Roger trata clássico como final, enquanto Guto e Dellatorre projetam reação do Vila Nova
Léo Carvalho
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 15:22 | Atualizado há 2 horas
Roger, Guto e Dellatorre falaram sobre preparação e expectativa para o clássico deste sábado (15), às 16h, no Accioly | Foto: Reprodução
O clássico entre Atlético-GO e Vila Nova, marcado para este sábado (15), às 16h, no Estádio Antônio Accioly, em Goiânia, ganhou status de decisão para o técnico Roger Silva. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (14), na sede do Dragão, o treinador destacou a evolução da equipe nas últimas rodadas e afirmou que o objetivo é entrar no G6 da Série B o quanto antes.
O Atlético-GO chega ao confronto em trajetória de crescimento. Nos últimos cinco jogos, o time conquistou três vitórias e dois empates, sequência que aumentou a confiança do elenco e colocou o clube novamente próximo da zona de classificação para os playoffs de acesso.
Com 32 pontos, o Dragão ocupa a nona colocação e está a dois pontos do Vila Nova, que aparece em quinto, com 34. O Tigrão, entretanto, atravessa momento distinto, com quatro derrotas e apenas uma vitória nas últimas cinco partidas.
Para Roger, o momento positivo do Atlético-GO precisa ser mantido justamente em um confronto que envolve fatores além da disputa pela tabela. “É um clássico, é um jogo especial. Mexe com a cidade, mexe com a imprensa, com o torcedor”, afirmou o treinador.

O técnico ressaltou que a equipe precisa repetir as características apresentadas durante sua sequência invicta, principalmente em intensidade, competitividade e nível de atuação. Segundo Roger, as substituições também têm contribuído para o desempenho do time durante as partidas.
A expectativa é de um jogo equilibrado e de grande importância para as pretensões do Atlético-GO. O treinador afirmou que encara o clássico como uma final e reforçou que todos os jogos precisam ser tratados com a mesma intensidade. “A gente precisa estar no G6 o quanto antes, firmar ali dentro, onde é o nosso lugar, onde esse grupo foi montado para estar”, declarou.
Clássico exige pouca motivação
Roger também avaliou que um confronto dessa dimensão exige menos trabalho motivacional por parte da comissão técnica. Na visão do treinador, a própria importância do clássico já coloca os jogadores em um nível elevado de concentração.
Por isso, a preparação tem sido concentrada principalmente nos aspectos táticos. Roger explicou que os ajustes estão relacionados a situações específicas de marcação, posicionamento e estratégia para enfrentar o Vila Nova. “Esse tipo de jogo você precisa motivar muito pouco o atleta”, disse.
O treinador também afirmou que todos no Atlético-GO estão conscientes da importância do confronto para os objetivos do clube na Série B.

Concentração antecipada
Como parte da preparação para o clássico, Roger decidiu concentrar o elenco dois dias antes da partida. A medida, segundo ele, foi tomada para priorizar o descanso e controlar aspectos da rotina dos jogadores após uma sequência de treinos intensos.
A equipe realizou trabalhos fortes durante terça, quarta e quinta-feira, e a comissão técnica avaliou que seria importante preservar os atletas antes do duelo.
Roger explicou que, na concentração, o clube consegue acompanhar de maneira mais próxima horários de alimentação, descanso e sono. Para o treinador, em uma partida equilibrada como um clássico, pequenos detalhes podem influenciar o resultado. “Um clássico você ganha, eu acredito, por ter jogado alguns, nos mínimos detalhes”, afirmou.
Apesar da decisão, Roger deixou claro que não pretende transformar a concentração antecipada em uma regra permanente. Para ele, os jogadores também precisam desenvolver responsabilidade sobre descanso e alimentação.
Marrony será esperado até o último momento
Um dos principais pontos da entrevista foi a situação do meia-atacante Marrony, que retorna após cumprir suspensão e ainda é tratado com cautela pela comissão técnica.
Roger afirmou que o jogador será aguardado até o último momento antes da definição da equipe. Segundo o treinador, Marrony tem realizado trabalhos específicos e ainda poderá ser testado antes da partida. “É um jogador de nossa confiança. É um cara que, para mim, é um dos melhores jogadores da Série B. Acho que ele está acima da Série B”, declarou.

Além de Marrony, o Atlético-GO terá o retorno do lateral-esquerdo Guilherme Lopes, que também cumpriu suspensão no empate diante do Náutico. Roger também destacou que o elenco trabalha de forma integrada nos treinamentos, o que, segundo ele, reduz possíveis problemas de entrosamento quando alterações são necessárias.
O treinador explicou que não costuma fazer atividades táticas exclusivamente com os jogadores que iniciarão as partidas. Dessa forma, todo o grupo participa dos trabalhos relacionados aos sistemas de marcação e às movimentações ofensivas e defensivas.
A ideia permite que os atletas estejam preparados para assumir funções diferentes durante a competição.
Roger Silva reencontra Guto Ferreira
O clássico também terá um componente especial para Roger Silva. Do outro lado estará Guto Ferreira, treinador que comandou Roger quando ele ainda era jogador da Ponte Preta, em 2012.
Roger lembrou a relação construída com o atual técnico do Vila Nova e destacou o respeito que mantém pelo comandante adversário. Naquele período, além de ter marcado gols importantes, Roger foi capitão da equipe dirigida por Guto.
O atual treinador do Dragão classificou Guto como um profissional extremamente inteligente e tático, destacando também o trabalho desenvolvido ao longo dos anos com sua comissão técnica.
Apesar da relação de respeito e amizade, Roger deixou claro que pretende sair vencedor do reencontro. “Tenho grande carinho por ele, muito respeito. Enfim, é sempre um prazer enfrentar”, afirmou.

Rivalidade pode fortalecer futebol goiano
Roger também comentou a disputa entre Atlético-GO, Vila Nova e Goiás pelas primeiras posições da Série B. Para o treinador, os três clubes têm condições de brigar pelo acesso até o fim da competição.
O técnico citou a evolução das equipes e avaliou que o crescimento dos principais clubes da capital também pode contribuir para o fortalecimento do futebol goiano.
Roger utilizou como comparação a situação do futebol de Campinas, cidade onde nasceu, e destacou que a queda de clubes tradicionais para divisões inferiores prejudicou a força da rivalidade local.
Na avaliação do treinador, quando os rivais estão em bom momento, existe uma cobrança natural para que cada clube também evolua. “Quando o teu rival está bem, está num momento, você se cobra para estar melhor, para crescer, para crescer como clube, crescer como instituição”, afirmou.
Para Roger, Atlético-GO, Vila Nova e Goiás têm potencial para permanecer na disputa pelo acesso até as últimas rodadas da Série B.
Vila Nova tenta reagir
O Vila Nova chega ao clássico na quinta colocação, com 34 pontos, mas tenta reagir após uma sequência de quatro derrotas nas últimas cinco rodadas. O momento fez o Tigre perder posições na tabela e colocou em risco a permanência no G6.
Para o confronto, o Vila terá o retorno do lateral-esquerdo Willian Formiga, que cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo. O volante Willian Maranhão e os atacantes Bruno Xavier e Ryan, recuperados de lesão, também podem ficar à disposição.
Em entrevista coletiva nesta semana, o técnico Guto Ferreira comentou a derrota para o Sport, por 1 a 0, resultado que marcou a primeira derrota do Vila Nova em casa na Série B 2026. Questionado sobre a possibilidade de aumento da pressão após o resultado, o treinador afirmou que a cobrança faz parte da rotina do clube.

Segundo Guto, quem trabalha no Vila Nova conhece a responsabilidade que envolve defender o clube e precisa saber lidar com a pressão independentemente do momento vivido pela equipe.
Para o clássico, o treinador destacou o respeito pelo Atlético-GO e a importância de o Vila Nova estar preparado para o confronto. A equipe busca interromper a sequência negativa e voltar a vencer na Série B.
“O clássico é sempre muito difícil, divide bastante a responsabilidade. O jogo é em Goiânia, eles vão estar nos domínios deles, pode ter um leve favorecimento, mas, como eu falo, clássico é clássico. Então, tudo pode acontecer. O que nós temos que fazer é nos preparar da melhor maneira possível. Não podemos nos jogar para baixo, não podemos aceitar essa situação. Temos que reverter e chegar fortes, porque é difícil, mas uma vitória no clássico já começa a reverter tudo”, afirmou o Guto.
Dellatorre também destacou a importância da concentração e da entrega do Vila Nova para o clássico. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (14), o atacante reconheceu a evolução do Atlético-GO nas últimas rodadas, mas afirmou que o Tigre precisa voltar a apresentar o futebol mostrado no primeiro turno.
“Vontade não está faltando, entrega não está faltando. A gente sabe que clássico são detalhes, então a gente tem que estar muito concentrado. A gente vai jogar contra um adversário muito difícil, que tem crescido dentro da competição, mas temos que pensar para a gente, voltar a fazer o que a gente estava fazendo bem dentro do primeiro turno. A gente tem trabalhado muito essa semana para poder evoluir”, afirmou Dellatorre.
