Governo Trump acusa Brasil de participar de esquema chinês para evitar tarifas
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 09:43 | Atualizado há 3 horas
Governo Trump aponta o Brasil entre os países ligados a uma suposta rede de transbordo chinês | Foto: Getty Images
As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e à China ganharam um novo capítulo na última quinta-feira (13). Um documento divulgado pela Casa Branca colocou o Brasil entre 41 países que, segundo o governo de Donald Trump, estariam inseridos em uma rede utilizada para facilitar a entrada de produtos chineses no mercado norte-americano com redução ou desvio de tarifas.
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A acusação está em um relatório chamado “O Grande Esquema do Transbordo”, no qual Washington detalha o que considera uma estrutura internacional criada para contornar medidas comerciais. O governo norte-americano afirma que mercadorias podem passar por outros países antes de chegar aos Estados Unidos, dificultando a identificação de sua origem e permitindo que determinadas tarifas sejam evitadas.
Na avaliação apresentada no documento, o Brasil teria importância dentro dessa estrutura por sua capacidade industrial e logística. O país é descrito pelos Estados Unidos como uma grande plataforma regional de produção e distribuição, que poderia permitir a alteração ou transformação de determinados produtos antes de sua chegada ao destino final.
O relatório não coloca todos os países envolvidos no mesmo patamar. O Brasil aparece no chamado “nível 2” da classificação criada pelo governo norte-americano para representar a suposta “rede de transbordo nas sombras”. Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã também estão nessa categoria.
América Latina aparece entre as rotas investigadas
A lista apresentada por Washington também aponta uma possível estrutura regional na América Latina. Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru são associados aos chamados “corredores latino-americanos”, que, segundo o documento, fariam parte da rede utilizada para movimentar mercadorias relacionadas ao suposto esquema chinês.
O governo dos Estados Unidos calcula que esse tipo de operação provoque perdas de US$ 40 bilhões a US$ 300 bilhões para a economia norte-americana. A estimativa considera os efeitos da entrada de produtos que, conforme a acusação, conseguem escapar parcial ou totalmente das tarifas que seriam aplicadas caso fossem enviados diretamente ao país de origem.
A publicação ocorre em um cenário de forte tensão comercial entre Washington, Pequim e Brasília. A China está atualmente sujeita a uma tarifa de 50% sobre suas importações para os Estados Unidos.
O Brasil também passou a enfrentar novas barreiras comerciais durante o governo Trump. No último mês, os Estados Unidos anunciaram duas sobretaxas sobre produtos brasileiros, que, somadas, elevaram a carga tarifária aplicada ao país para 37,5%.