Caiado critica Lula e Flávio e cobra “autoridade moral” de presidenciáveis
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 09:53 | Atualizado há 2 horas
Ronaldo Caiado disse não ter “nada para esconder” e cobrou transparência de outros presidenciáveis | Foto: Reprodução
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quinta-feira (20) que os postulantes ao cargo precisam apresentar, além de propostas, o que classificou como “autoridade moral” para governar o país. Durante entrevista ao SBT News, o ex-governador de Goiás direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários na corrida eleitoral.
Ao defender o próprio nome para a disputa, Caiado afirmou que não possui envolvimento com irregularidades e que, por isso, não teria motivos para esconder informações sobre sua trajetória. Na avaliação dele, um candidato que pretende representar a centro-direita não pode chegar ao debate eleitoral precisando se explicar por suspeitas ou denúncias.
O ex-governador também criticou a postura de Lula e afirmou que governar não significa adotar uma postura de confronto ou utilizar a posição ocupada para proteger familiares envolvidos em denúncias. A declaração foi uma referência direta ao filho do presidente, Lulinha, a quem Caiado associou às acusações que têm sido discutidas no cenário político.
Ainda segundo o candidato, Lula e Flávio Bolsonaro não devem participar do primeiro debate presidencial, previsto para domingo (23). Mais cedo, Caiado havia afirmado que os dois deixariam de comparecer ao encontro porque, na avaliação dele, teriam “muito a esconder”.
Caiado questiona postura de Lula em casos envolvendo aliados e filho
As críticas de Ronaldo Caiado a Lula também passaram pelas acusações envolvendo o filho do presidente, Lulinha. Durante a entrevista, o candidato do PSD sustentou que o governo federal estaria atuando em defesa do filho do petista e usou o episódio para questionar a postura de Lula diante de suspeitas de corrupção.
Caiado também mencionou Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, citado como ex-chefe de gabinete, e contestou manifestações públicas feitas pelo presidente em defesa dele. Para o candidato, a forma como Lula tratou o assunto teria reduzido a gravidade das acusações.
Na avaliação de Caiado, a declaração do presidente sobre a possibilidade de alguém pedir dinheiro emprestado a um amigo não seria adequada diante das responsabilidades do cargo. O ex-governador afirmou que a postura representa, na visão dele, uma forma de tolerância do PT com situações relacionadas à corrupção.
O candidato voltou a associar o episódio à defesa de Lulinha e afirmou que a estrutura do governo estaria sendo utilizada para beneficiar o filho do presidente. As declarações foram apresentadas por Caiado como um dos motivos pelos quais ele questiona a capacidade de Lula de conduzir o país sob os critérios de autoridade moral que defende para a disputa presidencial.
Ao tratar da própria candidatura, Caiado fez uma distinção entre sua trajetória e a dos adversários que critica. Ele afirmou que não responde por envolvimento em irregularidades e que pretende chegar à disputa eleitoral sem precisar concentrar a campanha em explicações sobre acusações relacionadas à sua conduta.
Na avaliação do candidato, esse seria um requisito especialmente importante para quem pretende ocupar o campo da centro-direita na eleição presidencial.
Candidato nega ataques a Flávio Bolsonaro
As críticas a Flávio Bolsonaro também foram abordadas durante a entrevista. Caiado rejeitou a afirmação de que esteja atacando o senador e disse que suas manifestações têm como objetivo cobrar explicações sobre situações relacionadas ao parlamentar.
Entre os assuntos mencionados estão o Caso Master e a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro no filme Dark Horse. Para Caiado, candidatos à Presidência precisam apresentar transparência e não podem utilizar apenas a presunção de inocência como resposta aos questionamentos feitos durante a campanha.
O ex-governador afirmou ainda que a disputa presidencial, em sua avaliação, será marcada principalmente por uma avaliação moral dos candidatos. Por isso, considera que ter autoridade moral é fundamental para quem pretende assumir o comando do país e promover mudanças.
Caiado também rejeitou a possibilidade de suas críticas afastarem eleitores identificados com o bolsonarismo. Ao comentar a tentativa de conquistar esse segmento do eleitorado, afirmou que a eleição presidencial não deve funcionar como uma espécie de sucessão familiar.
Para o candidato, a escolha do próximo presidente deve levar em conta mérito, trabalho, trajetória e exemplo de vida, e não uma transferência de apoio baseada exclusivamente em vínculos familiares.
Caiado rejeita perda de apoio no agronegócio
Outro tema abordado na entrevista foi a relação de Caiado com o agronegócio. Questionado sobre o apoio de parte do setor à candidatura de Flávio Bolsonaro, o candidato negou ter perdido espaço entre os produtores rurais.
Caiado destacou que mantém uma relação antiga com a agropecuária brasileira e afirmou que sua atuação em defesa do setor começou em 1986, período em que, segundo ele, o agronegócio ainda não tinha a projeção que possui atualmente.
O ex-governador afirmou que conhece a realidade da agropecuária por ter defendido o segmento antes de ele se tornar associado aos conceitos de “pop” e “tech”. Segundo Caiado, atualmente muitos políticos e grupos passaram a se apresentar como defensores do setor, mas não estavam envolvidos nessa defesa quando ele iniciou sua atuação.
Ele também rejeitou ser classificado como alguém que se aproximou recentemente do agronegócio por conveniência eleitoral e reforçou que considera sua trajetória no setor anterior ao atual cenário de popularização da pauta.