Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe do falso investimento
DM Online
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13:38 | Atualizado há 2 horas
Uma aposentada de 70 anos teve prejuízo superior a R$ 37 milhões após ser vítima de um esquema de falsos investimentos pela internet. O caso desencadeou uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (13), com cumprimento de mandados em três estados.
Batizada de Operação Criptoabate, a ação investiga suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo.
Vítima acreditava estar fazendo investimentos
O esquema teria se desenvolvido ao longo de aproximadamente seis meses. A vítima acreditava que realizava aplicações financeiras e era orientada por pessoas que se apresentavam como especialistas. Os contatos aconteciam também por meio de grupos de mensagens, onde eram apresentadas oportunidades de investimento e promessas de rentabilidade.
As plataformas utilizadas pelos suspeitos simulavam ambientes legítimos de investimento. Dessa forma, a aposentada conseguia visualizar supostos rendimentos, o que reforçava a impressão de que o dinheiro aplicado estava gerando lucro.
A fraude ficou mais evidente quando a vítima tentou retirar os recursos. Os saques foram bloqueados e novas cobranças passaram a ser exigidas para uma suposta liberação do dinheiro.
Segundo a investigação, a mulher havia recebido parte significativa dos recursos por meio de herança e acabou realizando sucessivos aportes até acumular o prejuízo milionário.
Dinheiro era pulverizado em contas
A apuração policial identificou uma estrutura criada para dificultar o rastreamento dos valores. O dinheiro transferido pelas vítimas passava por diferentes contas e parte dos recursos era posteriormente convertida em criptoativos.
Entre os alvos das ordens de prisão estão proprietários de três instituições financeiras, dois estrangeiros e uma gerente de instituição financeira tradicional. De acordo com a investigação, ela teria facilitado a abertura de contas utilizadas para movimentar recursos ligados ao esquema.
Em apenas três dias de movimentações analisadas pelos investigadores, foram rastreados cerca de 675 mil USDT, criptoativo cujo valor acompanha o dólar. A utilização de ativos digitais seria uma das estratégias empregadas para movimentar o dinheiro e dificultar sua recuperação.
Polícia identifica outras possíveis vítimas
A investigação não está limitada ao prejuízo de R$ 37 milhões. A polícia já identificou pelo menos 140 pessoas que podem ter sido atingidas pelo esquema. O material recolhido durante as buscas deverá ser analisado para identificar outros envolvidos, localizar patrimônio e dimensionar o alcance financeiro das fraudes.
Até as primeiras atualizações divulgadas nesta quinta-feira, pelo menos duas pessoas haviam sido presas durante a operação. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito e o caminho percorrido pelo dinheiro das vítimas.