Conflito entre Moraes e Mendonça no STF pode impactar eleições de 2026, diz Financial Times
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 09:29 | Atualizado há 2 horas
Financial Times destaca o conflito no STF e os possíveis reflexos do caso Banco Master nas eleições | Foto: Antonio Augusto/STF
A disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou destaque internacional. Em artigo publicado no último domingo (13), o jornal britânico Financial Times avaliou que o conflito entre os dois magistrados provocou uma das crises institucionais mais graves da história recente da Corte e passou a influenciar diretamente o cenário da eleição presidencial de outubro.
Na avaliação do jornal, o embate colocou o Judiciário no centro da disputa política brasileira. A crise ganhou força a partir das informações envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e personagem central da investigação sobre a quebra da instituição financeira, apontada como a maior fraude bancária da história do país.
O Financial Times relembrou que Moraes foi responsável, no ano passado, por determinar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Agora, o ministro passou a ser citado nas investigações relacionadas a Vorcaro, que teve o banco envolvido em um colapso estimado em US$ 10 bilhões.
Segundo a publicação britânica, as informações sobre uma possível proximidade entre Moraes e Vorcaro transformaram o ministro em uma das figuras centrais do escândalo envolvendo o Banco Master.
A publicação também destacou que a crise dentro do Supremo chegou a um momento decisivo em 1º de setembro, quando André Mendonça divulgou um relatório elaborado pela Polícia Federal com informações relacionadas ao banqueiro.
O material indica que Vorcaro teria procurado Moraes antes de ser preso, em novembro do ano passado, em busca de apoio. O relatório também registra encontros que teriam ocorrido entre o empresário e o ministro.
A divulgação provocou uma reação de Moraes. De acordo com o Financial Times, o magistrado acusou Mendonça de extrapolar suas atribuições e de adotar decisões influenciadas por interesses políticos. Mendonça, que não se pronunciou publicamente sobre o confronto, chegou ao STF indicado por Bolsonaro, depois de ter ocupado o cargo de ministro da Justiça durante o governo do ex-presidente.
Crise no Judiciário chega ao cenário eleitoral
O jornal britânico avalia que a dimensão do conflito ultrapassou os limites do Supremo e passou a representar um elemento de instabilidade para a disputa presidencial marcada para outubro. A eleição tem como principais nomes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Para analistas ouvidos pelo Financial Times, a crise pode ter peso significativo na definição do resultado eleitoral. O cientista político Leandro Consentino, do Insper, afirmou que o episódio representa um escândalo de grande proporção e pode gerar consequências para as instituições brasileiras.
“Trata-se de um escândalo de grande magnitude, que está provocando uma crise institucional muito perigosa e prejudicial à democracia brasileira”, declarou. Para ele, o caso “é provável” que tenha influência decisiva na eleição.
Embora Lula não seja acusado de envolvimento no caso Banco Master, o jornal aponta que a crise atinge um ponto delicado da trajetória política do presidente. O episódio pode reavivar entre eleitores as lembranças das acusações de corrupção que resultaram em condenações contra Lula no passado. Essas decisões foram posteriormente anuladas pela Justiça.
A oposição tem utilizado o desgaste do STF para atacar o governo e, principalmente, questionar a atuação de Moraes. Flávio Bolsonaro voltou a defender o afastamento do ministro, que participou do julgamento e da condenação de seu pai.
Durante uma manifestação a apoiadores na semana passada, o senador resumiu sua estratégia em uma frase: “Um voto em Lula é um voto em Moraes”.
Flávio também aparece nas investigações
O Financial Times também chamou atenção para o fato de que o escândalo não envolve apenas integrantes do campo político ligado ao governo Lula. O próprio Flávio Bolsonaro passou a ser relacionado ao caso depois que, em maio, surgiram informações sobre recursos recebidos de Daniel Vorcaro.
Segundo a publicação, o banqueiro teria destinado milhões de dólares ao financiamento de Dark Horse, filme produzido sobre Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena de 27 anos de prisão.
Flávio sustenta que os valores correspondem a um patrocínio privado regular e nega qualquer irregularidade na operação. O senador também tem procurado deslocar o foco das acusações que atingem seu grupo político.
Enquanto as suspeitas atingem integrantes dos dois principais campos da disputa eleitoral, as pesquisas apontam para uma corrida mais apertada. Levantamentos recentes indicam redução da vantagem de Lula e cenário de empate técnico entre o presidente e o candidato da oposição.
Nesse contexto, o Financial Times avalia que a crise envolvendo o STF e o Banco Master pode deixar de ser apenas uma disputa institucional e se transformar em um dos elementos capazes de influenciar diretamente a eleição presidencial de outubro.