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Como proteger seu computador em 2026: guia completo

Redação DM

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13:19 | Atualizado há 1 hora

Proteger o computador não exige curso técnico nem gastar uma fortuna. Mas exige mais do que instalar um antivírus e achar que está feito.

A maioria das pessoas que cai em golpe ou tem o computador infectado não é descuidada. Só não sabia o que estava arriscando. Ou achava que “com ela não ia acontecer”.

Esse guia cobre o que realmente importa, do jeito que dá pra colocar em prática hoje.

Mantenha o sistema e os programas atualizados

Quase toda invasão séria começa da mesma forma: alguém explorou uma falha que já tinha correção disponível.

Quando uma empresa descobre um problema de segurança no sistema, ela lança uma atualização para corrigi-lo. O problema é que criminosos também ficam de olho nessas correções: elas revelam exatamente qual era a vulnerabilidade. Quem demora a atualizar vira alvo fácil.

Ativar as atualizações automáticas resolve isso sem esforço. No Windows, vá em Configurações > Windows Update e marque a opção de instalar automaticamente. No macOS, a configuração fica em Preferências do Sistema > Atualização de Software.

Não esqueça do navegador. Chrome, Firefox e Edge atualizam sozinhos quando abertos, mas só se você fechar e reabrir. Muita gente fica meses com o navegador desatualizado porque nunca fecha a janela.

Antivírus: você realmente precisa pagar?

Para a maioria das pessoas, não.

O Microsoft Defender, que já vem instalado no Windows, melhorou muito nos últimos anos. Ele detecta vírus, bloqueia sites perigosos e faz verificações automáticas sem pesar o computador. Em testes independentes de laboratórios como AV-Test e AV-Comparatives, ele aparece consistentemente entre os mais eficientes.

Quando vale considerar um antivírus pago

Se você tem filhos usando o computador e quer controle parental avançado, como bloqueio de sites por categoria, tempo de tela e relatórios de atividade, a maioria dos produtos pagos oferece isso de forma mais completa. Se quiser uma VPN integrada ou suporte técnico por telefone, também faz sentido avaliar.

Para quem quer comparar as opções disponíveis hoje com análise de desempenho real, esse guia sobre os melhores antivírus 2026 traz testes detalhados de cada produto.

Não instale dois antivírus ao mesmo tempo

É o erro mais comum. Um antivírus detecta o outro como ameaça, os dois entram em conflito, e o computador fica travado sem proteção real de nenhum dos dois. Escolha um e desinstale o resto.

Cuidado também com aquelas janelas que aparecem em sites dizendo “Seu computador está infectado, clique aqui para limpar”. Isso é golpe. Feche a aba e ignore.

Use senhas diferentes em cada conta

Esse é o erro que mais facilita invasão de contas. Quase todo mundo comete esse erro.

Funciona assim: quando um site tem seus dados vazados, os criminosos pegam sua senha e testam ela em outros serviços. E-mail, banco, redes sociais, loja online. Se você usou a mesma senha em todo lugar, eles entram em tudo de uma vez.

Você pode ver se algum e-mail seu já apareceu em vazamentos no site haveibeenpwned.com. É gratuito e não pede cadastro.

Como usar um gerenciador de senhas

Memorizar dezenas de senhas diferentes e complexas é impossível. A solução é um gerenciador de senhas, que cria senhas fortes automaticamente e guarda tudo em um cofre digital.

O Bitwarden é gratuito, tem aplicativo para celular e extensão para o navegador. O 1Password é pago mas tem uma interface mais polida. Os dois funcionam bem.

Você só precisa criar e memorizar uma única senha: a do cofre. Escolha algo longo: uma frase de pelo menos quatro palavras que só você conhece funciona melhor que uma combinação curta de letras e números.

Quais contas proteger primeiro

Comece pelo e-mail. Ele é a chave de tudo. Quem acessa seu e-mail consegue pedir redefinição de senha em qualquer outro serviço. Depois vão ao banco, redes sociais e qualquer plataforma onde você tenha cartão salvo.

Se você tiver contas antigas em serviços que não usa mais, vale apagar. Dados parados em serviços abandonados continuam vulneráveis a vazamentos.

Ative a verificação em duas etapas

Mesmo que alguém descubra sua senha, não consegue entrar na conta sem o segundo fator. É uma camada extra que faz uma diferença enorme.

Aplicativo autenticador ou SMS?

O SMS é mais prático, mas menos seguro. Criminosos aplicam um golpe chamado SIM swap: criminosos convencem a operadora de que são você e pedem a portabilidade do número. A partir daí, todos os SMS chegam no celular deles.

O jeito mais seguro é usar um aplicativo autenticador como Google Authenticator ou Microsoft Authenticator. Ele fica no seu celular e gera códigos novos a cada 30 segundos, sem depender da operadora.

E se eu perder o celular?

Ao ativar a verificação em duas etapas, a maioria dos serviços oferece códigos de recuperação. Anote esses códigos e guarde em algum lugar seguro, impresso numa gaveta ou num documento protegido por senha. Sem eles, recuperar o acesso à conta pode ser muito mais trabalhoso.

Cuidado com o que você instala e baixa

Boa parte das infecções começa com um download. O usuário queria um programa legítimo, mas baixou de um lugar errado.

Evite cracks e ativadores

Esse é o maior vetor de infecção em computadores domésticos brasileiros. Para “craquear” um software pago, o arquivo precisa executar código no seu sistema. Você não tem como saber o que esse código faz. Na maioria das vezes, além de ativar o programa, ele instala algo a mais que fica rodando em segundo plano.

Como identificar um site de download falso

Sites legítimos não têm três botões verdes de “Baixar Agora” piscando na tela. Procure o site oficial do desenvolvedor ou use lojas como Microsoft Store e App Store. Se não tiver certeza do endereço, pesquise o nome do programa no Google e vá no primeiro resultado que for o site oficial, não um espelho ou repositório desconhecido.

Antes de clicar em baixar, confira o endereço na barra do navegador. Um site como adobe-reader-download.net não é o site da Adobe.

Arquivos PDF e Word são seguros?

Não necessariamente. Documentos podem conter macros ou scripts que executam código malicioso. Se você receber um PDF ou arquivo Word de remetente desconhecido pedindo para “habilitar edição” ou “ativar macros”, não faça isso.

Extensões do navegador

Uma extensão instalada tem acesso a tudo que você faz no navegador: sites que visita, o que digita, dados de formulários. Instale apenas extensões de fontes conhecidas e remova as que você não usa ou não reconhece. Para ver quais extensões estão instaladas no Chrome, acesse chrome://extensions.

Aprenda a reconhecer golpes antes de cair

O padrão é sempre urgência. A mensagem cria uma situação que exige ação imediata. E aí você age sem pensar.

Golpes que chegam por e-mail e SMS

Alguns exemplos reais que circulam no Brasil:

“Detectamos uma compra suspeita no valor de R$ 1.847,00. Clique aqui para cancelar.”

“Seu pacote está retido. Pague a taxa de R$ 4,90 para liberar a entrega.”

“Sua fatura está disponível. Acesse para evitar o bloqueio da sua conta.”

A regra é simples: não clique no link da mensagem. Abra o aplicativo oficial do banco ou da loja no celular, ou acesse o site digitando o endereço manualmente. Se não tiver nenhum aviso por lá, era golpe.

Golpes pelo WhatsApp

Os mais comuns:

“Oi, troquei de número. Me salva aí! Preciso de um Pix urgente, meu limite estourou.”

“Mãe, esse é meu número novo. Está acontecendo uma emergência, me manda R$ 500.”

Nunca faça transferência apenas porque alguém pediu por mensagem. Ligue para a pessoa no número antigo que você já conhece. Se não der, faça uma chamada de vídeo antes de qualquer coisa.

Falso funcionário do banco

Alguém liga dizendo que sua conta foi comprometida e pede que você instale um aplicativo de “suporte remoto” para resolver. Ou pede que você faça um Pix para uma “conta segura temporária”.

Bancos não fazem isso. Desligue e ligue você mesmo para o número que está no verso do cartão ou no site oficial.

Voz clonada com inteligência artificial

Esse é mais recente e mais assustador. Criminosos pegam áudios de redes sociais e usam IA para clonar a voz de uma pessoa. Depois ligam para familiares fingindo ser ela em situação de emergência.

Uma medida simples: combine uma palavra-chave com sua família para usar em situações de emergência real. Se a pessoa não souber a palavra, é golpe.

Como proteger o navegador

O navegador é o programa que você mais usa e o que mais expõe dados sensíveis: senha do banco, cartão de crédito, e-mail, documentos.

Mantenha o navegador atualizado

Chrome, Firefox e Edge atualizam automaticamente, mas só aplicam a atualização quando você fecha e reabre. Feche o navegador pelo menos uma vez por dia.

Remova extensões que você não usa

Uma extensão instalada há dois anos e esquecida ainda tem acesso ativo ao seu navegador. Acesse a lista de extensões e remova tudo que você não reconhece ou não usa.

Cuidado com pedidos de notificação

Alguns sites pedem que você clique em “Permitir” para confirmar que não é robô. O que estão pedindo, na verdade, é permissão para enviar notificações. Depois aparecem falsos avisos de vírus e anúncios invasivos direto na tela, mesmo com o navegador fechado. Clique em “Bloquear” sempre que aparecer esse pedido de um site desconhecido.

Confira o endereço antes de digitar dados

Antes de inserir senha ou número de cartão, olhe o endereço na barra do navegador. Um site falso pode ser idêntico visualmente ao original, mas o endereço vai ser diferente. bradescoo.com.br em vez de bradesco.com.br, por exemplo.

VPN: quando realmente vale a pena

VPN cria um túnel protegido entre seu computador e a internet. Tudo que você envia e recebe passa criptografado.

O que a VPN faz

Protege sua conexão em Wi-Fi público, como em aeroportos, hotéis, cafés e shoppings. Nesses ambientes, outras pessoas na mesma rede poderiam interceptar dados não criptografados. A VPN impede isso. Também esconde seu endereço IP real dos sites que você acessa.

O que a VPN não faz

Não protege contra vírus. Não impede golpes pelo WhatsApp. Não salva você se digitar a senha em um site falso. Não torna você anônimo na internet.

VPN gratuita é segura?

Na maioria dos casos, não. Serviços gratuitos precisam se manter de alguma forma. Geralmente é vendendo dados de navegação dos usuários ou exibindo anúncios invasivos. Se você viaja com frequência ou usa muito Wi-Fi público, vale pagar por um serviço reconhecido.

Proteja o Wi-Fi e o roteador

O roteador é a porta de entrada da internet na sua casa. Se ele estiver vulnerável, todo dispositivo conectado a ele corre risco.

Troque a senha de administrador

Existe uma diferença importante: a senha do Wi-Fi (que você usa para conectar dispositivos) e a senha de administrador do roteador (que dá acesso às configurações). A segunda costuma ser admin/admin ou admin/1234 de fábrica. Qualquer pessoa na sua rede pode acessar as configurações com isso.

Para trocar, acesse o endereço 192.168.1.1 ou 192.168.0.1 no navegador (o endereço exato está no manual ou na etiqueta embaixo do roteador), faça login com as credenciais atuais e troque a senha de administrador.

Crie uma rede separada para visitas

A maioria dos roteadores modernos permite criar uma “rede de convidados”. Quando alguém for visitar, conecte pelo celular delas nessa rede separada. Assim ela acessa a internet normalmente, mas não tem acesso aos seus dispositivos e arquivos locais.

Atualize o firmware do roteador

O firmware é o sistema do roteador. Fabricantes lançam atualizações de segurança que muita gente nunca instala. Verifique nas configurações do roteador se há atualização disponível.

Faça backup dos seus arquivos

Se o seu computador quebrar hoje, você perde o quê?

Programas são fáceis de reinstalar. Fotos de viagem, documentos de trabalho, projetos em andamento e arquivos pessoais são muito mais difíceis de recuperar. Às vezes impossível.

Para uso pessoal

Google Drive, OneDrive ou iCloud já resolvem bem. Mantenha os arquivos mais importantes sincronizados automaticamente na nuvem. Funciona em segundo plano sem você precisar fazer nada.

Para quem tem arquivos críticos de trabalho

Use a regra 3-2-1: três cópias dos dados, em dois lugares diferentes, sendo uma fora de casa. Na prática: o arquivo no computador, uma cópia em HD externo e outra no Google Drive. Se o computador pegar fogo, o HD externo que estiver na gaveta também some. A cópia na nuvem sobrevive.

E se o computador for roubado?

A senha de login do Windows impede o acesso casual, mas não protege se alguém retirar o disco rígido e conectar em outro computador. A criptografia do disco resolve isso.

No Windows, procure por BitLocker nas configurações de segurança. No macOS, é o FileVault, nas preferências do sistema. Com a criptografia ativa, os dados ficam ilegíveis sem a senha correta, mesmo que o ladrão tire o disco.

Configure também o bloqueio automático de tela após alguns minutos sem uso. E ative a localização do dispositivo. No Mac é o Find My, no Windows é o “Encontrar meu dispositivo”. Ambos ajudam a rastrear se o equipamento for roubado.

O computador pode estar infectado?

Alguns sinais que merecem atenção:

  • Programas abrindo sozinhos que você não iniciou
  • Navegador mudando de página inicial ou instalando extensões sem você pedir
  • Anúncios aparecendo fora do navegador, diretamente na área de trabalho
  • Computador ficando lento do nada, sem atualização em andamento
  • Antivírus sendo desativado sem que você tenha feito isso
  • Contas com acessos de locais que você não reconhece

Se perceber algum desses sinais, desconecte o computador da internet para evitar que dados sejam enviados para fora. Não entre em contas importantes por esse computador. Rode uma verificação completa pelo antivírus. Remova programas desconhecidos pela lista de aplicativos instalados. Se o problema persistir, troque as senhas das contas principais usando outro dispositivo.

Acontece. O importante é agir rápido.

Só abriu a página, não fez nada

Feche imediatamente. Se você não digitou nada, não baixou arquivo e não instalou programa, o risco é baixo. Fique de olho se o computador começar a se comportar de forma estranha nos próximos dias.

Digitou sua senha

Troque a senha naquele serviço agora. Se você usava a mesma senha em outros lugares, troque nesses também. Ative a verificação em duas etapas se ainda não tiver feito.

Informou dados do cartão

Entre em contato com o banco ou operadora imediatamente. Peça o bloqueio do cartão e monitore as transações.

Fez um Pix

Ligue para o banco o quanto antes e relate o caso. Existe um mecanismo de devolução de Pix em casos de golpe, mas o prazo é curto e o processo depende de iniciativa rápida.

Baixou ou instalou algo

Não abra o arquivo. Apague da pasta de downloads. Se já instalou o programa, desinstale e faça uma verificação completa com o antivírus.

Checklist final

Antes de fechar esse guia, vale conferir:

  • Windows ou macOS configurado para atualizar automaticamente
  • Antivírus ativo (Defender ou outro de sua escolha)
  • Senhas diferentes para e-mail, banco e redes sociais
  • Gerenciador de senhas instalado
  • Verificação em duas etapas ativa no e-mail e no banco
  • Extensões desnecessárias removidas do navegador
  • Senha de administrador do roteador trocada
  • Backup dos arquivos importantes configurado
  • Criptografia do disco ativa (BitLocker ou FileVault)

Você não precisa fazer tudo de uma vez. Comece pelo e-mail e pelo banco, que são as contas mais críticas. O resto vai no ritmo que der.

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