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Tâmaras, congelados e contraestação: as brechas que abrem espaço para o Egito no mercado latino-americano

Redação Online

Publicado em 23 de julho de 2026 às 17:32 | Atualizado há 2 horas

top view of fresh apples with fruits such as pomegranate kiwi apples on a wooden kitchen board on a grey background
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O Brasil é um dos grandes exportadores mundiais de frutas frescas. Manga, uva, melão e cítricos saem do país em volume e chegam a dezenas de mercados. Ainda assim, o setor de alimentos brasileiro importa e importa justamente aquilo que a produção nacional não cobre, seja por ausência de cultivo, seja por descompasso de calendário.

É nessa margem que fornecedores do Mediterrâneo Oriental vêm ampliando presença na América Latina.

O Egito ocupa hoje a posição de maior exportador mundial de laranjas e figura entre os principais fornecedores de uva, manga e hortaliças congeladas. Suas exportações agrícolas atingiram números recordes em 2025, impulsionadas pela ampliação da área cultivada e pela demanda crescente de mercados europeus, do Golfo e africanos. A América Latina não está entre seus destinos tradicionais e é exatamente por isso que o movimento merece atenção.

Onde a produção local não chega

O caso mais evidente é o das tâmaras. O Brasil não cultiva a fruta em escala comercial, e todo o consumo interno depende de importação. A demanda cresce puxada por dois vetores distintos: o consumo em datas religiosas e festivas, e a expansão do mercado de alimentos naturais, onde a tâmara entra como adoçante e como base de produtos sem açúcar adicionado.

A variedade Barhi, produzida no Egito, é uma das mais comercializadas internacionalmente, e chega ao mercado tanto fresca quanto seca.

O segundo caso é o dos congelados IQF sigla para o congelamento individual rápido, técnica que preserva cada peça separadamente em vez de formar blocos. Morango, manga, vagem, brócolis e couve-flor em floretes congelados atendem a uma lógica de compra que pouco tem a ver com a fruta fresca: a indústria alimentícia e o varejo precisam de volume constante ao longo de doze meses, com especificação estável e preço previsível.

Nesse segmento, a origem importa menos que a regularidade. Um fornecedor capaz de manter fluxo contínuo compete em condições que a sazonalidade da fruta fresca não permite.

A questão do calendário

O terceiro ponto é o descompasso de safras. A temporada agrícola egípcia opera em contraciclo em relação ao hemisfério sul. Quando a produção latino-americana entra em entressafra, o Egito está colhendo e vice-versa.

Para o importador, isso significa a possibilidade de cobrir janelas em que o produto nacional escasseia ou encarece, sem competir diretamente com a safra local no período de maior oferta. É um posicionamento complementar, não substitutivo.

Entre as empresas egípcias que operam nesse mercado está a Gaara Export, exportadora egípcia de produtos frescos, que abastece importadores na Europa, no Golfo, em países árabes e na África. Seu catálogo reúne tâmaras Barhi, uva de mesa nas variedades Flame Seedless e Prime Seedless, laranjas Valência e Navel, melões Harper, Piel de Sapo e amarelo, além de uma linha ampla de manga que inclui Osteen, Kent, Keitt, Tommy Atkins, Baaz, Owis, Naomi e Chili. A companhia trabalha também a linha de congelados IQF, com morango, manga, vagem, brócolis e couve-flor.

Diversificação como estratégia

O contexto comercial reforça o argumento. A imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos e a instabilidade das rotas logísticas globais colocaram a concentração de fornecedores sob escrutínio. Empresas que dependem de poucas origens ficam expostas a interrupções que não controlam.

Ampliar a base de fornecedores deixou de ser exercício teórico. Para o importador latino-americano, ter alternativas mapeadas em regiões distintas é hoje parte da gestão de risco mesmo que a compra efetiva permaneça concentrada nos parceiros habituais.

O que o comprador avalia

A decisão de origem raramente se resolve pelo preço. Pesam a consistência de calibre, a resistência do produto ao trânsito refrigerado, o cumprimento das exigências fitossanitárias do país de destino e, sobretudo, a previsibilidade do abastecimento.

Fornecedores com portfólio diversificado fresco e congelado, frutas e hortaliças tendem a ocupar posição mais sólida nessa avaliação. A combinação permite manter o relacionamento comercial ativo durante períodos mais amplos do ano, em vez de concentrá-lo em uma janela curta de poucas semanas.

Informações sobre produtos, variedades e especificações estão disponíveis no site da empresa.

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