições, criminosos também negociavam equipamentos usados para dificultar ações policiais. Segundo a apuração, eram dispositivos capazes de bloquear ou detectar sinais de radiofrequência, o que pode atrapalhar a localização de veículos e equipamentos por forças de segurança.
Sentença citou um conjunto de provas reunidas ao longo da apuração para sustentar a condenação. O Judiciário apontou interceptações telefônicas, análises de dispositivos eletrônicos, quebras de sigilo e apreensões como elementos que indicaram atuação coordenada dos réus.
O UOL entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
Investigação começou após operação
As investigações fazem parte da Operação Salus et Dignitas, deflagrada pelo MP em agosto de 2024. A apuração apontou que o esquema se beneficiava do cenário de degradação e da alta incidência de crimes na região central de São Paulo.
À época, a ação levou mais de mil agentes públicos às ruas do centro para cumprir medidas judiciais contra grupos ligados ao PCC. Na ocasião, foram citados sete mandados de prisão, 117 de busca e apreensão, 46 de arresto, sequestro e bloqueio de bens e 44 de interdição de imóveis.
MP aponta rede de crimes na região
Promotores do Gaeco afirmaram à Justiça que o tráfico de drogas é apenas uma parte do conjunto de crimes investigados na região.
“O tráfico de entorpecente é apenas uma das atividades dentro do repertório criminoso dessa região, que envolve profusas atividades ilícitas, como o comércio ilegal e receptação de peças veiculares, armas e celulares; contaminação do solo com a reciclagem e ferro-velho; exploração da prostituição; captação ilegal de rádios transmissores da polícia; submissão de pessoas a trabalho análogo a escravo, entre outras graves violações a direitos humanos”, sustentaram.