Brasil atinge 90% da cota chinesa de carne bovina e tarifa pode subir para 55%
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11:00 | Atualizado há 2 horas
Exportações de carne bovina brasileira para a China desaceleraram nos últimos meses | Foto: Reprodução/Canva
Uma tarifa adicional de 55% poderá encarecer a carne bovina brasileira no mercado chinês caso o Brasil ultrapasse o limite de exportação estabelecido para 2026. A cobrança está prevista nas regras da salvaguarda adotada pela China para controlar o aumento das importações e proteger o mercado interno.
Atualmente, a carne brasileira que permanece dentro da cota está sujeita a uma tarifa de 12%. Para este ano, a China autorizou a entrada de até 1,106 milhão de toneladas do produto brasileiro.
O país já se aproxima desse limite. Até segunda-feira (10), 995,4 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil haviam entrado no território chinês, o equivalente a 90% da quantidade permitida. Os números foram divulgados pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom).
A eventual cobrança da sobretaxa não começará imediatamente após o esgotamento da cota. Conforme as regras estabelecidas pelo governo chinês, os volumes que excederem o limite passarão a sofrer a tarifa adicional a partir do terceiro dia depois de a cota atingir 100%.
Com a elevação da tributação, a carne que ultrapassar a quantidade autorizada poderá ter um custo significativamente maior para os importadores chineses.
Setor brasileiro vê cota mais próxima do fim
O percentual de 90% divulgado pela China pode não representar toda a carne brasileira que já está a caminho do país. Isso acontece porque as autoridades chinesas e os frigoríficos brasileiros utilizam critérios diferentes para contabilizar os embarques.
Pequim registra a carga somente quando ela chega ao território chinês e passa pelos procedimentos de desembaraço. No Brasil, por outro lado, o setor também acompanha os lotes que já foram embarcados nos navios, mesmo que ainda estejam em trânsito.
Esse intervalo pode ser significativo, já que o transporte de uma carga até a China pode levar até dois meses. Com isso, toneladas que já deixaram o Brasil ainda não aparecem no cálculo oficial divulgado pelo governo chinês.
A possibilidade de a cota estar mais próxima do limite também contribuiu para a redução do ritmo dos embarques brasileiros nos últimos meses. Para os frigoríficos, portanto, o percentual efetivamente disponível pode ser menor do que os 10% restantes indicados pelos dados de Pequim.
Exportações caem em julho
A receita obtida com as vendas de carne bovina brasileira para a China caiu pela metade em julho. O faturamento recuou de US$ 1,08 bilhão, registrado em junho, para US$ 537,8 milhões no mês seguinte, uma redução de 50,3%.
A queda acompanha a retração nos embarques. Foram enviadas 85,7 mil toneladas de carne bovina ao mercado chinês em julho, o menor volume mensal registrado pelo setor brasileiro em 2026. Em junho, o total havia chegado a 161,8 mil toneladas, o que significa uma redução de 47% entre os dois meses.
Do volume embarcado em julho, 82,7 mil toneladas correspondiam à carne bovina in natura, modalidade considerada no cálculo da cota anual estabelecida pela China para o Brasil. Esse segmento respondeu por US$ 529,2 milhões do faturamento obtido no mês.
Os números refletem a desaceleração dos embarques brasileiros para o mercado chinês em um momento de proximidade do limite estabelecido para as exportações.