Política

Caiado quer pacificar o Brasil e superar polarização para retomar prioridades, diz ao JN

Redação Online

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 00:11 | Atualizado há 34 minutos

Ronaldo Caiado apresenta propostas para economia, segurança pública e pacificação política durante entrevista ao Jornal Nacional | Foto: Divulgação/Rede Globo
Ronaldo Caiado apresenta propostas para economia, segurança pública e pacificação política durante entrevista ao Jornal Nacional | Foto: Divulgação/Rede Globo

Ronaldo Caiado (PSD) defendeu a superação da polarização política como ponto de partida para o Brasil concentrar esforços nos principais desafios nacionais. Em entrevista a César Tralli e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de terça-feira (25/08), o candidato à Presidência afirmou que pretende construir um ambiente de pacificação que permita recolocar economia, segurança pública, saúde, educação e desenvolvimento no centro das prioridades do país.

Segundo Caiado, o prolongamento das disputas políticas compromete o debate sobre questões que afetam diretamente a população e reduz a capacidade de construção de soluções para problemas estruturais. “Precisamos acabar com essa polarização. Nós temos que pacificar o país”, declarou. O presidenciável defendeu uma mudança de agenda, com maior espaço para propostas, gestão e resultados.

Ao responder a César Tralli e Renata Vasconcellos, Caiado associou a pacificação à retomada de uma agenda política baseada em propostas. Para o candidato, disputas que mantêm o país dividido retiram espaço de questões estruturais e dificultam a construção de soluções de longo prazo.

O ex-governador de Goiás citou sua trajetória parlamentar e afirmou que sempre respeitou resultados eleitorais e regras democráticas. Também recorreu a episódios históricos de anistia para sustentar que o instrumento pode contribuir para encerrar ciclos de conflito e permitir a retomada da agenda nacional.

Na economia, Caiado apresentou disciplina fiscal como condição para recuperar a capacidade de investimento do governo federal. O candidato propôs uma emenda constitucional para estabelecer limite às despesas da União, com correção pela inflação e teto de 50% do Produto Interno Bruto (PIB).

A revisão alcançaria subvenções, incentivos fiscais, salários considerados excessivos e recursos de emendas parlamentares aplicados fora das prioridades estabelecidas pelo governo. Caiado afirmou que pretende atacar desperdícios e distorções antes de transferir o custo do ajuste à população.

O candidato também criticou o atual arcabouço fiscal e associou equilíbrio das contas públicas à recuperação da confiança na economia. Na avaliação dele, maior previsibilidade fiscal abrirá espaço para redução dos juros, retomada do crédito e expansão dos investimentos.

Caiado também defendeu uma revisão de pontos da reforma tributária. Embora tenha reconhecido a importância da simplificação do sistema, afirmou que algumas regras precisam ser reavaliadas para evitar efeitos negativos sobre profissionais liberais, autônomos, microempreendedores e outros segmentos.

Ao abordar o endividamento das famílias e empresas, criticou as políticas de renegociação adotadas pelo governo Lula. O presidenciável afirmou que pretende criar condições econômicas para levar os juros a 6% e a inflação a 3%.

Estrutura de cooperação entre o Brasil e países vizinhos para enfrentar narcotráfico

A segurança pública ocupou parte expressiva da entrevista. Caiado propôs uma estrutura de cooperação entre o Brasil e países vizinhos para enfrentar narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. O sistema teria central de inteligência, suporte tecnológico e intercâmbio de informações.

O candidato defendeu ainda o uso de patrimônio confiscado das organizações criminosas para financiar ações contra as facções. A estratégia incluiria articulação com o Poder Judiciário para acelerar decisões sobre bens apreendidos e reforçar a estrutura destinada ao combate ao crime organizado.

Caiado descartou a presença de militares norte-americanos no território brasileiro para executar essa política, mas admitiu parcerias internacionais para acesso a tecnologias avançadas, satélites, inteligência artificial e sistemas de monitoramento.

O candidato utilizou resultados de Goiás como credencial para defender seu modelo nacional. Citou a recuperação fiscal do Estado e avanços em educação, segurança pública, saúde e capacidade de investimento como demonstração de que considera possível reorganizar as contas sem comprometer serviços essenciais.

Para Caiado, o Brasil necessita de um “choque de autoridade moral” capaz de restabelecer confiança, fortalecer o comando do Estado e enfrentar a corrupção. O presidenciável apresentou esse conceito como elemento central para viabilizar reformas e recuperar a capacidade de execução do governo federal.

Ao defender a anistia, Caiado voltou a situar a proposta dentro de uma estratégia de pacificação. O candidato afirmou que, após a apreciação do Congresso, pretende deslocar o centro do debate político para os desafios econômicos e sociais do país.

A mensagem apresentada no Jornal Nacional foi a de que a próxima gestão deverá substituir o confronto permanente por uma agenda de resultados. Para Caiado, superar divisões, reorganizar as contas públicas e recuperar a autoridade do Estado são etapas necessárias para abrir um novo ciclo político no Brasil.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia