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Das máquinas pesadas às redes sociais: quem é Cesar Costa, criador que transformou a rotina da operação em conteúdo

Redação DM

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:31 | Atualizado há 2 horas

Máquinas pesadas, caminhões, oficinas, obras e equipamentos que normalmente aparecem apenas em canteiros de obras passaram a ocupar também a tela do celular de milhares de brasileiros.

No meio desse movimento está Cesar Costa, conhecido nas redes sociais como O Cesar Costa, criador de conteúdo paranaense que construiu sua audiência falando sobre máquinas pesadas, equipamentos de linha amarela e caminhões.

Engenheiro de Produção por formação e empresário, Cesar encontrou na internet uma oportunidade de falar sobre um universo que conhecia e admirava, mas de uma maneira diferente da comunicação tradicional do setor.

Em vez de apenas apresentar especificações técnicas, passou a mostrar máquinas a partir da perspectiva de quem realmente convive com elas: operadores, mecânicos, caminhoneiros, proprietários de equipamentos e empresários.

“Eu sempre gostei de entender como as coisas funcionam. Quando comecei a produzir conteúdo sobre máquinas, percebi que não precisava complicar para mostrar conhecimento. Pelo contrário: quanto melhor você entende alguma coisa, mais simples consegue explicar”, afirma.

Essa maneira de comunicar acabou se transformando em uma das características do trabalho de Cesar: traduzir o técnico para quem vive a prática.

Um influenciador em um mercado diferente

A palavra “influenciador” normalmente é associada a segmentos como moda, entretenimento, viagens, gastronomia ou tecnologia.

Mas a profissionalização das redes sociais abriu espaço também para criadores de nichos extremamente específicos.

É o caso das máquinas pesadas.

Escavadeiras, pás-carregadeiras, retroescavadeiras, miniescavadeiras, tratores e outros equipamentos movimentam setores como construção, infraestrutura, mineração e agronegócio. Atrás de cada equipamento existe ainda uma cadeia formada por fabricantes, concessionários, mecânicos, operadores, transportadores, locadores e empresários.

E todas essas pessoas também passaram a consumir conteúdo digital.

Foi justamente nesse público que Cesar encontrou espaço.

Nas redes sociais, seus vídeos misturam curiosidades, explicações técnicas, máquinas em operação, lançamentos, visitas a empresas, caminhões e situações do cotidiano de quem trabalha no setor.

O objetivo é fazer com que até assuntos considerados complexos possam ser compreendidos por diferentes públicos.

“Às vezes estou conversando com um engenheiro de uma fabricante sobre determinada tecnologia e depois preciso explicar aquilo para um operador que está assistindo pelo celular no intervalo do trabalho. Meu papel é tentar construir essa ponte.”

A internet abriu as portas das máquinas

O crescimento da audiência também começou a levar Cesar para lugares que antes pareciam distantes da realidade de um criador de conteúdo.

Feiras, lançamentos, concessionárias, operações, empresas e eventos do setor passaram a fazer parte da rotina.

As viagens deram origem a novos conteúdos e, principalmente, ampliaram o contato com diferentes lados do mercado.

De um lado está quem projeta e fabrica uma máquina.

Do outro está quem vende.

Depois vem quem compra.

E, finalmente, quem passa centenas ou milhares de horas dentro daquela cabine.

Cesar percebeu que esses grupos nem sempre enxergam o mesmo equipamento da mesma maneira.

“Quando você conversa com engenharia, o foco pode estar em uma solução tecnológica. Quando conversa com o proprietário, ele quer saber produtividade, manutenção, valor de revenda e custo. Já o operador percebe conforto, visibilidade, resposta da máquina e coisas que talvez ninguém tenha colocado como destaque em um catálogo. Acho muito interessante ouvir todos esses lados.”

Essa convivência começou a transformar também a maneira como ele produz conteúdo.

Mais do que mostrar máquinas grandes ou impressionantes, passou a buscar as histórias, decisões e tecnologias que existem ao redor dos equipamentos.

De mostrar máquinas a ter sua própria máquina

Em 2026, essa trajetória ganhou um novo capítulo.

Depois de anos produzindo conteúdo sobre equipamentos de outras pessoas e empresas, Cesar adquiriu sua própria miniescavadeira.

Também comprou um Mercedes-Benz 1113, caminhão que passou por um projeto de recuperação e que faz parte da estrutura criada para essa nova fase.

A mudança colocou o influenciador do outro lado da conversa.

Agora, além de analisar equipamentos e conversar com profissionais do mercado, Cesar também precisa lidar com decisões comuns a qualquer proprietário: aquisição, manutenção, transporte, custo por hora, disponibilidade e a necessidade de fazer o equipamento produzir.

“Ter a minha máquina mudou bastante minha percepção. Quando o equipamento é seu, máquina parada deixa de ser um assunto para vídeo e passa a ser dinheiro. Você começa a olhar manutenção, logística e produtividade de outro jeito.”

A experiência também aproximou o conteúdo da realidade de pequenos empresários e proprietários de máquinas que compõem parte de sua audiência.

A própria construção dessa operação passou a ser compartilhada com o público, incluindo os acertos, erros e adaptações que surgem pelo caminho.

O caminhão também virou parte da história

A relação de Cesar com os caminhões segue lógica parecida.

O Mercedes-Benz 1113 adquirido pelo criador não chegou pronto. O veículo, fabricado em 1971, passou a fazer parte de um projeto de recuperação acompanhado pela audiência.

A ideia vai além de restaurar um caminhão antigo.

O veículo deverá ter uma função dentro da estrutura de trabalho construída ao redor da máquina, conectando duas comunidades que já fazem parte do conteúdo de Cesar: quem gosta de máquinas e quem vive o universo dos caminhões.

Essa combinação também representa a direção que o criador pretende seguir.

Em vez de construir um personagem exclusivamente digital, Cesar busca fazer com que seus próprios projetos e negócios sejam matéria-prima para aquilo que mostra na internet.

“Eu gosto de fazer. Gosto de colocar a mão, adaptar, construir e descobrir como resolver. Acho que meu conteúdo funciona justamente porque muita coisa que aparece ali eu também estou vivendo.”

Quando a audiência interessa à indústria

Com o crescimento dos criadores especializados, fabricantes e empresas de setores técnicos também começaram a olhar de maneira diferente para as redes sociais.

No mercado de máquinas, uma audiência menor e altamente segmentada pode ter características comerciais muito diferentes de uma audiência generalista.

Um vídeo sobre uma escavadeira, por exemplo, pode alcançar operadores, donos de máquinas, compradores, mecânicos, vendedores e profissionais que influenciam diretamente decisões dentro de empresas.

É nesse ambiente que Cesar também passou a desenvolver projetos de comunicação com empresas ligadas ao setor.

Para ele, entretanto, existe uma diferença entre simplesmente anunciar uma máquina e produzir conteúdo capaz de gerar interesse genuíno.

“Se o vídeo parecer uma propaganda desde o primeiro segundo, muitas vezes a pessoa passa. Eu tento descobrir o que existe naquele produto que realmente seria interessante contar para minha audiência. A marca precisa aparecer dentro da história, e não a história existir apenas para a marca aparecer.”

Essa visão vem fazendo com que o criador também se interesse cada vez mais pela comunicação das próprias empresas de máquinas pesadas.

Segundo Cesar, uma das grandes oportunidades do setor está em transformar conhecimento técnico em comunicação compreensível para o mercado.

Muito além de vídeos curtos

Embora os vídeos rápidos tenham sido fundamentais para o crescimento das redes sociais, Cesar acredita que construir autoridade dentro de um mercado técnico exige também profundidade.

Por isso, o YouTube passou a ocupar uma posição cada vez mais importante em sua estratégia.

A plataforma permite apresentar equipamentos com mais detalhes, visitar operações, explicar tecnologias e construir conteúdos que continuem sendo encontrados muito depois da publicação.

O LinkedIn também passou a fazer parte dessa nova etapa, com uma proposta diferente: discutir máquinas não apenas como equipamentos, mas como parte de um mercado formado por negócios, tecnologia, pessoas e comunicação.

A intenção é que cada plataforma cumpra um papel.

Enquanto conteúdos rápidos apresentam o universo das máquinas para grandes audiências, formatos mais longos permitem aprofundar aquilo que existe por trás delas.

Empreendedorismo por trás da câmera

O trabalho de Cesar Costa não está restrito à produção de conteúdo.

O empreendedorismo vem ganhando espaço crescente em sua trajetória.

Projetos relacionados a máquinas, locação, equipamentos e mercado de seminovos fazem parte das áreas que o criador vem explorando paralelamente à carreira digital.

Essa combinação entre comunicação e negócio também muda sua relação com o próprio público.

Ao empreender dentro do setor sobre o qual produz conteúdo, problemas como precificação, aquisição de equipamentos, custo operacional, venda, manutenção e retorno sobre investimento deixam de ser conceitos distantes.

Passam a fazer parte da rotina.

Para Cesar, essa é uma etapa importante na construção do que pretende para o futuro.

“Eu quero que os negócios existam de verdade e que o conteúdo mostre essa jornada. Não quero construir uma vida para parecer interessante na internet. Prefiro construir coisas interessantes e deixar a internet acompanhar.”

O objetivo: tornar-se uma referência brasileira em máquinas pesadas

Para os próximos anos, Cesar Costa tem uma ambição clara: tornar-se uma das principais referências digitais do Brasil quando o assunto são máquinas pesadas e linha amarela.

Isso não significa apenas aumentar números nas redes sociais.

O projeto envolve aprofundar conteúdos no YouTube, ampliar a presença profissional no mercado, participar das principais feiras e acontecimentos do setor, desenvolver novos negócios e fortalecer a relação com operadores, proprietários, fabricantes e empresas.

A intenção é construir uma marca que seja reconhecida tanto por quem está dentro da cabine quanto por quem toma decisões dentro das empresas.

“Seguidores são importantes porque mostram que existem pessoas interessadas no que você faz. Mas eu quero construir algo além do número. Quero que, quando alguém pensar em conteúdo de máquinas pesadas no Brasil, meu nome esteja naturalmente nessa conversa.”

Em um ambiente digital dominado por conteúdos generalistas, a trajetória de Cesar mostra também o potencial dos criadores especializados.

Uma escavadeira pode não ser um produto de consumo para milhões de pessoas.

Mas, para quem trabalha com ela, compra uma, vende, conserta ou depende dela para manter uma operação funcionando, aquela máquina representa trabalho, investimento e patrimônio.

É para esse público que Cesar Costa decidiu falar.

E é justamente dentro desse universo de aço, diesel, tecnologia, negócios e pessoas que pretende construir os próximos capítulos de sua história.

Sobre Cesar Costa

Crédito da imagem: Foto de Cesar Costa

Cesar Costa, conhecido nas redes sociais como O Cesar Costa, é engenheiro de Produção, empresário, criador de conteúdo e influenciador brasileiro especializado em máquinas pesadas, equipamentos de linha amarela e caminhões. Paranaense, produz conteúdos sobre equipamentos, operação, tecnologia, negócios e o cotidiano de quem vive o setor, buscando traduzir informações técnicas para uma linguagem simples e próxima da realidade.

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