Nova tarifa dos EUA pode elevar taxa sobre produtos brasileiros para até 37,5%
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de julho de 2026 às 14:41 | Atualizado há 1 dia
Brasil está entre os mais de 60 países que podem ser atingidos pela nova tarifa anunciada pelo governo dos EUA | Foto: Reprodução Reuters/Freepik
As exportações brasileiras para os Estados Unidos poderão ser submetidas a uma carga tarifária de até 37,5% caso o governo norte-americano confirme, nesta quinta-feira (23), uma nova taxa de 12,5% sobre produtos importados de mais de 60 países. A cobrança será anunciada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e se somará à sobretaxa de 25% aplicada recentemente ao Brasil.
A expectativa do governo brasileiro é de que a nova tarifa seja implementada sem uma relação de produtos isentos, diferentemente da medida que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Se confirmada, a cobrança elevará significativamente os custos para empresas brasileiras que exportam ao mercado norte-americano.
A criação da nova taxa foi confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Segundo o governo dos Estados Unidos, a medida substituirá a tarifa global temporária de 10%, em vigor desde o início de 2026, cuja validade termina nesta sexta-feira (24).
Investigação sobre trabalho forçado motivou nova cobrança
A decisão do governo norte-americano tem origem em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O órgão avaliou a legislação e as políticas adotadas por mais de 60 países para prevenir e combater o trabalho forçado nas cadeias produtivas, além de verificar a existência de mecanismos que impeçam a entrada de mercadorias produzidas sob esse tipo de exploração.
Como resultado da análise, o USTR propôs dois níveis de tributação. Países que possuem proibição à importação de produtos originados de trabalho forçado ou que assumiram esse compromisso por meio de acordos comerciais recíprocos deverão ser enquadrados em uma tarifa de 10%.
Já as nações que, segundo a avaliação do governo norte-americano, não contam com medidas suficientes para enfrentar o problema estarão sujeitas à alíquota de 12,5%. O Brasil integra esse segundo grupo, juntamente com outros países investigados.
Sobretaxa de 25% já passou a valer para parte dos produtos brasileiros
A nova tarifa será aplicada em um momento de endurecimento da política comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Desde a última quarta-feira (22), parte das exportações brasileiras passou a ser tributada com uma sobretaxa de 25%, também estabelecida após investigação conduzida pelo USTR com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Na avaliação da administração do presidente Donald Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, políticas ambientais voltadas ao desmatamento e regras relacionadas ao sistema de pagamentos Pix.
Apesar da adoção da sobretaxa, mais de 2,1 mil produtos brasileiros ficaram de fora da medida. O governo norte-americano justificou a exclusão como forma de reduzir impactos sobre empresas dos Estados Unidos e preservar cadeias de suprimentos consideradas estratégicas.
Entre os itens poupados da cobrança adicional estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja, petróleo e aeronaves civis, produtos que figuram entre os principais bens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
Na prática, a sobretaxa de 25% é aplicada além das tarifas de importação já existentes. Dessa forma, um produto que atualmente recolhe 5% de imposto para ingressar nos Estados Unidos passa a pagar uma carga total de 30%.
Nova tarifa substituirá cobrança global temporária
No Palácio do Planalto, a expectativa é de que a taxa de 12,5% funcione como substituta da tarifa global de 10% adotada pela administração Trump no início deste ano. A cobrança provisória foi implementada após decisões judiciais relacionadas à política tarifária do governo norte-americano e perderá validade nesta sexta-feira (24).
Diferentemente da sobretaxa exclusiva imposta ao Brasil, integrantes do governo brasileiro avaliam que a nova tarifa deverá ser aplicada sem uma lista de exceções. Caso essa previsão se confirme, setores da indústria nacional poderão enfrentar uma carga tributária de até 37,5% para exportar determinados produtos aos Estados Unidos.