CBF muda postura e passa a omitir detalhes sobre lesões de jogadores
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 2 de julho de 2026 às 11:33 | Atualizado há 1 hora
CBF adota comunicados mais genéricos sobre lesões de jogadores durante a Copa do Mundo, sem detalhar gravidade ou prazo de recuperação | Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
Se você achou parecidos os comunicados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sobre as lesões de Raphinha e Lucas Paquetá na Copa do Mundo, observou bem. Ou quase isso. Os textos são mais do que parecidos, são praticamente iguais: a diferença são apenas duas palavras, a que identifica o lado da coxa dolorida e a que aponta o dia do exame.
“O atleta Raphinha passou, neste sábado, por exame de imagem que confirmou lesão muscular na região posterior da coxa direita. O jogador seguirá um protocolo de tratamento intensivo, acompanhado pela equipe médica da Seleção Brasileira, visando sua recuperação e retorno às atividades no menor tempo possível.”
“O atleta Lucas Paquetá passou, nesta terça-feira, por exame de imagem que confirmou lesão muscular na região posterior da coxa esquerda. O jogador seguirá um protocolo de tratamento intensivo, acompanhado pela equipe médica da Seleção Brasileira, visando sua recuperação e retorno às atividades no menor tempo possível.”
Não há nenhuma menção sobre a gravidade dos ferimentos ou prazos estimados de recuperação. As notas, tão protocolares que quase idênticas, não seguem o modelo adotado pela própria CBF no início da preparação do Brasil para o Mundial, no fim de maio. Na ocasião, havia grande interesse sobre as condições físicas de Neymar.
Mudança na política de divulgação
Antes mesmo das primeiras entrevistas no centro de treinamento da Granja Comary, em Teresópolis, o chefe de comunicação da confederação ofereceu o microfone ao médico Rodrigo Lasmar.
“Deixando tudo sempre transparente, bem claro, como é a marca desta gestão da CBF, por favor, doutor…”
Lasmar, então, fez um pronunciamento com minúcias clínicas.
“Neymar fez todos os exames médicos, os exames complementares, e terminamos com uma ressonância magnética que identificou uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha, não apenas um edema. O atleta segue em tratamento, e a nossa expectativa é que no prazo de duas a três semanas esteja liberado”, afirmou o médico.
De lá para cá, o protocolo mudou. Até mesmo o anúncio do corte do lateral-direito Wesley, que se lesionou já nos Estados Unidos, em amistoso contra o Egito, foi redigido sem a palavra “corte” ou alguma derivada: “Wesley é um atleta querido pelo grupo e será sempre considerado parte desta equipe que busca o hexacampeonato mundial”.
Caso Neymar influenciou mudança
Questionada sobre a alteração no procedimento, a CBF disse que “não divulga grau de lesões nem estimativa de retorno dos atletas para preservá-los durante o processo de recuperação em meio à Copa do Mundo”. Na prática, a explicação é que o caso Neymar foi diferente de todos os outros, traumático, e teve consequências.
O atacante sentiu um problema na panturrilha direita em jogo do Santos no dia 17 de maio, véspera da convocação dos 26 atletas do Brasil para a Copa do Mundo. Ele e seu clube trataram a questão como algo menor, um edema, um acúmulo de líquido entre as fibras musculares. Claramente, não era o caso.
Feita a convocação, em evento realizado no Rio de Janeiro no dia 18, começaram a surgir informações de que o edema talvez não fosse apenas um edema. Havia ruptura parcial das fibras musculares. Na apresentação do grupo em Teresópolis, o jogador foi levado a uma clínica para os exames descritos por Rodrigo Lasmar.
No conflito de versões, a CBF optou por evitar o corte do atleta, mas deixar claro que ele e o departamento médico do Santos haviam informado um diagnóstico incorreto. Neymar perdeu os amistosos contra Panamá e Egito e só pôde entrar em campo na terceira rodada do Mundial, por pouco mais de 15 minutos.
Hoje, nem tudo está “transparente, bem claro”. Foi do Flamengo, e não da confederação, que surgiu a informação de que Lucas Paquetá talvez não entre mais em campo nesta Copa. A lesão é de grau 2, a mesma classificação da sofrida por Neymar. A CBF repassou os exames do atleta ao clube rubro-negro, de onde a informação acabou sendo divulgada. (Marcos Guedes/Luciano Trindade/FOLHAPRESS)