Faustão fala sobre recuperação após quatro transplantes e revela planos longe da TV
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 09:02 | Atualizado há 2 horas
Faustão falou sobre a recuperação após quatro transplantes | Foto: Reprodução/Globoplay
Fausto Silva, o Faustão, 76, falou abertamente sobre o período de recuperação depois de enfrentar uma sequência de transplantes que envolveu coração, dois rins e fígado. Em participação no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, na última segunda-feira (15), o apresentador classificou a própria sobrevivência como um milagre e contou que o processo também transformou sua maneira de encarar a vida.
Conhecido pelo ritmo acelerado de trabalho e pelo temperamento direto, Faustão afirmou que precisou aprender a ter paciência durante os longos períodos de tratamento. Segundo ele, a experiência o fez desenvolver resiliência e aceitar que, diante de uma situação tão delicada, o melhor caminho era confiar nas equipes médicas.
“Eu, que não tinha paciência para nada, fui doutrinado, ou melhor, adestrado, para ter paciência e resiliência”, disse.
Confiança nos médicos
O apresentador explicou que preferiu não interferir nas decisões relacionadas ao tratamento e deixou as escolhas nas mãos dos profissionais responsáveis por sua saúde. Ele também destacou a importância do apoio da mulher durante o período.
Faustão afirmou que, diante da gravidade do quadro, decidiu seguir as orientações médicas sem tentar encontrar respostas por conta própria.
“Graças a Deus, confiei nos médicos certos e também na minha mulher, que me fez mudar bastante ao longo da vida”, declarou.
Depois de passar bastante tempo internado, ele conta que a recuperação passou a incluir uma série de atividades físicas e terapêuticas. Entre elas estão tai chi chuan, musculação e fisioterapia.
O apresentador explicou ainda que não enfrentou problemas diretamente relacionados aos órgãos transplantados, mas precisou lidar com consequências do longo período de hospitalização e com efeitos colaterais do tratamento.
“Eu fiquei muito tempo no hospital. E aí você fica com dor nas costas. E eu não tive um problema nos transplantes. Só os efeitos colaterais mesmo”, contou.
Família como patrimônio
Durante a conversa com Pedro Bial, Faustão também falou sobre a forma como encara momentos difíceis. Ele afirmou que não se considera uma pessoa excessivamente expansiva, mas procura preservar o bom humor mesmo diante das adversidades.
Para o apresentador, a família ocupa um lugar central na construção de um legado. Na avaliação dele, as relações pessoais e profissionais construídas ao longo da vida são parte importante do patrimônio que alguém deixa.
“Eu acho que o grande segredo da vida é construir um patrimônio, e o patrimônio é família. É quando você deixa um legado”, afirmou.
A mesma visão aparece quando ele fala sobre a carreira. Faustão destacou que se orgulha de ter acompanhado o crescimento de profissionais que começaram trabalhando ao seu lado e posteriormente chegaram a posições de destaque na televisão.
Ao relembrar os 33 anos em que esteve na Globo, ele afirmou que considera significativo ter contribuído para a formação de profissionais que hoje ocupam cargos de direção.
“Você participar de uma profissão que você ajuda a melhorar o trabalho para todo mundo. E isso não é ser bonzinho, é ser inteligente”, declarou.
Faustão não pretende voltar à televisão
Apesar de décadas dedicadas à televisão, Faustão indicou que não pretende retomar a rotina diante das câmeras. O longo período de hospitalização, segundo ele, serviu também como um momento de reflexão sobre sua trajetória profissional.
O apresentador afirmou que sempre pensou que, quando chegasse o momento de encerrar a carreira, faria isso de maneira definitiva.
“Quando você fica muito tempo no hospital, passam várias séries, não filmes, pela sua cabeça. Pensei bastante e sempre falei: ‘No dia que eu parar, vou parar mesmo’”, contou.
Depois de 64 anos de trabalho, Faustão disse acreditar que realizou tudo o que estava ao seu alcance profissionalmente. Agora, pretende aproveitar uma fase mais tranquila ao lado da família e dos cachorros.
“É melhor deixar um pouco de saudade para meia dúzia e alívio para muita gente. Trabalhei durante 64 anos e acho que fiz o que pude”, afirmou.
Novo olhar para a vida
Ao falar sobre o futuro, o apresentador resumiu aquilo que considera essencial depois de tantos anos de carreira. Para ele, deixar uma contribuição profissional, cultivar amizades verdadeiras e manter os vínculos familiares são elementos que dão sentido à vida.
Faustão também ressaltou a importância de enfrentar períodos difíceis com determinação e transformar experiências adversas em motivação para seguir em frente.
“Primeiro, é deixar algum legado na profissão. Segundo, é ver que não foi só ‘quá-quá-quá’, que teve alguma coisa relevante. Terceiro, é ter relações de amizade para valer. Isso, além da família, faz com que você tenha vontade de viver”, afirmou.
Ao final da entrevista, o apresentador reforçou que a experiência com a doença mudou suas prioridades e sua percepção sobre o que realmente importa.
“Você ter que enfrentar a doença com altivez. É isso que move você a dar uma virada. Sem dúvida alguma, esse é o grande segredo da vida”, concluiu.
