Agente funerária relata que bebê dado como morto se mexeu dentro de saco em hospital de SP
DM Online
Publicado em 21 de julho de 2026 às 10:24 | Atualizado há 7 horas
O caso do bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, de apenas um mês, ganhou novos detalhes nesta terça-feira (21) após o relato emocionante de uma das agentes funerárias que encontrou a criança apresentando sinais de vida, mesmo depois de o óbito ter sido oficialmente constatado pela equipe médica da Santa Casa de Rio Claro, no interior de São Paulo.
Regina Célia Paschoal contou que foi a primeira pessoa a perceber algo incomum quando chegou ao hospital para retirar o corpo do recém-nascido. Segundo ela, o bebê estava dentro de um saco funerário preto, fechado com fitas, quando notou uma movimentação.
“Estava fechado em um saco preto, com fitas. Aí eu, por conta e responsabilidade, abri esse saco. Falei: ‘Meu Deus, o que eu faço?'”, relatou em entrevista à EPTV.
Ao abrir o invólucro, Regina afirma que o bebê passou a apresentar mais movimentos e sinais que indicavam tentativa de respirar.
“Quando abri, começou a se mexer mais ainda, a tossir, a fazer um barulho porque ele queria respirar”, disse. Ela definiu o momento como um dos maiores sustos de sua vida, mas também como uma emoção impossível de descrever.
Outro funcionário da funerária, Matheus Batagello, confirmou que também percebeu sinais vitais no recém-nascido. Segundo ele, inicialmente surgiu a dúvida se os movimentos poderiam ser apenas espasmos, mas decidiu acionar imediatamente a equipe do hospital. “Ele estava se mexendo e dando tipo um soluço, como se estivesse engasgado”, contou.
Noah estava internado na UTI Neonatal da Santa Casa de Rio Claro desde o nascimento. Prematuro e portador de fenda palatina malformação que provoca uma abertura no céu da boca, ele aguardava uma vaga para ser transferido a um hospital especializado, onde faria uma cirurgia. Na quarta-feira (15), quando completava um mês de vida, o quadro clínico do bebê piorou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.
De acordo com a Santa Casa, a equipe médica realizou manobras de reanimação cardiopulmonar durante aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sem resposta ao tratamento, o óbito foi declarado no fim da tarde.
Após a confirmação da morte, Noah permaneceu por cerca de uma hora na UTI para os procedimentos legais e para que a família pudesse ser acolhida. Em seguida, foi encaminhado a outro setor do hospital, onde aguardava a chegada da funerária. Foi justamente nesse momento que ocorreu a reviravolta.
Ao perceber que o bebê apresentava movimentos e sons, os agentes funerários acionaram imediatamente os profissionais da Santa Casa. O recém-nascido foi reavaliado pela equipe médica, readmitido na UTI Neonatal e voltou a receber cuidados intensivos. Dois dias depois, com a vaga que já aguardava anteriormente liberada, foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, em Bauru, para dar continuidade ao tratamento.
Em nota, a Santa Casa de Rio Claro informou que todos os procedimentos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e afirmou que, diante das evidências observadas naquele momento, não foi identificada qualquer falha assistencial.
A instituição destacou ainda que a médica responsável pela reanimação possui 14 anos de experiência em neonatologia e classificou o episódio como um dos acontecimentos mais extraordinários já vividos em sua história.
Segundo o hospital, o caso é considerado “um dos episódios mais inexplicáveis” já registrados pela instituição. A direção afirmou que respeita as diferentes interpretações sobre o ocorrido e ressaltou que, para muitos profissionais e familiares, o episódio é visto como um verdadeiro milagre.
Apesar da repercussão nacional do caso, os pais de Noah afirmaram que não pretendem entrar com ação judicial contra a Santa Casa.
A mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, disse que o filho recebeu atendimento adequado durante todo o período de internação e afirmou ter acompanhado de perto o esforço da equipe médica para tentar salvá-lo.
Segundo ela, a médica responsável lutou durante todo o procedimento de reanimação antes de comunicar a morte da criança.
Embora a Santa Casa sustente que todos os protocolos médicos foram respeitados, o episódio chamou a atenção por envolver a identificação de sinais vitais somente quando o bebê já havia sido entregue para os procedimentos funerários.