Saúde

Medicamentos contra calvície causam impotência sexual? Especialistas esclarecem dúvidas

Redação Online

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 16:28 | Atualizado há 49 minutos

Domingos Coelho e Jefferson Freitas: “Associação entre medicamentos contra a calvície e impotência sexual não deve ser tratada como regra” | Foto: Divulgação
Domingos Coelho e Jefferson Freitas: “Associação entre medicamentos contra a calvície e impotência sexual não deve ser tratada como regra” | Foto: Divulgação

A possibilidade de ficar impotente por causa de medicamentos usados no combate à calvície está entre as principais dúvidas de homens que procuram tratamento para a queda de cabelo. O receio de perder o desejo sexual ou apresentar dificuldades de ereção faz com que alguns pacientes interrompam ou sequer iniciem o acompanhamento médico. Especialistas ouvidos pelo Diário da Manhã, no entanto, explicam que a associação entre medicamentos contra a calvície e impotência sexual não deve ser tratada como uma regra. Possíveis efeitos adversos existem, mas atingem apenas uma parcela dos pacientes e podem ser avaliados e acompanhados pelo médico.

O dermatologista Domingos Coelho, especialista em tratamento e transplante capilar, explica que a preocupação dos pacientes é legítima, mas não deve ser motivo para abandonar o tratamento. Segundo ele, os medicamentos são utilizados para controlar a progressão da alopecia e preservar os fios que ainda não foram perdidos. “O paciente não deve se levar pelo medo, e sim pela ciência”, afirma.

Entre as perguntas mais frequentes nos consultórios estão justamente aquelas relacionadas à vida sexual. Muitos homens querem saber se o tratamento pode diminuir a libido, provocar impotência ou comprometer definitivamente o desempenho sexual. De acordo com Domingos, é importante diferenciar a possibilidade de ocorrência de um efeito colateral da ideia de que o medicamento necessariamente causará o problema. “Possibilidade não significa que todos que utilizam medicamentos contra a calvície apresentarão problemas”, explica.

O especialista ressalta que os efeitos relacionados à função sexual são observados em uma parcela pequena dos pacientes e que a resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa. Quando algum efeito adverso aparece, a conduta não precisa ser simplesmente abandonar o combate à calvície. A estratégia pode ser revista pelo médico, levando em consideração a evolução da alopecia, a resposta apresentada pelo paciente e sua tolerância ao medicamento.

“Em torno de 1% a 5%” é a faixa mencionada pelo especialista para a ocorrência de efeitos colaterais relacionados aos medicamentos em determinados contextos clínicos e estudos, mas os índices podem variar conforme o medicamento, a dose e o perfil dos pacientes. Por isso, a avaliação individual é fundamental antes de iniciar, modificar ou interromper qualquer tratamento.

Outro ponto que costuma gerar dúvida é o transplante capilar. Alguns pacientes acreditam que, depois da cirurgia, não precisarão mais utilizar medicamentos. O cirurgião capilar Jefferson Freitas explica que o procedimento não interrompe necessariamente a evolução da calvície. O transplante redistribui fios da região doadora para áreas que sofreram perda, mas os cabelos naturais que permanecem no couro cabeludo continuam sujeitos à ação da alopecia.

“O procedimento pode redistribuir fios de uma região doadora para áreas afetadas pela perda capilar, mas os fios que não foram transplantados continuam sujeitos à evolução do processo de queda”, afirma Jefferson.

Isso significa que o acompanhamento médico pode continuar mesmo depois da cirurgia. O objetivo é preservar os fios naturais e retardar a progressão da calvície. A necessidade e a duração do tratamento, entretanto, dependem das características de cada paciente e devem ser definidas pelo especialista.

Para Domingos Coelho, um dos principais desafios é fazer com que o paciente compreenda que a calvície é uma condição crônica. Assim como ocorre em outras doenças que exigem controle contínuo, o tratamento pode precisar ser mantido por longo período. “A calvície é crônica, igual a uma diabetes, igual a uma hipertensão. Ou seja, o paciente sempre vai ter que fazer um tratamento para combater a calvície que tem”, explica.

A orientação dos especialistas é para que o paciente não interrompa o uso de medicamentos por conta própria diante do medo de apresentar impotência ou alterações na libido. Caso perceba qualquer mudança, a recomendação é procurar o médico para avaliar se existe relação com o tratamento e, se necessário, modificar a estratégia terapêutica.


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