Trump teria deixado Turquia em voo secreto após ameaça de assassinato
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 09:43 | Atualizado há 4 horas
Trump teria usado avião militar secreto após ameaça | Foto: Divulgação/Boeing
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria deixado a Turquia em uma operação sigilosa de segurança durante a viagem à cúpula da Otan, em julho. Segundo o Washington Post, o republicano foi retirado discretamente de Ancara e colocado em um avião militar menor após autoridades americanas identificarem uma ameaça considerada crível contra sua vida atribuída ao Irã.
A operação teria sido planejada de maneira a fazer com que jornalistas e parte da própria equipe presidencial acreditassem que Trump continuava a bordo do antigo Air Force One. O novo avião presidencial, recém-reformado e doado pelo Catar, também estava em Ancara naquele momento.
De acordo com o jornal, Trump apareceu publicamente embarcando no antigo Air Force One diante das câmeras. Depois, porém, teria sido levado por um caminhão de serviço de alimentação do aeroporto até um C-32A, aeronave militar utilizada para transportar autoridades americanas de alto escalão.
Enquanto isso, o antigo avião presidencial decolou com integrantes da imprensa a bordo. Os jornalistas teriam recebido instruções para manter fechadas as persianas das janelas da cabine durante o trajeto. A aeronave funcionaria, na prática, como uma espécie de distração para dificultar a identificação do verdadeiro voo de Trump.
O C-32A chegou à base da Força Aérea Real britânica em Mildenhall por volta das 22h20, segundo o Washington Post. Poucos minutos depois, pousou no mesmo local o antigo Air Force One, que transportava os jornalistas.

Ainda não está claro como Trump teria retornado à aeronave presidencial antiga depois da chegada ao Reino Unido.
Antes da partida de Ancara, Trump havia afirmado publicamente que utilizaria o antigo Air Force One até Mildenhall. Em uma publicação no Truth Social, justificou a escolha dizendo que viajaria no avião “por causa dos velhos tempos”, enquanto o novo jato faria uma parada na base para ser apresentado aos militares americanos.
A mudança chamou atenção porque aquela era a primeira viagem internacional do novo avião, um Boeing 747 entregue pelos Estados Unidos pelo Catar e submetido a uma rápida reforma pela empresa de defesa L3Harris Technologies. O modelo foi planejado como uma solução temporária enquanto a Boeing enfrenta atrasos na entrega dos futuros aviões presidenciais.
A revelação sobre a suposta operação secreta ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Teerã. A Turquia, onde Trump estava, faz fronteira com o Irã, aumentando a preocupação com possíveis ameaças durante a viagem presidencial.
Casa Branca cita ameaças contra Trump
Questionada sobre o relato, a Casa Branca não confirmou publicamente todos os detalhes da operação. O diretor de Comunicações, Steve Cheung, afirmou que o avião doado pelo Catar recebeu protocolos de segurança reforçados para proteger Trump e integrantes de sua equipe.
Segundo Cheung, o governo americano considera que existem “muitos inimigos da América” atentos aos movimentos do presidente e utiliza os recursos disponíveis para enfrentar possíveis ameaças. O Pentágono não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre o episódio.
A estratégia teria semelhanças com uma operação realizada em 2000, durante o governo de Bill Clinton. Na ocasião, o então presidente americano utilizou um avião executivo sem identificação para entrar no Paquistão, enquanto o Air Force One oficial servia como aeronave de despiste.
Novo avião presidencial é alvo de atenção
O Boeing 747 oferecido pelo Catar foi incorporado ao planejamento de viagens presidenciais enquanto o projeto dos novos Air Force One enfrenta sucessivos atrasos.
A aeronave foi reformada pela L3Harris e recebeu uma pintura em vermelho, branco, azul-escuro e dourado escolhida por Trump. A transferência do avião para os Estados Unidos, porém, também gerou questionamentos políticos e de segurança.
O episódio na Turquia acrescenta uma nova camada às discussões sobre a proteção do presidente e sobre os procedimentos adotados para reduzir riscos durante deslocamentos internacionais.
A Casa Branca, por sua vez, sustenta que os protocolos de segurança são adaptados conforme o nível de ameaça e que medidas adicionais podem ser empregadas sem serem divulgadas publicamente.