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Don Diego ou Lionel Messi: quem é o maior craque da história da Argentina?

Redação Online

Publicado em 2 de julho de 2026 às 21:25 | Atualizado há 3 horas

Diego e Messi: gênios da bola - Foto: Reprodução
Diego e Messi: gênios da bola - Foto: Reprodução

Marcus Vinícius Beck

A Argentina dá hoje, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami, nos EUA, mais um passo na Copa de 2026. Sob a liderança de Lionel Messi, a albiceleste se projeta para as quartas de final. Mas no meio do caminho haverá uma pedra: Cabo Verde. Nunca se esqueça desse fato.

Até aqui, a scaloneta deve ser lida como “O Jogo da Amarelinha”, do escritor Júlio Cortázar: na ordem que se acha melhor, de frente para trás, de trás para a frente, do meio para o início, do início ao fim. A boa fase começou no Maracanã, Rio de Janeiro, com vitória sobre o Brasil.

Naquele dia 10 de julho de 2021, Messi parecia parafrasear em seu jogo o ensaísta argentino Ernesto Sábato. Era a sabedoria que carregava um país nos pés. Apenas os gringos cometem a palhaçada de aproveitar um jogo decisivo para se divertir. Os hermanos meditam, sofrem.

Por isso, não dispensam a inquietude, o individualismo, a indisciplina, alicerçada no esforço pessoal, no improviso e, sobretudo, na habilidade. Há boas décadas, por exemplo, revelam craques por lá, tais como Maradona e Messi. Têm, hoje, a segunda melhor seleção do mundo.

Se Messi é cerebral feito Leonardo Da Vinci, Maradona derrama emoções como Caravaggio. Quando no Napoli, cuja camisa azul-celeste vestira entre 1984 e 1991, El Pibe de Ouro levou o pobre sul da Itália a não mais se sentir menor perante o norte rico. Veja-o e depois morra. Ao passo que o pupilo, estrela do Barcelona, se fez em um time endinheirado e poderoso.

Capa do livro “A Biografia de Lionel Messi”, do jornalista Leonardo Faccio – Foto: Divulgação

Libertação

Mas La Pulga chegou lá, chorou. Em 18 de dezembro de 2022, ele findou o objetivo ao qual se dedicara durante 20 anos. Deu o sonho da Copa a todo um país, a Argentina, e sobretudo aos hereges. “Messi é maior que Pelé”, dizem, como se a peleja se traduzisse em números.

“Messi é o número 1 de todos os tempos”, salienta o jornalista espanhol Lluís Mascaró, no diário catalão “Sport”. “E aqueles (poucos) que ainda insistiam em questioná-lo tiveram de se convencer e ceder às evidências.” Esqueceu-se, coitado, de vossa santidade, o Rei Pelé.

No Catar, o camisa 10 andou em campo — talvez só estivesse distraído —, com a certeza de que encontraria os espaços. Ao caminhar, buscava a hora certa para atacar. Jogar futebol, ensina Pep Guardiola, assemelha-se a uma partida de xadrez na qual se espera o momento ideal para o ataque, para o gol, para o passe, para a ginga e, claro, para erguer uma taça.

Se antes chegara a ser perseguido por “la mano de Dios”, Messi enfim conquistou a liberdade emocional. Essa tese se ampara em uma premissa do biógrafo Ariel Senosiain. Autor de “O Gênio Completo”, o jornalista afirmou ao Diário da Manhã que o craque sempre teve características de argentinidade. “Sinto que nada mais pesa sobre ele”, disse.

Enquanto disputava seu quinto Mundial, no Catar, La Pulga não sorria. Não sorriu nesse nem nos outros quatro que jogou. O escritor Leonardo Faccio, em “A Biografia de Lionel Messi”, publicada pela Generale, explica por que o jogador é sério. Para o autor, o craque vê o jogo como profissão — 25 países do mundo têm um PIB maior do que essa indústria.

‘El Pibe de Ouro’ foi anti-herói genial e artístico

Recuemos no tempo. Diego Armando Maradona, um metro e sessenta e cinco centímetros de altura, não possui outra alternativa senão pular e esticar o braço. Suspenso no ar, as pernas o ajudaram a decolar ainda mais. Chegará antes de Shilton? Se o pegarem, tudo bem, faz parte e, bem, pelo menos Maradona tentaria. O goleiro inglês entende que está em desvantagem.

Fitando a bola, Shilton calcula um choque com o argentino, que está indo para a dividida com força e ímpeto. O arqueiro repensa e escolhe socar a bola, para afastar logo o perigo a lhe rondar a meta. Só necessita afastá-la, não é difícil. Dizem que, uma vez fora do gol, a área é do camisa 1. Mas, lá em cima, Maradona ajeita o corpo. Vai cabecear? Não, vem de punho.

No livro “Maradona: de Diego a D10S”, publicado pela Grande Área, o jornalista espanhol Guillem Balagué dramatiza a inolvidável trapaça maradoniana. “Maradona dá um pulo com os dois braços levantados e, ao mesmo tempo, olha rapidamente para o árbitro”, declara o autor. “Na sequência, começa a correr na direção da linha lateral, longe da cena do crime.”

“Gooool! Gooool argentino! Diego! Diego Armando Maradona”, berra o narrador uruguaio Víctor Hugo Morales na “Radio Argentina”. “O bandeirinha não viu, o árbitro deu uma olhadinha, enquanto os ingleses seguem protestando, com toda a razão, de todas as formas.”

Capa do livro “Maradona: de Diego a D10S”, do jornalista Guillem Balagué – Foto: Grande Área

Contexto

Um épico notável. Por “la mano de Dios”, entenda o triunfo argentino diante dos ingleses há quatro anos da Guerra das Malvinas. O conflito armado resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos. Quase todos tinham 20 anos. Fora os ex-soldados suicidados após o conflito.

Portanto, havia um contexto político, como relembra “El Partido” (ainda inédito no Brasil). Baseado no livro do escritor Andrés Burgo, o longa, aplaudido no último Festival de Cannes, vai além da peleja. Dentro de campo, conforme a película, argentinos e ingleses eram rivais desde 1966, cuja expulsão do capitão hermano Antonio Rattín naquele ano fora um “roubo”.

O doc, dirigido por Juan Cabral e Santiago Franco, evita o esquema entrevista-arquivo, algo que deixa esse tipo de filme bastante previsível. A julgar pelos relatos portenhos, é uma obra de ritmo cinematográfico, na qual a montagem conduz ideias a respeito do orgulho ferido. Sem falar no segundo gol, essa obra-prima do jogo. Maradona foi, sim, um jogador-artista.


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