Governo federal discute impactos do tarifaço dos EUA com setores da indústria brasileira
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 21 de julho de 2026 às 17:05 | Atualizado há 50 minutos
Governo debate medidas para auxiliar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos | Foto: REUTERS/Adriano Machado
O governo federal recebe nesta terça-feira (21) representantes de setores da indústria brasileira afetados pela nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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Estão previstas reuniões com entidades dos segmentos de máquinas e equipamentos, calçados e pneus. Os encontros contam com a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Márcio Elias Rosa.
Na última quarta-feira (15), o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos industriais brasileiros. Segundo cálculos do governo federal, a medida atinge cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões).
Entre os setores mais impactados estão o de madeira, que terá 81% das exportações para os EUA atingidas pela sobretaxa. Também serão afetados os segmentos de minerais não metálicos (56%), produtos químicos (51%) e alimentos (38%), de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Indústria pede mudanças em programa e cobra medidas de proteção
Durante reunião com Alckmin, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defenderam alterações no programa Brasil Soberano, criado para oferecer linhas emergenciais de crédito às empresas prejudicadas pelas tarifas norte-americanas.
Entre as propostas apresentadas estão a redução das taxas de juros, a ampliação dos segmentos contemplados pelo programa e a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito. Até o momento, o governo não indicou se pretende atender às reivindicações.
Além das mudanças no programa, parte da indústria também defende a adoção de barreiras comerciais para conter o avanço de produtos asiáticos no mercado brasileiro. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, entidades setoriais sugeriram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) a criação de cotas de importação como forma de compensar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, afirmou que a preocupação com o aumento das importações asiáticas acabou dominando as discussões com o governo.
“Começamos a reunião falando sobre importação e não sobre o problema da reunião, que era o tarifaço”, declarou ao C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo.
Segundo o dirigente, o Brasil enfrenta uma posição mais delicada nas negociações com os Estados Unidos, já que as novas tarifas possuem uma base jurídica mais consistente do que as sobretaxas derrubadas pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro.
Na avaliação de Ferreira, o governo pode aceitar o pedido de imposição de cotas defendido por representantes dos setores de pneus, móveis, madeira, rochas ornamentais e fumo.
Enquanto mantém as conversas com a indústria, o governo brasileiro também aguarda uma nova decisão da administração norte-americana, prevista para esta semana. Os Estados Unidos avaliam aplicar uma nova tarifa de 12,5%, baseada em uma investigação sobre trabalho forçado. Caso seja confirmada, a medida substituirá a sobretaxa de 10% prevista na Seção 122, que perde validade no fim de julho.
Na semana passada, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil continuará defendendo seus interesses nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
“O Brasil é vítima nesse processo, mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando dano. Não vamos ceder”, disse o ministro em entrevista à Folha de S.Paulo. (FOLHAPRESS/MARCOS HERMANSON)