Republicanos rejeita aliança com Flávio Bolsonaro e amplia isolamento do candidato do PL
Léo Carvalho
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 13:23 | Atualizado há 2 horas
Convenção nacional do Republicanos decidiu manter neutralidade e rejeitou aliança com Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução/Youtube
O Republicanos decidiu, nesta terça-feira (4), permanecer neutro na disputa pela Presidência da República e rejeitou uma coligação nacional com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A definição ocorreu durante a convenção nacional do partido e representa mais um revés para o candidato do PL na busca por ampliar sua base de apoio.
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De acordo com o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), a maioria dos diretórios estaduais optou pela neutralidade. Ao todo, 17 diretórios defenderam que o partido não apoiasse nenhum candidato à Presidência no primeiro turno. Outros nove manifestaram preferência por uma aliança com o PL, enquanto apenas um diretório indicou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A convenção contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), um dos principais defensores da posição de neutralidade. Na Paraíba, o parlamentar pretende apoiar a candidatura de Lula, cenário que reforçou o entendimento de que um alinhamento nacional poderia provocar divisões internas.
Também participaram do encontro os senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), ambos ligados ao campo conservador e integrantes do Republicanos, mas nenhum deles se manifestou durante a votação sobre a estratégia eleitoral do partido.

Além de confirmar que não lançará candidato próprio à Presidência, a convenção aprovou uma resolução que autoriza a executiva nacional a rever a posição no segundo turno. Assim, o Republicanos poderá decidir posteriormente se apoiará algum dos candidatos que avançarem na disputa.
Segundo o deputado Celso Russomanno (SP), a neutralidade foi adotada para preservar a unidade da legenda. A avaliação interna era de que um apoio formal a Flávio Bolsonaro poderia gerar resistência em estados do Nordeste e prejudicar as campanhas proporcionais do partido para a Câmara dos Deputados.
A decisão aumenta a dificuldade do candidato do PL para formar uma coligação nacional. Flávio Bolsonaro esperava contar com o Republicanos para indicar a economista Daniella Marques, filiada à legenda, como candidata a vice-presidente. Sem o acordo, a tendência é que o PL monte uma chapa exclusivamente com integrantes do próprio partido.
Antes disso, Flávio Bolsonaro também tentou atrair a federação União Brasil-PP, chegando a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor a chapa. A proposta, no entanto, foi rejeitada.
No momento, o Podemos é a última legenda considerada pelo PL para uma possível aliança nacional. A expectativa é que o partido anuncie sua decisão até esta quarta-feira (5), embora dirigentes da sigla também indiquem preferência pela neutralidade.