Bolsa sobe mais de 1% com alta do petróleo após novos ataques dos EUA ao Irã
Léo Carvalho
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 14:32 | Atualizado há 2 horas
Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (31), impulsionado pelo avanço das ações de empresas petrolíferas | Foto: Divulgação
A Bolsa brasileira opera em forte alta nesta segunda-feira (31), em meio à repercussão da retomada dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e favoreceu as ações de empresas do setor na B3.
Por volta das 12h40, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, avançava 1,02%, aos 177.472 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a subir 1,66%, aos 178.585 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar recuava 0,35%, cotado a R$ 5,177 no mesmo horário. O movimento acompanhava a tendência observada no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a seis das principais divisas globais, registrava queda de 0,30%.
Ataques elevam preço do petróleo
O movimento dos mercados ocorre após novos episódios de confronto entre Estados Unidos e Irã. No domingo (30), forças norte-americanas atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz.
Segundo o Centcom, Comando Central do Exército dos Estados Unidos, a ação foi classificada como “limitada e precisa” e teve como alvo forças da Guarda Revolucionária iraniana que, segundo os norte-americanos, representavam uma ameaça à região estratégica.
Esse foi o primeiro ataque conhecido dos Estados Unidos contra o Irã desde o fim de julho. Em reação, a Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas norte-americanas na Jordânia e alegou ter provocado “graves danos”.
A intensificação do conflito trouxe impacto direto para o mercado de petróleo. Por volta das 11h40, o barril do Brent, referência internacional da commodity, subia 2,97%, negociado a US$ 90,71.
A valorização beneficia as empresas petrolíferas negociadas na Bolsa brasileira. No mesmo horário, as ações preferenciais da Petrobras avançavam 3,85%, enquanto Prio e PetroReconcavo registravam altas de 2,87% e 1,69%, respectivamente.
Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a retomada do conflito contribui para a valorização do Ibovespa justamente pelo peso das companhias de petróleo na composição do índice.
“A retomada do conflito no Oriente Médio volta a pressionar o petróleo, o que, de certa forma, favorece o Ibovespa por conta do desempenho das empresas petrolíferas, que estão tendo uma abertura positiva. Isso está contribuindo para a alta da Petrobras, que tem um peso bastante grande no índice.”
Mercado acompanha riscos para oferta de petróleo
Além da reação imediata aos ataques, investidores monitoram os possíveis efeitos do conflito sobre a produção e o escoamento de petróleo iraniano.
Segundo Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, o mercado passou a trabalhar com um prêmio de risco maior diante das incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados.
“Analistas trabalham com um prêmio de risco mais elevado pelas incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados e pela retomada das ofensivas diretas entre Washington e Teerã.”
Para o analista, a nova escalada também reduz as expectativas de avanço nas negociações diplomáticas entre os dois países.
Conflito também pesa sobre decisões de juros
A guerra no Oriente Médio também entrou no radar das autoridades monetárias. Tanto o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, quanto o Banco Central brasileiro consideram os efeitos do conflito entre os fatores que podem influenciar suas decisões de política monetária.
A elevação dos preços do petróleo pode aumentar as pressões inflacionárias e, consequentemente, interferir nas perspectivas para os juros em diferentes economias.
Eleições brasileiras entram no radar
Além do cenário internacional, investidores acompanham a disputa eleitoral brasileira de 2026. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47,1% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que aparece com 42,6%.
A diferença é menor que a registrada no levantamento de julho, quando Lula tinha 49,2% e Flávio, 42,9%. A margem de erro da pesquisa é de um ponto percentual.
Também nesta segunda-feira (31), a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 31%. No levantamento anterior, considerando a presença de Pablo Marçal, os dois tinham 40% e 34%, respectivamente.
No cenário sem Marçal, Lula aparece com 39%, enquanto Flávio soma 33%. Na pesquisa anterior, os percentuais eram de 41% e 37%. Nesse levantamento, a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para Moliterno, o estreitamento da diferença entre os principais candidatos também está sendo considerado pelos investidores.
“É outro ponto que investidores estão acompanhando, mostrando um estreitamento da diferença entre os principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, e favorecendo o apetite.”
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro apresenta um perfil considerado mais alinhado à disciplina fiscal do que Lula. Ao mesmo tempo, as incertezas sobre as propostas dos candidatos para a trajetória da dívida pública continuam influenciando as expectativas para os juros e o comportamento da Bolsa e do real.
Ptax também influencia o mercado
Outro fator observado pelos agentes financeiros nesta segunda-feira é a formação da Ptax, taxa de câmbio calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros.
A formação da taxa ganha atenção adicional no último dia útil de cada mês. Nesse período, agentes financeiros podem buscar influenciar as cotações de acordo com suas posições no mercado, seja apostando na valorização do dólar, seja na queda da moeda norte-americana.