Brasil se aproxima do limite de exportação de carne bovina para a China e risco de tarifa de 55% aumenta
Léo Carvalho
Publicado em 27 de julho de 2026 às 08:31 | Atualizado há 30 minutos
Governo Lula busca alternativas para reduzir os impactos caso a cota seja ultrapassada | Foto: Portal DBO
O Ministério do Comércio da China afirmou que o Brasil atingiu na semana passada a marca de 80% da cota de carne bovina imposta por Pequim neste ano como medida de salvaguarda.
A expectativa de empresas e organizações do setor é que o percentual seja maior e que a cota esteja até mesmo virtualmente esgotada, uma vez que os cálculos de Pequim não levam em consideração a carga já embarcada que ainda não chegou aos portos chineses.
Questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, destacou as trocas comerciais totais entre os países.
“A China está disposta a manter comunicação com todas as partes envolvidas, incluindo o Brasil, para ampliar uma cooperação econômica e comercial saudável e estável”, declarou.
No final de dezembro, Pequim impôs uma medida de salvaguarda determinando que países que ultrapassassem a cota estabelecida pelo país asiático para a carne bovina seriam taxados em 55%. A determinação, que passou a valer em janeiro, terá duração de três anos.
O Brasil será taxado caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões.
O Brasil atingiu metade da cota em maio, quando o governo Lula já tentava negociar saídas.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a gestão tenta negociar com as autoridades chinesas para que redistribuam as cotas não utilizadas por outros países, mas até agora o pedido tem sido negado.
A divulgação dos dados ocorreu dias antes da conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o líder chinês, Xi Jinping. Os mandatários falaram por telefone na noite deste domingo (26), tratando principalmente de questões comerciais, como o acordo entre China e Mercosul.
Os relatos do Palácio do Planalto e da mídia estatal chinesa não indicam se a salvaguarda para a carne bovina foi um dos temas da conversa.
A salvaguarda bovina faz parte de um movimento mais amplo do governo chinês para diminuir sua dependência de poucos fornecedores. Hoje, o Brasil é a principal origem de itens indispensáveis da dieta chinesa, como a carne bovina e a soja.
A China tem salientado com frequência que a diversificação de fornecedores é parte de sua estratégia para garantir a segurança alimentar, o que tem acendido o alerta no governo brasileiro e no setor agropecuário.
Prestes a enfrentar um possível fechamento do mercado chinês para parte da carne bovina brasileira, o governo saiu em busca de compradores alternativos. O principal nome citado é o dos Estados Unidos, onde a redução do rebanho e a demanda firme obrigam o país a ampliar as importações para abastecer o mercado interno.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), porém, afirma que nenhum outro mercado tem capacidade para absorver o volume atualmente destinado à China.