Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos em 2025, aponta IBGE
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 11:50 | Atualizado há 1 hora
Transporte de passageiros e serviços de entrega estão entre as principais atividades por aplicativo | Foto: Helio Montferre/Ipea
O Brasil encerrou 2025 com 1,959 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços, como transporte de passageiros e entrega de comida. O contingente representa um aumento em relação ao ano anterior, quando 1,7 milhão de pessoas estavam nessa modalidade de trabalho. O grupo corresponde a 1,9% da população ocupada no setor privado.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) — Trabalho por Meio de Plataformas Digitais 2025, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre as pessoas que tinham o trabalho por aplicativo como atividade principal, a maior parcela atuava no transporte particular de passageiros. Segundo o levantamento, 57,5% dos trabalhadores plataformizados, o equivalente a 1,036 milhão de pessoas, exerciam a função por meio de aplicativos de transporte particular de passageiros, incluindo serviços de táxi e outras modalidades.
Outro grupo expressivo estava ligado às plataformas de entrega. Ao todo, 531 mil pessoas, ou 29,4% dos trabalhadores por aplicativo, atuavam com entrega de comida, produtos e outros itens.
Renda, escolaridade e contribuição previdenciária
A pesquisa também analisou a remuneração dos trabalhadores que utilizam plataformas digitais. Em 2022, a renda média mensal dos chamados trabalhadores plataformizados era superior à registrada entre aqueles que não trabalhavam por meio de aplicativos. A diferença voltou a ser observada em 2024. Já em 2025, os dois grupos apresentaram equiparação na remuneração média mensal.
O levantamento do IBGE também aponta uma forte predominância masculina nesse tipo de atividade. Os homens representavam 84,4% dos trabalhadores plataformizados, percentual bastante acima da participação masculina entre o conjunto de pessoas ocupadas no setor privado, que era de 58,2%.
Em relação à escolaridade, a maior parte dos trabalhadores por plataformas digitais estava concentrada em níveis intermediários de instrução. Pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto representavam 62,5% desse grupo.
Já os trabalhadores que haviam concluído o ensino fundamental ou tinham o ensino médio incompleto correspondiam a 13,9% dos plataformizados.
Outro dado apontado pela Pnad foi a queda na proporção de trabalhadores por aplicativos que contribuem para algum instituto oficial de previdência. O percentual passou de 35,9% em 2024 para 34% em 2025.
A taxa também ficou abaixo da registrada entre o conjunto dos trabalhadores ocupados no setor privado. No país, 62,4% das pessoas ocupadas nesse segmento contribuíam para a previdência em 2025.