Economia

PF investiga Pixbet e advogado por suposta lavagem de dinheiro

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 12:12 | Atualizado há 3 horas

Operação Arena, da Polícia Federal, investiga possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas | Foto: Rubens Cavallari/Folhapress/Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP
Operação Arena, da Polícia Federal, investiga possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas | Foto: Rubens Cavallari/Folhapress/Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP

Uma operação da Polícia Federal investiga, nesta quinta-feira (13), possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. Segundo pessoas próximas à investigação, a Pixbet e o advogado Nelson Wilians, cujo escritório atua na defesa de casas de aposta, estão entre os alvos.

Segundo a PF, o grupo empresarial investigado usa contas no exterior para ocultar recursos vindos de bets.

Em nota atribuída ao advogado Santiago Schunck, o escritório de Nelson Wilians afirmou que a relação com a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. Segundo o comunicado, a atuação do escritório em favor dos clientes não se confunde com as atividades empresariais por eles desenvolvidas.

“O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes. Há que se tomar cuidado para não criminalizar a advocacia”, afirma o advogado. Até a publicação desta reportagem, a Folha não tinha conseguido entrar em contato com a PixBet.

Operação Arena

Batizada de Operação Arena, a ação da polícia executou 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, na Paraíba e no Paraná. O sigilo telemático e bancário de envolvidos foi quebrado e R$ 1,1 bilhão foi sequestrado, informou a PF.

Segundo a Receita Federal, recursos de apostadores foram utilizados pela Pixbet na operação de lavagem e evasão de divisas.

Empresas constituídas no exterior recebiam quantias altas sem atividade econômica que justificasse tais valores. Para dificultar o rastreio do dinheiro, o grupo investigado teria usado empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais.

Ao retornar para os cofres da casa de apostas, os valores teriam sido usados para comprar bens de luxo e pagar as outorgas de regularização da bet, no valor de R$ 35 milhões.

De acordo com a Receita, também estão sob investigação possíveis omissões de rendimentos e a utilização de estruturas empresariais para sonegar tributos.

Advogado enfrenta investigações e dívidas de aluguel

Conhecido por atuar em casos de grande repercussão e pela exposição da vida pessoal e profissional nas redes sociais, Nelson Wilians foi alvo de três operações policial no último ano.

Em setembro de 2025, o escritório NWADV foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.

Na ocasião, a PF cumpriu mandados de busca na casa e no escritório de Nelson Wilians, apreendendo carros de luxo e obras de arte. Segundo apuração do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a banca movimentou R$ 4,3 bilhões em operações consideradas suspeitas entre 2019 e 2024.

O próprio Nelson Wilians chegou a depor na CPI do INSS e nega qualquer participação na fraude.

No mês passado, o escritório voltou a ser alvo de operação policial, dessa vez investigado por um suposto esquema de sonegação de ICMS que ultrapassa R$ 3,8 bilhões.

O escritório afirmou à época que “recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo”.

Além das investigações, o NWADV também enfrenta cobranças por atrasar o pagamento de aluguel de salas comerciais em São Paulo e Campinas.

Além dos processos com aluguel, o escritório é cobrado na Justiça por falta de pagamentos a uma assessoria de imprensa, a uma empreiteira que realizou reformas no escritório de Salvador e problemas na prestação de serviços tributários a clientes. (Guilherme W. Almeida/José Marques/Pedro S. Teixeira/FOLHAPRESS)


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