Brasil fica fora de coalizão dos EUA contra facções e recebe cobrança de Trump
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 08:57 | Atualizado há 2 horas
Brasil fica fora de coalizão liderada pelos EUA contra organizações criminosas | Foto: Reprodução/WhiteHouse/PR
O Brasil ficou de fora da articulação liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação entre países da América Latina no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. A iniciativa ganhou força após a viagem do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pela região, na última semana.
Colômbia e Peru aderiram ao chamado “Escudo das Américas”, criado por Washington para aumentar a integração entre serviços de inteligência, planejamento de operações e ações contra organizações criminosas. O Brasil não faz parte da coalizão.
A movimentação ocorre em meio a novas cobranças do governo de Donald Trump contra o Brasil. Em uma determinação presidencial divulgada na última quarta-feira (16), os Estados Unidos afirmaram que o governo brasileiro precisa adotar medidas mais duras contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Apesar de o Brasil não ter sido incluído na lista dos principais países de produção ou trânsito de drogas ilícitas, o documento norte-americano afirma que PCC e CV transformaram o país em um “centro de distribuição global de cocaína”. A Casa Branca também declarou que o governo brasileiro precisa “urgentemente tomar medidas enérgicas” contra as duas organizações.
Brasil diz que propostas feitas a Trump seguem sem resposta
A cobrança de Washington acontece enquanto o governo brasileiro tenta ampliar a cooperação internacional contra o crime organizado. Em maio, durante uma reunião de cerca de três horas com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou propostas para uma atuação conjunta no combate às facções e ao narcotráfico transnacional.
O encontro também teve como temas as relações comerciais e os minerais considerados críticos. Na área de segurança, Lula convidou os Estados Unidos a participar de iniciativas brasileiras destinadas ao enfrentamento de organizações criminosas.
Entre as propostas estava o fortalecimento da cooperação policial na Amazônia, com compartilhamento de informações entre os países da região. Lula citou uma estrutura criada em Manaus para reunir representantes de nações amazônicas e facilitar a troca de dados sobre crimes transnacionais.
O governo brasileiro também propôs ampliar a cooperação regional por meio do Consenso de Brasília e de outras iniciativas relacionadas à segurança e ao combate ao crime organizado. Segundo Brasília, duas propostas apresentadas aos Estados Unidos em maio ainda não receberam resposta.
Lula cita medidas adotadas pelo governo
Na última conversa telefônica com Trump, Lula voltou a defender a cooperação entre os dois países no combate às organizações criminosas. O presidente afirmou que o Brasil possui mecanismos próprios para enfrentar as facções e que não depende de classificações internacionais para agir contra esses grupos.
Entre as medidas citadas por Lula está o combate ao financiamento das organizações criminosas. Segundo o presidente, as ações já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Ele também mencionou a transformação de 138 presídios em unidades de segurança máxima, a Lei Antifacção e uma PEC que prevê ampliar a atuação federal na segurança pública.
Enquanto Brasília defende o fortalecimento da cooperação policial e da troca de informações, Washington amplia acordos de segurança com outros governos latino-americanos. A estratégia ganhou espaço durante a viagem de Rubio, que passou por Colômbia, Equador e Peru em uma agenda marcada por discussões sobre narcotráfico e segurança.
Durante a passagem pelo Equador, Rubio também associou movimentos de esquerda da América Latina a organizações criminosas ligadas ao narcotráfico. A ofensiva norte-americana ocorre, assim, paralelamente às tentativas do governo brasileiro de estabelecer mecanismos próprios de cooperação internacional no combate às facções.