Funcionário chinês condenado à morte por corrupção de R$ 1,6 bi
DM Redação
Publicado em 7 de julho de 2026 às 11:35 | Atualizado há 2 horas
(UOL/FOLHAPRESS) – Um tribunal na China condenou à morte um ex-funcionário do departamento de desenvolvimento econômico da cidade de Nanjing por receber propina ao longo de três décadas.
Yang Youlin, ex-executivo adjunto do comitê administrativo da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, foi sentenciado à morte ontem. A informação foi divulgada pela agência estatal Xinhua e confirmada em relatos da agência de notícias Associated Press, Reuters e outros jornais ocidentais.
Justiça chinesa afirma que Yang recebeu mais de 2,21 bilhões de yuan (R$ 1,6 bilhão) em dinheiro e bens entre 1993 e 2023. Segundo o Tribunal Popular Intermediário de Changzhou, os pagamentos ocorreram em troca de ajuda para viabilizar projetos, operações comerciais, concessões e transferências de terras e obtenção de financiamento.
Condenação inclui outros crimes além de corrupção. O veredito também aponta desvio de recursos, oferta de suborno, apropriação indevida de fundos públicos, abuso de poder e lavagem de dinheiro.
Sentença prevê confisco de bens e perda de direitos políticos. O tribunal determinou a privação de direitos políticos por toda a vida e a apreensão de todo o patrimônio pessoal, além de tentar recuperar integralmente o valor obtido com as propinas.
Yang admitiu os crimes e disse estar arrependido, segundo a Justiça. O tribunal informou que ele colaborou ao relatar crimes de pessoas associadas, se declarou culpado e expressou remorso na declaração final em audiência, ainda conforme relato da mídia estatal. Apesar disso, gravidade do caso não permitia punição mais branda.
Autoridades classificaram o volume de propina como “extraordinariamente grande” e disseram que o caso teve forte impacto social. A corte afirmou que as condutas causaram perdas “excepcionalmente pesadas” aos interesses do Estado e da população, o que embasou a pena máxima.
Processo teve audiências públicas em março e abril, com participação de mais de 30 pessoas. A Justiça informou que acusação, defesa e o próprio réu apresentaram versões e contestaram provas durante o julgamento.
Investigação ocorreu no contexto da campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping. Críticos ouvidos pela AP News e pela BBC afirmam que a ofensiva também é usada para enfraquecer rivais políticos do líder chinês.
Pena de morte por crimes de colarinho branco é incomum, mas aparece em casos com cifras bilionárias. Em 2024, Li Jianping, um funcionário da região da Mongólia Interior, foi executado após ser considerado culpado em um caso que envolvia mais de 3 bilhões de yuans. Em outro caso importante, Zhang Zhongsheng, um funcionário da província de Shanxi, foi considerado culpado de receber mais de 1 bilhão de yuans em subornos e condenado à morte em 2018, pena que, após recurso em 2021, foi alterada para pena de morte suspensa e prisão perpétua.