Romaria do Muquém preserva tradição de 72 anos em meio a milhares de romeiros
Redação Online
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 20:44 | Atualizado há 2 horas
Romaria do Muquém preserva fé e memórias familiares há gerações | Foto: Divulgação
A Romaria de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém mantém uma tradição que atravessa gerações em Niquelândia, no Norte de Goiás. O distrito recebe milhares de fiéis durante a celebração, que ocorre entre os dias 05 e 15 de agosto e transforma a região em uma grande área de peregrinação e acampamento. O Santuário possui cerca de 2,3 mil espaços destinados aos romeiros. Muitas famílias permanecem no local por vários dias e preservam o costume como 0parte da própria história.
Agostina representa uma dessas memórias. Ela chegou ao Muquém pela primeira vez em 1954, quando levou a filha, então com apenas um ano de idade. Naquele período, a viagem exigiu cerca de cinco dias a cavalo. Os romeiros levaram alimentos, roupas e cobertas nos animais e precisaram improvisar locais para passar as noites.
O trajeto ainda incluiu travessias de rios. Em alguns pontos, os pertences seguiram em canoas, enquanto os cavalos atravessaram a água sob a condução dos peregrinos. Uma dessas situações ficou marcada na lembrança de Agostina. O irmão dela, com aproximadamente 12 anos, ficou assustado ao precisar conduzir o próprio animal durante uma travessia. Ao dizer que estava com dor na barriga, o menino conseguiu ajuda de outro integrante do grupo. Quando descobriu que não precisaria mais puxar o cavalo, a suposta dor desapareceu.
Setenta e dois anos depois daquela primeira viagem, a realidade dos peregrinos mudou. Os acampamentos passaram a ocupar áreas maiores e alguns ultrapassam 100 m². A estrutura atual permite que famílias inteiras permaneçam no distrito durante a programação religiosa, com condições diferentes das encontradas pelos antigos romeiros.
A devoção também ultrapassa os limites do acampamento. Milhares de pessoas percorrem cerca de 45 quilômetros pela GO-237, no trecho conhecido como Rodovia da Fé, entre Niquelândia e Muquém. A caminhada integra os momentos de maior significado para os fiéis e reforça a dimensão popular da celebração.
As mudanças nas estradas, nos transportes e na estrutura do santuário não afastaram os devotos da tradição. A história de Agostina mostra a distância entre a antiga peregrinação e a realidade atual, mas também revela um elemento que permaneceu: a fé transmitida dentro das famílias.
A romaria, iniciada em 1748, continua como uma das principais manifestações religiosas de Goiás e reúne gerações de fiéis no Muquém.