Cotidiano

HDT já registra 5.036 acidentes com animais peçonhentos em 2026, mais que o dobro de todo 2025

Léo Carvalho

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 14:06 | Atualizado há 2 horas

Acidentes com animais peçonhentos passam de 5 mil no HDT e já superam em 145% todo 2025 | Foto: Divulgação
Acidentes com animais peçonhentos passam de 5 mil no HDT e já superam em 145% todo 2025 | Foto: Divulgação

O número de acidentes envolvendo animais peçonhentos atendidos pelo Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), em Goiânia, já supera com folga os registros dos dois anos anteriores. Até meados de setembro de 2026, foram contabilizadas 5.036 notificações no hospital, entre ocorrências envolvendo escorpiões, aranhas, serpentes e outros animais. Em todo o ano de 2025, foram 2.060 registros, enquanto 2024 terminou com 1.618.

Somente neste ano, 273 acidentes envolveram serpentes. Goiânia concentra o maior número de atendimentos no HDT, com 754 registros, seguida por Aparecida de Goiânia, com 513, e Senador Canedo, com 254. Também aparecem entre os municípios de origem dos pacientes Goianira, com 41 ocorrências, Edeia, com 21, e Abadia, com 20.

Em todo o estado, os números também chamam atenção. De janeiro a agosto de 2026, Goiás registrou 9.381 acidentes envolvendo serpentes, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), da Secretaria de Estado da Saúde (SES). No mesmo período de 2025, foram 9.711 casos. Em 2024, foram 7.639 ocorrências.

Considerando os anos completos, Goiás registrou 15.070 acidentes por serpentes em 2025 e 11.931 em 2024.

Os dados ganham destaque no Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos, celebrado em 19 de setembro. A data reforça a necessidade de prevenção e de atendimento rápido em casos de picadas de serpentes, já que a demora pode aumentar o risco de complicações.

Jararacas e cascavéis estão entre as principais responsáveis

Entre os acidentes em que houve identificação do animal, as serpentes do gênero Bothrops, que inclui as jararacas, aparecem com maior frequência. Até agosto de 2026, foram registrados 761 casos, contra 920 no mesmo período de 2025 e 930 em 2024.

As jararacas podem provocar dor intensa, inchaço e sangramentos na região atingida. Já as serpentes do gênero Crotalus, como as cascavéis, podem causar manifestações neurológicas, como visão turva e queda das pálpebras. Em situações graves, também pode ocorrer dificuldade respiratória.

Os acidentes envolvendo cascavéis somaram 126 registros em Goiás até agosto deste ano. No mesmo período de 2025, foram 219 casos, enquanto 2024 registrou 176.

As corais-verdadeiras, da família Elapidae, tiveram 11 registros até agosto de 2026. Foram 20 no mesmo período de 2025 e nove em 2024. Já os acidentes envolvendo serpentes do gênero Lachesis, como a surucucu-pico-de-jaca, foram raros. Nos três anos analisados, foram três ocorrências, sendo duas em 2024 e uma em 2025.

O tratamento depende do tipo de acidente e da avaliação médica. O soro antiveneno é específico para determinados tipos de veneno e sua aplicação depende dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente.

As jararacas e as cascavéis são duas das serpentes peçonhentas mais importantes do Brasil | Foto: Divulgação

O que fazer após uma picada

Segundo o infectologista do HDT, Luiz Felipe Silveira Sales, ainda existem mitos sobre os primeiros cuidados após uma picada de serpente. Entre as práticas que devem ser evitadas estão comprimir o local atingido ou tentar sugar o veneno.

A orientação é lavar a região com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível. O tempo entre o acidente e a chegada ao serviço de saúde pode ser determinante para a evolução do quadro.

A avaliação precoce permite identificar sinais de gravidade e, quando necessário, administrar o soro antiveneno de maneira adequada. Crianças, idosos e pessoas com comorbidades exigem atenção especial por apresentarem maior risco de complicações.

A recomendação também é não tentar capturar ou manipular a serpente. Além de atrasar a procura por atendimento, a tentativa de pegar ou identificar o animal pode provocar uma nova picada.

O primeiro atendimento pode ser realizado em qualquer unidade de saúde. Depois da avaliação e dos cuidados iniciais, o paciente pode ser encaminhado para um serviço de referência, como o HDT, quando houver necessidade de acompanhamento especializado.

HDT já registra 5.036 acidentes com animais peçonhentos em 2026, mais que o dobro de todo 2025
Caso alguém seja picado por um animal peçonhento, é importante buscar atendimento imediato | Foto: ICB/FURG

A prevenção começa antes do acidente, principalmente em áreas rurais, terrenos com vegetação densa, locais com entulho e outros ambientes onde serpentes podem se esconder.

Durante a circulação nesses locais, é recomendado utilizar botas de cano alto ou perneiras de couro. Também é importante não colocar as mãos em buracos, frestas, sob pedras, troncos ou outros espaços sem visibilidade.

Ao movimentar materiais acumulados ou objetos que estejam em áreas consideradas de risco, a recomendação é utilizar ferramentas apropriadas e manter uma distância segura.


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